

Irmãos, Deus não é injusto, para esquecer aquilo que estais fazendo e a caridade que demostrastes em seu nome, servindo e continuando a servir os santos. Mas desejamos que cada um de vós mostre até ao fim este mesmo empenho pela plena realização da esperança, para não serdes lentos à compreensão, mas imitadores daqueles que, pela fé e a perseverança, se tornam herdeiros das promessas. Pois quando Deus fez a promessa a Abraão, não havendo alguém maior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: “Eu te cumularei de bênçãos e te multiplicarei em grande número”. E assim, Abraão foi perseverante e alcançou a promessa. Os homens juram, de fato, por alguém mais importante, e a garantia do juramento põe fim a qualquer contestação. Por isso, querendo Deus mostrar, com mais firmeza, aos herdeiros da promessa, o caráter irrevogável da sua decisão, interveio com um juramento. Assim, por meio de dois atos irrevogáveis, nos quais não pode haver mentira por parte de Deus, encontramos profunda consolação, nós que tudo deixamos para conseguir a esperança proposta. A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da vida, segura e firme, penetrando para além da cortina do santuário, aonde Jesus entrou por nós, como precursor, feito sumo sacerdote eterno na ordem de Melquisedec.
Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito; Permaneça eternamente o seu louvor.
Que o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo vos dê a sabedoria do Espírito; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança!
Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?” Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”. E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.
Caríssimos irmãos e discípulos do Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje nos confirma que o Deus que deu a Lei a Moisés e fez a Aliança com Israel foi o mesmo Deus que, em Jesus Cristo, promulgou a Lei do Evangelho que foi dada aos seus discípulos. Do mesmo modo, o Deus que fez as promessas a Abraão e a todo o povo de Israel, por meio de juramento, foi o mesmo Deus e nosso Senhor Jesus Cristo quem fez as promessas do Reino dos céus, como fundamento de nossa esperança de salvação.
Naquele momento, caros irmãos, em que Jesus declarou aos judeus de que ele possuía um poder superior ao de Moisés – equiparando-se ao próprio Deus que dera a Lei à Moisés no monte Sinai -, Jesus estava dizendo abertamente que ele tinha autoridade de reformular a Lei antiga e, ao mesmo tempo, estava autorizado por Deus a decretar novas leis. Por isso, Jesus disse aos judeus e mestres da Lei: “O Filho do Homem é senhor também do Sábado” (Mc 2 28). Deixando, assim, bem claro que com esta declaração, ele tinha uma autoridade divina para determinar o que se podia ou não se podia fazer no Sábado; bem como, ele tinha poderes divinos de transferir o dia de Sábado, do sétimo dia da semana, para o primeiro dia da semana. Portanto, conforme os princípios estabelecidos por Jesus Cristo, como Senhor e divino legislador, a lei deveria estar a serviço do homem, afim de estimulá-lo na prática do bem e da justiça! Por isso ele dizia: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2, 28).
E foi o próprio Jesus quem transferiu o sábado do 7º dia para o 1º dia da semana; quando ele ressuscitou dos mortos. Pois, tendo ressuscitado dos mortos no primeiro dia da semana, Jesus transferiu, definitivamente, o dia do Senhor, o Sábado, do sétimo dia para o primeiro dia da semana. Por isso, o primeiro dia da semana, que faz a memória da ressurreição do Senhor, tornou-se o sábado dos cristãos, chamado de “Domingo”!
Prosseguindo nas questões sobre o Sábado, nós vimos, na passagem do Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus questionar os fariseus, dizendo: “É, por acaso, permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer” (Cfr. Mc 2, 25-26)? , Ele não estava relativizando ou anulando a Lei do Sábado, mas estava apontando para a justa finalidade deste preceito divino. Nestas duas frases Jesus quis apenas dizer que, em certas circunstâncias da vida, não deveríamos tomar a lei ao pé da letra e querer aplicá-la com todo rigor. Normalmente a Lei costuma estar em conformidade com a caridade, com as virtudes e com as boas obras. E quando a Lei proíbe alguma coisa é certo que ela está nos advertindo a não fazer o mal e procuremos evitar qualquer injustiça e pecado. No entanto, certas situações acidentais, que não dependem de nossa vontade e nem provocam nenhuma injustiça, eventualmente, se justificariam o não cumprimento daquele preceito específico, em todo o seu rigor legal, para salvaguardar a justiça e a caridade!
Por isso, quando Jesus fez, diante dos rigoristas e presunçosos fariseus os seus questionamentos sobre a Lei e sobre o Sábado, ele não estava reprovando e desprezando a Lei e nem o Sábado. Ele queria apenas dizer que a Lei deveria ser respeitada e praticada conforme o seu espírito e a sua finalidade, e não deveriam se ater somente à letra da Lei. Deste modo, a Lei deveria ser guardada de acordo com os princípios dados por Deus. Pois, tudo o que fazermos para cumprir a Lei deve ser feito em vista da caridade, da esperança e da salvação; como disse o Apóstolo: “Deus não é injusto, para esquecer aquilo que estais fazendo e a caridade que demostrastes em seu nome, servindo e continuando a servir os santos. Mas desejamos que cada um de vós mostre até ao fim este mesmo empenho pela plena realização da esperança, para não serdes lentos à compreensão, mas imitadores daqueles que, pela fé e a perseverança, se tornam herdeiros das promessas” (Hb 6, 10-12). Pois os cristãos deveriam cumprir a Lei em vista daqueles bens futuros e eternos, que lhes foram prometidos e que serão dados a quem cumprir a vontade de Deus.
Peçamos, portanto, a Deus o nosso Pai, as graças e as luzes do Espírito Santo para permanecermos firmes na esperança de alcançar a herança da vida eterna, como disse o Apóstolo: “Que o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo vos dê a sabedoria do Espírito; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança” (Ef 1, 17-18)!
Assim, caros irmãos, fazendo em tudo a vontade de Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo, cumprindo os seus preceitos, poderemos, então, cantar os louvores do Senhor, dizendo: “Eu agradeço a Deus de todo o coração, junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! Ele enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito; Permaneça eternamente o seu louvor” (Sl 110, 1-2; 9-10)!
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