

O Senhor viu que havia crescido a maldade do homem na terra, e como os projetos do seu coração tendiam sempre para o mal. Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem na terra e ficou com o coração muito magoado, e disse: “Vou exterminar da face da terra o homem que criei; e com ele, os animais, os répteis e até as aves do céu, pois estou arrependido de os ter feito!” Mas Noé encontrou graça aos olhos do Senhor. O Senhor disse a Noé: “Entra na arca com toda a tua família, pois tu és o único homem justo que vejo no meio desta geração. De todos os animais puros toma sete casais, machos e fêmeas, e dos animais impuros, um casal, macho e fêmea. Também das aves do céu tomarás sete casais, machos e fêmeas, para que suas espécies se conservem vivas sobre a face da terra. Pois, dentro de sete dias, farei chover sobre a terra, quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da superfície da terra
todos os seres vivos que fiz”. Noé fez tudo o que o Senhor lhe havia ordenado. E, passados os sete dias, caíram sobre a terra as águas do dilúvio.
Filhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai-o com santo ornamento! Eis a voz do Senhor sobre as águas, sua voz sobre as águas imensas! Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa. Sua voz no trovão reboando! No seu templo os fiéis bradam: “Glória!” É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre! Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.
Naquele tempo, os discípulos tinham se esquecido de levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. Então Jesus os advertiu: “Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”. Os discípulos diziam entre si: “É porque não temos pão”. Mas Jesus percebeu e perguntou-lhes: “Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis e nem compreendeis? Vós tendes o coração endurecido? Tendo olhos, vós não vedes, e tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?” Eles responderam: “Doze”. Jesus perguntou: E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços? Eles responderam: “Sete.” Jesus disse: “E vós ainda não compreendeis?”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra se propõe, outra vez, a desvendar os mistérios da iniquidade. As leituras que nós ouvimos, nos apresentam como o mal e o pecado foram, sorrateiramente, conquistando mais pessoas para o lado deles e foram se avolumando de uma forma assustadora. Diante disto, lá nos tempos antigos, Deus decidiu dar um fim a tudo isto com o dilúvio. Jesus Cristo, em todo caso, advertia os discípulos a não se misturarem com os iníquos e hipócritas, para não se corromperem em suas malvadezas e hipocrisias.
No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus começou a falar com seus discípulos de um modo meio obscuro e misterioso, fazendo com que eles não conseguissem compreender com clareza as suas palavras. Na verdade Jesus não falava de coisas misteriosas e nem em parábolas. Ele estava utilizando a alegoria do fermento para designar a soberba e hipocrisia dos fariseus e dos herodianos. Assim, ele os advertia a terem um cuidado muito especial em relação à hipocrisia e à soberba, dizendo-lhes: “Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes” (Mc 8, 15).
A advertência que Jesus fez aos seus discípulos era pertinente, embora, naquele momento eles não tenham compreendido bem a forma alegórica de Jesus falar. A imagem do fermento era, na verdade, uma alegoria já bem conhecida pelos apóstolos. E, como Jesus costumava falar em parábolas, os discípulos deviam ter feito um esforço de inteligência para interpretar esta alegoria do fermento, Por certo, na fabricação do pão, o fermento era uma coisa boa; fazendo com que o pão crescesse e aumentasse de volume, a partir de dentro. Neste sentido, o fermento se equiparava ao orgulho e à hipocrisia, visto que estes vícios costumam entumecer e inchar o coração do homem. Neste sentido ele seria um mal tremendo! Por isso, Jesus utilizou-se da imagem do fermento para designar os efeitos maléficos e devastadores do orgulho e da hipocrisia no coração dos homens bons. Pois, a soberba unida à hipocrisia tornariam o homem obstinado e presunçoso. Por isso, este fermento tem o poder de perverter e corromper as melhores pessoas, transformando-as em pessoas iníquas e perversas. Por este motivo, Jesus advertia os seus apóstolos, sobre esta peste, dizendo: “Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes” (Mc 8, 15).
Pois, caros irmãos, era justamente a soberba, a vanglória, a presunção, a prepotência, a hipocrisia e todas as suas consequência, que transformavam o homem justo numa pessoa iníqua. Este maldito fermento tinha o poder de transformar um homem bom num malfeitor; um santo, num perverso! E foi exatamente isso que aconteceu com toda a humanidade, quando Deus se sentiu profundamente desapontado e magoado, ao perceber que o ser humano, sua mais amada criatura, preferiu abandoná-lo, deixando-se corromper pelo fermento da iniquidade. Ele percebeu que fermento da maldade havia pervertido e corrompido toda a humanidade. Assim sendo, “o Senhor viu que havia crescido a maldade do homem na terra, e como os projetos do seu coração tendiam sempre para o mal. Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem na terra e ficou com o coração muito magoado” (Gn 6, 6).
Deus, então, decidiu exterminá-la, visto que a humanidade se obstinara no mal, encontrando-se totalmente embriagada no vício e no fermento da soberba, e em toda sorte de iniquidades! Então Deus disse a Noé: “Vou exterminar da face da terra o homem que criei; e com ele, os animais, os répteis e até as aves do céu, pois estou arrependido de os ter feito” (Gn 6, 7) E assim, somente Noé foi salvo, por ter sido encontrado na justiça e no temor a Deus, isento do mal, e de não ter se deixado contaminar pelo fermento maligno da soberba e da hipocrisia.
Portanto, caros irmãos, um ótimo remédio contra a iniquidade da soberba e da hipocrisia seria, com certeza, a sinceridade e a humildade. Então, caros irmãos, colocando-nos diante de Deus com um coração contrito e humilde, com certeza o Senhor haverá de perdoar os nossos pecados, fazendo com que a nossa adoração e o nosso culto a Deus se tornem agradáveis a ele; como disse o profeta: “Filhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! Dai-lhe a glória devida ao seu nome; É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre! Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo” (Sl 28, 1-2; 10-11)!
Pois, caros irmãos, somente aqueles que amam a Deus e guardam a sua palavra, conseguirão afastar-se de toda iniquidade, tornando-se, assim, digna morada do Senhor, como disse Jesus: “Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos” (Jo 14 ,2).
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