

Aos arrependidos Deus concede o caminho de regresso, e conforta aqueles que perderam a esperança, e lhes dá a alegria da verdade. Volta ao Senhor e deixa os teus pecados, suplica em sua presença e diminui as tuas ofensas. Volta ao Altíssimo, desvia-te da injustiça e detesta firmemente a iniquidade. Conhece a justiça e os juízos de Deus e permanece constante no estado em que ele te colocou, e na oração ao Deus altíssimo. Anda na companhia do povo santo, com aqueles, que vivem e proclamam a glória de Deus. Não te demores no erro dos ímpios, louva a Deus antes da morte; o morto, como quem não existe, já não louva. Louva a Deus enquanto vives; glorifica-o enquanto tens vida e saúde. louva a Deus e glorifica-o nas suas misericórdias. Quão grande é a misericórdia do Senhor, e o seu perdão para com todos aqueles que a ele se convertem!
Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade! Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: “Eu irei confessar meu pecado!” E perdoastes, Senhor, minha falta. Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais. Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós.
Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos mediante sua pobreza.
Naquele tempo, quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele, e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!” Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos faz um forte e insistente apelo de conversão! Deste modo, se nos voltássemos decididamente para Cristo, o Senhor e Salvador, nós teríamos, certamente, disposição para romper com o pecado e com o apego aos bens materiais. Fazendo isto, estaríamos prontos para lançar-nos numa caminhada penitencial de salvação, como disse o sábio profeta! “Pois, grande é a misericórdia do Senhor, e o seu perdão para com todos aqueles que a ele se convertem” (Eclo 17, 28)!
Salomão, nesta passagem do Livro do Eclesiástico, tinha a intenção de nos exortar ao arrependimento de nossos pecados, e, assim, estimular-nos a buscar, com novo ânimo, a nossa conversão e a nossa salvação. Esta proposta era simplesmente encantadora! Pois, as palavras que ele usou para nos convencer ao arrependimento eram muito convincentes. Parecia que era o próprio Deus falando! Com toda delicadeza e com toda firmeza, como um pai exorta o filho a repensar nas suas atitudes insensatas, para retornar ao bom caminho. Aí, então, disse o sábio profeta: “Aos arrependidos Deus concede o caminho de regresso, e conforta aqueles que perderam a esperança, e lhes dá a alegria da verdade. Volta ao Senhor e deixa os teus pecados, suplica em sua presença e diminui as tuas ofensas. Volta ao Altíssimo, desvia-te da injustiça e detesta firmemente a iniquidade. Quão grande é a misericórdia do Senhor, e o seu perdão para com todos aqueles que a ele se convertem” (Eclo 17, 20-23; 28)!
Portanto, caros irmãos, o pecador arrependido, que vai ao encontro do Senhor suplicando-lhe a sua misericórdia, poderia ficar certo de que não sairia decepcionado! Muito ao contrário, o Senhor misericordioso lhe daria prontamente o seu perdão, purificando-o de todos os seus pecados. Aí, então, uma vez justifica e santificado, ele poderia cantar ao Senhor, louvando-o e bendizendo-o com as seguintes palavras: “Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade! Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: ‘Eu irei confessar meu pecado!’ E perdoastes, Senhor, minha falta. Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição” (Sl 31, 1-2;5-6). E, uma vez tendo feito esta oração, o fiel penitente que foi justificado de seus pecados, poderia dar o seguinte testemunho, dizendo: “Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição. Sois para mim, ó Senhor, proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós” (Sl 31, 6-7).
No Evangelho que ouvimos, foi-nos dito que um jovem rico se aproximou de Jesus, ajoelhou-se diante dele, fazendo-lhe a seguinte pergunta:“Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna” (Mc 10, 17)? Jesus, imediatamente lhe respondeu, dizendo: “‘Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!’ Ele respondeu: ‘Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude'” (Mc 10, 19-20). Ou seja, conforme as palavras de Jesus, foi dito claramente que a condição para se alcançar a salvação eterna bastaria evitar de cometer qualquer pecado grave, observando os Dez Mandamentos.
Porém, Jesus sabendo que este fiel judeu era rico, fez-lhe uma proposta desafiadora.“Então, Jesus olhou para ele com amor, e disse: ‘Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me'” (Mc 10, 21)! Na verdade, caros irmãos, esta renúncia dos bens tinha dupla finalidade: A primeira era evitar as inúmeras ocasiões de pecado que as riquezas costumam provocar. E a segunda, consistia em estimulá-lo à esperança da salvação, para tomar posse dos tesouros eternos e espirituais, que seriam dados por Deus no Reino dos céus, em lugar das riquezas terrenas. Pois, “o nosso Senhor Jesus Cristo, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos mediante a sua pobreza” (2Cor 8, 9).
Entretanto, o jovem rico, desapontado e triste, preferiu deixar tudo, inclusive a sua salvação, em favor de seus bens materiais. Diante desta atitude decepcionante, Jesus declarou: “‘Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!’ Os apóstolos ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: ‘Então, quem pode ser salvo?’ Jesus olhou para eles e disse: ‘Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível'” (Mc 10, 23; 25-27).
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