

Caríssimo, lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos, segundo o meu evangelho. Por ele eu estou sofrendo até às algemas, como se eu fosse um malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada. Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação, que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo. Lembra-lhes tais coisas e conjura-os por Deus a evitarem discussões vãs, que de nada servem a não ser para a perdição dos ouvintes. Empenha-te em apresentar-te diante de Deus como homem digno de aprovação, como operário que não tem de que se envergonhar, mas expõe corretamente a palavra da verdade.
Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação. O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho. Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.
Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis.
Naquele tempo, um mestre da Lei, aproximou-se de Jesus e perguntou-lhe: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”. O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.
Caríssimos irmãos e irmãs! Na Liturgia da Palavra de hoje nós somos instruídos pelo Senhor nosso Deus no caminho da vida e da salvação; que consiste em observar os Dez Mandamentos e imitar o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Como dizia o profeta Davi: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação” (Sl 24, 4-5).
Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, confirmou o antigo Decálogo da Lei divina, como norma de vida fundamental para todos os homens que quisessem servir ao Senhor de todo coração. Em relação a este assunto, Jesus não deu aos seus discípulos outra norma de conduta que mais agradasse a Deus do que a dupla Lei do Amor – ou seja, a Lei do amor a Deus e do amor ao próximo -; cujo amor, por certo, deveria ser praticado sempre em perfeita harmonia com os Dez Mandamentos da Lei de Deus! E Jesus Cristo acrescentou ainda, que homem nenhum conseguiria herdar o Reino dos céus se ele não se aplicasse à Lei do Amor, observando os Dez Mandamentos. Assim, os Dez Mandamentos sob a luz do preceito do amor se tornam o verdadeiro caminho de salvação, para se alcançar o Reino de Deus!
Isto tudo nos foi ensinado pelo nosso Senhor Jesus Cristo. Eis que, num certo dia, um mestre da Lei aproximou-se de Jesus e lhe perguntou a respeito dos mandamentos da Lei de Deus, Jesus, então, lhe respondeu do seguinte modo: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes” (Mc 12, 29-31).
E, depois de ter lhe respondido tão bem, o mestre da Lei, mostrando-se feliz com a resposta de Jesus, acabou confirmando tudo aquilo que Jesus havia dito. Em resposta, Jesus elogiou o mestre da Lei que tinha as mesmas convicções de Jesus, em relação à Lei de Deus, e lhe disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus” (Mc 12. 34). Jesus, portanto, com estas palavras, estabeleceu uma estreita conexão entre a observância dos mandamentos divinos e a salvação eterna! Pois, neste caso, quem praticasse de boa mente os preceitos divinos, preservaria a si mesmo na justiça e santidade, tornando-se, assim, merecedor de entrar no do Reino de Deus! E para reforçar esta afirmação de Jesus, o profeta Davi declarou em seus hinos de louvor, dizendo: “Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho. Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos” (Sl 24, 5; 9-10;)!
Com estas palavras tão repletas de sabedoria e de santidade, Jesus Cristo abriu-nos o caminho de salvação. Ele foi à nossa frente, destruindo o mal e a morte! Afim de nos introduzir no seu reino de vida eterna, como disse o Apóstolo: “Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis” (2Tm 1, 10).
São Paulo, em sua carta a Timóteo, disse que a principal norma de conduta que ele daria aos cristãos, seria, simplesmente, que todos procurassem imitar a Jesus Cristo! Assim como ele aplicava a si mesmo esta norma de conduta, ele exortava a todos os cristãos a fazerem o mesmo: imitarem Jesus Cristo em tudo aquilo que fosse possível! Pois, todos aqueles que imitassem a Cristo em tudo, permaneceriam firmes na fé e no caminho de salvação, aplicando perfeitamente o Evangelho do Senhor e os preceitos divinos; conforme as palavras de Paulo, que disse: “Lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos, segundo o meu evangelho. Por ele eu estou sofrendo até às algemas, como se eu fosse um malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada. Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação, que está em Cristo Jesus, com a glória eterna” (2Tm 2, 8-10).
E para completar estas suas determinações, que estavam na base de seu Evangelho, Paulo declarou: “Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2, 11-13). E, finalmente, estas palavras de Paulo foram confirmadas pelo profeta Davi, que disse: “O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho” (Sl 24, 8-9).
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