

Irmãos, queremos levar ao vosso conhecimento a graça de Deus que foi concedida às Igrejas da Macedônia. Com efeito, em meio a grandes tribulações que as provaram, a sua extraordinária alegria e extrema pobreza transbordaram em tesouros de liberalidade. Eu sou testemunha de que esses irmãos, segundo os seus recursos e mesmo além dos seus recursos, por sua própria iniciativa e com muita insistência, nos pediram a graça de participar da coleta em favor dos santos de Jerusalém. E, indo além de nossas expectativas, colocaram-se logo à disposição do Senhor e também à nossa, pela vontade de Deus. Por isso solicitamos a Tito que, assim como a iniciou, ele leve a bom termo entre vós essa obra de generosidade. E, como tendes tudo em abundância – fé, eloquência, ciência, zelo para tudo e a caridade de que vos demos o exemplo -, assim também procurai ser abundantes nesta obra de generosidade. Não é uma ordem que estou dando; mas é para testar a sinceridade da vossa caridade que eu lembro a boa vontade de outros. Na verdade, conheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por sua pobreza.
É feliz todo homem que busca seu auxílio no Deus de Jacó e que põe no Senhor a esperança. O Senhor fez o céu e a terra, fez o mar e o que neles existe. O Senhor é fiel para sempre. Faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído, o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro.
Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A graça e a paz em Cristo, nosso Senhor, esteja convosco! A Liturgia da Palavra de hoje nos apresenta alguns gestos concretos de se praticar o amor ao próximo, assim como Jesus amou. Porém, o Senhor nos desafiou com suas palavras a praticarmos aquele amor ao próximo sem reciprocidade, por pura generosidade e longanimidade. Ou seja, ele nos propôs a amar aqueles que nos odeiam e nos maltratam como nossos inimigos. E além disto, deveríamos ser generosos com os necessitados que não podem nos retribuir. Fazendo assim, estaríamos imitando Jesus e seguindo os seus preceitos, como ele disse: “Eu vos dou novo preceito: que vos ameis uns aos outros, como eu vos tenho amado” ( Jo 13, 34).
Prosseguindo na reformulação e aperfeiçoamento do Lei de Deus, Jesus Cristo voltou a tocar num dos temas mais delicados do quinto mandamento, referindo-se à nossa relação com as pessoas que nos rejeitam e que se tornaram nossas inimigas. Ou seja, depois de moderar a nossa agressividade, proibindo a justa vingança de retribuir o mal com o mal, em seguida, Jesus nos orientou a não ficarmos perturbados diante dos inimigos e dos malvados que nos perseguem e maltratam; dizendo: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5, 43-44)! Com isto, Jesus nos ensinou a praticarmos um tipo de amor completamente desconhecido pelos homens até então. Pois, amar o próximo que nos ama e que nos trata bem, sempre foi visto como coisa justa e necessária. Porém, amar quem é nosso inimigo e que nos detesta e nos maltrata, sempre pareceu ser coisa esquisita e sem razão. Por isso, a prática deste amor exigia muita paciência e mansidão, cujas virtudes eram muito apreciadas por Jesus Cristo!
Assim, ao apresentar o seu conselho evangélico, Jesus dizia, de modo especial aos seus discípulos: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem”, (Mt 5, 44). Com este ensinamento, Jesus trazia várias coisas em mente. Primeiramente, ele sabia muito bem que estava inaugurando no mundo um novo tipo de relacionamento entre os homens, com princípios novos, estabelecidos pelo próprio Jesus Cristo. Assim, em lugar da discórdia e do ódio as pessoas deveriam se tratar com gestos de civilidade e de amor fraterno, resolvendo os seus conflitos e discórdias com gestos de mansidão. Bem como, o amor e a oração por seus inimigos se tornariam ótimos meios de evangelizar e de apaziguar os corações dos adversários, dos inimigos e dos malvados; afim de levá-los ao arrependimento e à conversão de vida!
Por fim, Jesus disse que este amor aos inimigos seria o mais elevado e perfeito ato de amor, conforme a compreensão da sabedoria divina. Pois, aos olhos de Deus, este amor altruísta e generoso dados aos inimigos, seria altamente apreciado por Deus; fazendo com que os praticantes deste amor seriam merecedores de uma larga recompensa divina, nos Reino dos céus! Por isso, logo a seguir, Jesus disse aos seus discípulos: “Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos.. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 45-48).
Ao lado destes gestos de amor tão elevado e perfeito, o apóstolo Paulo louvava e estimulava os gestos de amor fraterno entre os cristão, promovendo nas comunidades cristãs a generosidade e a partilha dos bens, sobretudo, com os irmãos necessitados. Paulo, naquele tempo, estava promovendo uma coleta para amparar os cristãos de Jerusalém, que estavam passando por grandes necessidades. Ao mesmo tempo, ele aproveitou para fez um belo elogio aos cristãos de Antioquia, que embora fossem pobres, quiseram participar desta coleta com toda generosidade. Isto fez Paulo dizer: “Com efeito, em meio a grandes tribulações que as provaram, a sua extraordinária alegria e extrema pobreza transbordaram em tesouros de liberalidade. Eu sou testemunha de que esses irmãos, segundo os seus recursos e mesmo além dos seus recursos, por sua própria iniciativa e com muita insistência, nos pediram a graça de participar da coleta em favor dos santos de Jerusalém” (2Cor 8, 2-4).
Depois de ter dito isto, Paulo exortou os irmãos de Corinto a participarem da coleta, com o mesmo espírito dos irmãos de Antioquia, dizendo-lhes: “E, como tendes tudo em abundância, assim também procurai ser abundantes nesta obra de generosidade. Na verdade, conheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por sua pobreza” (2Cor 8, 7; 9).
Enfim, caros irmãos, unidos aos apóstolos e aos nossos irmãos na fé, que aplicaram em suas vidas o amor fraterno e o amor aos seus inimigos, elevemos ao Senhor um hino de de louvor, dizendo: “É feliz todo homem que busca seu auxílio no Deus de Jacó e que põe no Senhor a esperança. Pois, o Senhor faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos; é o Senhor quem liberta os cativos. O Senhor ama aquele que é justo” (Sl 145, 2-4).
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