

Caríssimo, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina. Pois vai chegar o tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas, com o prurido da curiosidade nos ouvidos, se rodearão de mestres ao sabor de seus próprios caprichos. E assim, deixando de ouvir a verdade, se desviarão para as fábulas. Tu, porém, mostra vigilância em tudo, suporta o sofrimento, desempenha o teu serviço de pregador do evangelho, cumpre com perfeição o teu ministério. Sê sóbrio. Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.
Vosso louvor é transbordante de meus lábios, cantam eles vossa glória o dia inteiro. Não me deixeis quando chegar minha velhice, não me falteis quando faltarem minhas forças! Eu, porém, sempre em vós confiarei, sempre mais aumentarei vosso louvor! Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. Cantarei vossos portentos, ó Senhor, lembrarei vossa justiça sem igual! Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas. Então, vos cantarei ao som da harpa, celebrando vosso amor sempre fiel; para louvar-vos tocarei a minha cítara, glorificando-vos, ó Santo de Israel!
Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Naquele tempo, Jesus dizia, no seu ensinamento, à multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje se dirige de modo especial àquelas pessoas que aceitaram o chamado do Senhor para serem os seu ministro da Palavra e pregador do seu Evangelho. Por isso, a Liturgia da Palavra faz um especial apelo aos sacerdotes e aos bispos da Igreja Católica, para que exerçam o ministério da Palavra com toda humildade, retidão de vida e honestidade, ensinando a sã doutrina do Evangelho de Cristo!
São Paulo fez este apelo a todos os ministros da Palavra, mediante a sua carta dirigida ao bispo Timóteo, seu fiel discípulo, dizendo: “Caríssimo, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina” (2Tm 4, 1-2).
A seguir, o apóstolo Paulo elencou diversas atitudes que deveriam ser as características de um bom ministro da Palavra na Igreja de Deus, dizendo: “Tu, porém, mostra vigilância em tudo, suporta o sofrimento, desempenha o teu serviço de pregador do evangelho, cumpre com perfeição o teu ministério. Sê sóbrio” (2Tm 4, 5). E por fim, ele completou as suas recomendações, dando a todos os ministros da Palavra o seu testemunho pessoal, mostrando que ele perseverou firme até o fim, na expectativa de receber, em breve, a coroa da glória, dizendo: “Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” (2Tm 4, 6-8).
No Evangelho que ouvimos, encontramos Jesus Cristo dentro do Templo de Jerusalém, instruindo os seus discípulos. Naquele momento, ele os exortava a fazerem os seus exercícios de piedade, as suas obras de misericórdia e as suas esmolas, mantendo-se sempre numa conduta de vida honesta, humilde e justa. Pois Deus, segundo as palavras de Jesus, abominava aquela falsa piedade daqueles ministros de Deus que se mostram soberbos e hipócritas! Portanto, Jesus alertava os seus discípulos a se precaverem diante da hipocrisia, do fingimento, da vanglória e da falsa piedade dos escribas e dos fariseus, dizendo: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação” (Mc 12, 38-40).
Depois de ter dito isto, “Jesus, que estava sentado no templo, diante do cofre das esmolas, ele observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada” (Mc 12, 41-42). E logo a seguir, discretamente, Jesus fez um breve comentário aos discípulos, demonstrando-lhes como Deus avaliava tais ofertas. Pois, Deus não levava em conta a quantidade de dinheiro oferecido, mas olhava o coração, considerando a sua generosidade e a sua humildade. Então, Jesus disse aos discípulos: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver” (Mc 12, 43-44).
E, aproveitando-se deste fato, Jesus recordou aos seus discípulos um de seus melhores ditados evangélicos, no qual ele dizia: “Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3). Pois, o que mais agrada ao Senhor Jesus Cristo é ver os dispensadores do seu Evangelho se mostrarem humildes de coração e generosos em servi-lo. Fazendo as coisas deste modo, os pregadores da Palavra abririam o caminho de salvação para todos aqueles que receberiam a sua Palavra, e eles mesmos iriam à sua frente, caminhando pressurosos ao Reino dos céus!
Deste modo, caros irmãos, os ministros da Palavra de Deus estariam sempre dispostos a anunciar o Evangelho do Senhor e cantar os seus louvores, dizendo: “Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. Cantarei vossos portentos, ó Senhor, lembrarei vossa justiça sem igual! Então, vos cantarei ao som da harpa, glorificando-vos, ó Santo de Israel” (Sl 70, 15-16; 22)!
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