

Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido por amor; exultará por ti, entre louvores, como nos dias de festa. Afastarei de ti a desgraça, para que nunca mais te cause humilhação”.
Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação. E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, dentre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime. Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”
És feliz porque creste, Maria, pois em ti a Palavra de Deus vai cumprir-se, conforme ele disse.
Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu”. Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.
Caríssimos irmãos e irmãs. Salve Maria! Hoje celebramos a festa litúrgica da visitação da Virgem Maria à sua prima Santa Isabel. Na Liturgia da Palavra que acabamos de ouvir, nos foi apresenta Maria santíssima, a mãe de Jesus, como modelo de caridade, por ter se colocado como a humilde serva – portando em seu seio o Menino-Deus -, pondo-se a serviço de sua prima Isabel, que estava grávida de seu filho João Batista.
A Liturgia, no entanto, pretende ressaltar acima de tudo a visita do Senhor Jesus Cristo – que estava no seio de Maria – à família do seu primo e profeta João Batista, que se encontrava no seio de sua mãe Isabel! Embora o encontro acontecesse entre Maria e Isabel, o próprio Evangelista deixou bem claro que o personagem central nesta visita era o Menino Jesus – o Senhor e Filho de Deus – que estava no seio da Virgem Maria. Por isso, Isabel, ao saudar Maria, a homenageou com aquela mais sublime e honrosa saudação, chamando-a de “Mãe de Deus”; quando lhe disse: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar” (Lc 1, 43)?
Logo no início da sua narrativa, Lucas evidenciou o reconhecimento de Jesus como Senhor e Filho de Deus, visto à luz da fé, tanto por parte de Isabel, quanto por parte de seu filho João, que estava em seu seio, reconheceram que Jesus era, verdadeiramente, o Senhor! Ambos demonstraram que estavam muito felizes por estarem na presença do Senhor, que os estava visitando! Por isso, o Evangelista apresentou o testemunho de fé de Isabel e de João Batista com expressões muito fortes, com demonstrações de grande alegria e exultação mística; dizendo: “Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu’” (Lc 1, 39-45).
Então, cheia do Espírito Santo, e impregnada pelos mesmos sentimentos de júbilo daquele momento tão sublime, Maria expressou a sua saudação à Isabel por meio de um cântico de louvor, demonstrando, assim, toda a sua humilde fé e a sua imensa alegria mística por ter sido digna de trazer em seu seio o Deus Salvador; dizendo: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1, 46-49).
Maria, portanto, manifestou em seu cântico profético que o Senhor Jesus – aquele que estava ali presente em seu seio -, estaria visitando não apenas aquela piedosa família de judeus, a família de Zacarias, Isabel e João Batista, mas também ele estava visitando todo o povo de Israel. Pois, naquela sua visita, Jesus estaria cumprindo antigas promessas de visitar os Patriarcas e todo o Povo de Israel, como haviam prometido os antigos profetas. Por isso, Maria concluiu o seu cântico, dizendo: “Pois ele socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre” (Lc 1, 54-55).
Neste mesmo sentido, parece que o profeta Isaías tenha sido agraciado de poder antever aquele momento tão extraordinário, ao ponto de unir a sua voz profética às palavras de Isabel e de Maria, junto com todo o Povo de Israel, para professarem todos juntos a sua fé no Senhor e Salvador Jesus Cristo, dizendo-lhe: “Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação. Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel” (Is 12, 2-3; 6).
E, ao lado de Isaías, o profeta Sofonias levantou a sua voz num hino de louvor ao Senhor que, finalmente, viera visitar Sião, a cidade de Jerusalém, cantando: “Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva” (Sf 3, 14-17).
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