

Caríssimo, tu me tens seguido fielmente no ensino, no procedimento, nos projetos, na fé, na paciência, no amor, na perseverança, nas perseguições e nos sofrimentos que suportei em Antioquia, lcônio e Listra. E que perseguições sofri! Mas de todas elas o Senhor me livrou. Aliás, todos os que quiserem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus, serão perseguidos. Os homens maus e sedutores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra.
Tantos são os que me afligem e perseguem, mas eu nunca deixarei vossa Aliança! Vossa palavra é fundada na verdade, os vossos justos julgamentos são eternos. Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei. Os que amam vossa lei têm grande paz, e não há nada que os faça tropeçar. Ó Senhor, de vós espero a salvação, pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos. Serei fiel à vossa lei, vossa Aliança; os meus caminhos estão todos ante vós.
Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará e a ele nós viremos.
Naquele tempo, Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é f ilho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje quer reavivar em nós a nossa fé em Jesus Cristo, professando-o como o nosso Senhor e Deus; reconhecendo-o como aquele que é o nosso Redentor e o nosso único Salvador! Porém, acreditar na Divindade de Jesus e anunciar esta verdade, frequentemente elas provocam hostilidades e perseguições da parte dos ímpios e incrédulos. Por isso, dizia Paulo a Timóteo: “Todos os que quiserem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus, serão perseguidos” (2Cor, 3, 10).
No Evangelho que acabamos de ouvir, encontramos Jesus Cristo no Templo de Jerusalém, anunciando o seu Evangelho a todo o povo de Israel, que lá estava para celebrar a Páscoa. Pois, dentro de poucos dias aconteceria a grande celebração da Páscoa judaica. Por isso, vendo aquela multidão de pessoas no Templo, Jesus se pôs a pregar aquele tema mais sublime e também o mais controverso de seu Evangelho. Pois, desde que havia chegado em Jerusalém, Jesus pregava abertamente que ele era o Messias e filho de Davi, na condição de Senhor e Filho de Deus! Todos deveriam acreditar, com fé verdadeira e sincera, que este homem Jesus, que estava dirigindo-lhes a palavra, era verdadeiramente o Senhor, constituído da mesma natureza divina de Deus Pai. Por isso, ele dizia: “Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará e a ele nós viremos” (Jo 14, 23).
Porém, ao se apresentar como Senhor e Deus Jesus acabou dividindo o povo judeu em dois grupos. De um lado estavam as multidões dos fiéis judeus e os seus discípulos que acreditavam ser ele realmente o Messias e Filho de Deus; pois, “estes o escutavam com grande prazer” (Mc 12, 37). Por outro lado, havia o grupo das autoridades religiosas judaicas, formada pelos sumos sacerdotes, pelos chefes do povo, pelos mestres da Lei e pelos fariseus, que se mostravam céticos diante da pregação de Jesus, combatendo-o e perseguindo-o, acusando-o de blasfêmia. E estes homens, por inveja, odiavam a Jesus e tramavam a sua morte (Cfr. Mc 12, 12-13)!
Por isso, para não aguçar ainda mais este ódio dos seus inimigos contra si mesmo, Jesus procurava amenizar a sua pregação, sem deixar de dizer toda a verdade! Por isso, ele passou a chamar em causa os antigos profetas e o próprio rei Davi, para testemunhar em seu favor, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho” (Mc 12, 35-37)? As multidões que ouviam isto, acolhiam a sua palavra com grande alegria; porém, os seus adversários obstinavam-se sempre mais na sua incredulidade e na sua impiedade!
O Rei Davi, em sua oração, cheio de aflição e angústia dizia a Deus que ele era frequentemente hostilizado pelos ímpios, sobretudo quando ele se punha a praticar fielmente a Palavra de Deus e os seus preceitos. Mas ele confiava em Deus e depositava a sua vida em suas mãos, pois haveria de obter dele a proteção e a sua salvação, dizendo: “Tantos são os que me afligem e perseguem, mas eu nunca deixarei vossa Aliança! Vossa palavra é fundada na verdade, os vossos justos julgamentos são eternos. Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei” (Sl 118, 159-161).
São Paulo, na sua carta endereçada ao seu companheiro Timóteo, fez-lhe uma série de elogio sobre a sua elevada perfeição de vida, declarando-o como um autêntico discípulo de Cristo e imitador do seu modo de vida. E ele lembrou ainda, que Timóteo o havia acompanhado em tudo com muita coragem, sem se deixar intimidar diante das tribulações e das perseguições, dizendo-lhe: “Caríssimo, tu me tens seguido fielmente no ensino, no procedimento, nos projetos, na fé, na paciência, no amor, na perseverança, nas perseguições e nos sofrimentos que suportei em Antioquia, lcônio e Listra. E que perseguições sofri! Mas de todas elas o Senhor me livrou. Aliás, todos os que quiserem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus, serão perseguidos. Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste” (2Tm 3, 10-14) .
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