

Assim fala a Sabedoria de Deus: “O Senhor me possuiu como primícia de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra. Fui gerada quando não existiam os abismos, quando não havia os mananciais das águas, antes que fossem estabelecidas as montanhas, antes das colinas fui gerada. Ele ainda não havia feito as terras e os campos, nem os primeiros vestígios de terra do mundo. Quando preparava os céus, ali estava eu, quando traçava a abóbada sobre o abismo, quando firmava as nuvens lá no alto e reprimia as fontes do abismo, quando fixava ao mar os seus limites – de modo que as águas não ultrapassassem suas bordas – e lançava os fundamentos da terra, eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, brincando na superfície da terra, e alegrando-me em estar com os filhos dos homens”.
Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Contemplando estes céus que plasmastes e formastes com dedos de artista; vendo a lua e estrelas brilhantes, perguntamos: “Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?” Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes. as ovelhas, os bois, os rebanhos, todo o gado e as feras da mata; passarinhos e peixes dos mares, todo ser que se move nas águas.
Irmãos: Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Divino, ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste Domingo, no qual celebramos a solene festa da Santíssima Trindade, nos revela um dos mistérios mais importantes da nossa religião cristã. Ela nos ensina que o Deus verdadeiro, o Senhor e Criador de todas as coisas, é um Deus único e ao mesmo tempo trino, composto de três pessoas divinas chamadas de Pai, de Filho e do Espírito Santo!
Esta doutrina sobre o Deus Uno e Trino nos foi revelada por Jesus Cristo e, mais tarde, ela foi transmitida pelos Apóstolos. Assim, esta doutrina sobre a Santíssima Trindade se tornou, desde o começo, um dos fundamentos de nossa fé católica. Os dogmas sobre o Deus Uno e Trino da Santíssima Trindade nos revelam as verdades fundamentais sobre Deus, no qual se crê que o Pai Eterno, o Todo-Poderoso e Criador do céu e da terra, é Deus! Que Jesus Cristo, o Filho Unigénito, Salvador e Redentor, é Deus! E que o Espirito Santo, o santificador que procede do Pai e do Filho, é Deus! Portanto, conforme o Credo da Igreja Católica, nós cremos num só Deus em Três Pessoas, que chamamos de Santíssima Trindade! Por isso, prestamos um culto de adoração e de louvor ao Deus Uno e Trino, dizendo: “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Divino, ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém” (Ap 1, 8).
Os termos “Santíssima Trindade”, que utilizamos para designar as Três Pessoas divinas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não foram formulados por Jesus Cristo e nem pelos apóstolos. Estes termos surgiram mais tarde, nos primeiros tempos da Igreja, com o surgimento das controvérsias cristológicas, durante o IV e o V século, quando se definiu dogmaticamente a doutrina sobre a divindade de Jesus e a natureza divina das três pessoas da Santíssima Trindade. Neste caso, todos os santos Padres da Igreja que definiram a fé católica, professavam a sua fé, dizendo que: Jesus Cristo era o Deus Filho; o Pai Eterno era o Deus Pai; e o Espírito Santo era o Espírito do Deus vivo! Tendo chegado a esta fé em Deus, os santos Padres da Igreja entenderam que seria necessário criar um termo que designasse estas três pessoas divinas. Por isso, no Concílio de Constantinopla, em 381, os santos Padres ali reunidos, concordaram em chamar as Três Pessoas Divinas de: “Santíssima Trindade”!
Entretanto, Jesus Cristo tinha o seu modo bem peculiar de ensinar os mistérios divinos, sem fazer uso de termos técnicos criados pelos teologia e pelos santos Padres, para exprimir a sua doutrina sobre Deus. Por isso, Jesus Cristo nos revelou a Santíssima Trindade, designando-a do seguinte modo: “Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu” (Jo 16, 13-15). Portanto, ao fazer uma referência às três pessoas da Santíssima Trindade, Jesus dizia que o Espírito Santo provinha tanto do Pai quanto do Filho! Assim, os três juntos eram, verdadeiramente, um só Deus em três pessoas divinas, formando a tal da Santíssima Trindade!
São Paulo também revelou o mistério da Santíssima Trindade de um modo bem semelhante ao de Cristo, dizendo: “Irmãos: Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 1-2; 5).
Em todo caso, caros irmãos, lá no Antigo Testamento o sábio profeta do Livro dos Provérbios, ao revelar a Sabedoria de Deus, ele a apresentou com uma expressão personificada do pensamento divino, dando a entender esta “Sabedoria de Deus” fosse um ser divino gerado por Deus. Por isso, ele disse: “Assim fala a Sabedoria de Deus: ‘O Senhor me possuiu como primícia de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra. Fui gerada quando não existiam os abismos. Quando preparava os céus, ali estava eu, quando traçava a abóbada sobre o abismo, eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença”‘ (Pr 8, 22-24; 27; 30). Nestas palavras do profeta foi-nos revelado o Deus Pai Criador e o seu Filho, a Sabedoria por ele gerada.
Deste modo, caros irmãos, vendo as obras do Deus Criador, que é o Deus Uno e Trino, ficamos extasiados diante das maravilhas de sua criação. Por isso, o louvamos, dizendo: “Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Contemplando estes céus que plasmastes e formastes com dedos de artista” (Sl 8, 2; 4)!
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