

Naqueles dias, depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou aos apóstolos e anciãos: “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu do vosso meio para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e acreditassem. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé. Então, por que vós agora colocais Deus à prova, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos tivemos força para suportar? Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos, exatamente como eles”. Houve então um grande silêncio em toda a assembleia. Depois disso, ouviram Barnabé e Paulo contar todos os sinais e prodígios que Deus havia realizado, por meio deles, entre os pagãos. Quando Barnabé e Paulo terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: “Irmãos, ouvi-me: Simão acaba de nos lembrar como, desde o começo, Deus se dignou tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu nome.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável pois os povos ele julga com justiça.
Minhas ovelhas escutam minha voz; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”.
Caríssimos discípulos e discípulas do Senhor Ressuscitado! A Liturgia da Palavra de hoje nos garante que a Salvação de nosso Senhor Jesus Cristo foi dada a todos os povos e a todos os homens, quer sejam eles judeus ou pagãos. E esta salvação foi dada a todos aqueles que se convertessem ao Senhor e Salvador Jesus Cristo e acolhessem a graça da purificação de seus pecados. Assim, pela fé e pelo amor a Jesus Cristo, o Redentor e o Salvador, estas pessoas se tornariam seus fiéis discípulos e membros de sua Igreja!
Embora a pregação do Evangelho de Jesus fosse destinada a toda a humanidade, e não apenas aos judeus, Jesus Cristo não tinha deixado bem claro este caráter universal de sua doutrina, por tê-la pregado somente aos judeus, e ter realizado a sua obra missionário somente em território judaico, nas regiões da Galileia, da Samaria e da Judeia. Mesmo que Jesus, depois da ressurreição, tenha enviado os apóstolos a anunciar o seu Evangelho ao mundo inteiro; entretanto, nos primeiros tempos, eles pregaram o Evangelho apenas aos judeus que habitavam em território judaico ou aos judeus da diáspora. Posteriormente, num segundo momento, alguns apóstolos começaram a pregar o Evangelho de Cristo aos pagãos; obtendo, assim, as primeiras conversões entre os gentios.
Aí, então, esta questão começou a ser discutida, despertando uma grande controvérsia nas comunidades cristãos vindas do judaísmo; inclusive alguns apóstolos compartilhavam, a certo modo, esta opinião. Pois, muitos deste partido achavam que Jesus teria vindo apenas para os judeus. Estes cristãos, vindos do judaísmo, eram de opinião de que o Evangelho deveria ser anunciado apenas aos judeus. E se, por acaso, algum pagão se convertesse, ele deveria, primeiramente, se tornar judeus – praticando a circuncisão – e somente depois, num momento seguinte, ele seria batizado para se tornar cristã. Estes cristãos que defendiam tal opinião foram chamados, mais tarde, de judaizantes.
Mesmo que Jesus tivesse feito a sua obra de evangelização apenas em território judaico, na verdade, Jesus jamais havia dito que a sua vinda a este mundo e o seu Evangelho de salvação fossem destinados apenas os judeus. Jamais ele havia dito isto! Além do mais, segundo Jesus Cristo, bastava que os seus discípulos permanecessem firmes na fé, na esperança e no amor ao Senhor e Salvador Jesus Cristo, para fazerem parte de sua Igreja e obterem as graças da redenção e da salvação. Davi, em seu hino de louvor ao Salvador de todos os homens, profetizava a respeito da salvação universal de Jesus, dizendo: “Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios” (Sl 96, 2-3)!
Portanto, Jesus Cristo ofereceu a sua redenção e a sua salvação à toda a humanidade, tanto aos judeus quanto aos pagãos! Por isso, Quando Jesus disse aos seus discípulos: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor” (Jo 10, 9); Jesus não estava falando apenas aos judeus mas a todos os homens do mundo inteiro. A sua mensagem de amor e de salvação era destinada a toda a humanidade, de todos o lugares e de todos os tempos! E para confirmar isto, o Senhor nosso, Jesus Cristo, logo acrescentou: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” (Jo 15, 10-11). Portanto, Jesus sempre deixou claro em sua pregação que as ovelhas do seu rebanho teriam as mais diversas origens, podendo ser judeu ou de qualquer outro povo. Visto que, segundo as palavras de Jesus: “minhas ovelhas escutam minha voz; eu as conheço e elas me seguem, comigo a caminhar onde eu estiver” (Jo 10, 27).
Entretanto, pouco tempo depois, dentro das comunidades cristãs as coisas chegaram a um tal clima de desentendimento e discórdia, que foi necessário convocar todas as autoridades da Igreja – os Apóstolos e os Presbíteros – para tomar posição sobre esta questão. “Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se em Jerusalém, para tratar desse assunto” (At 15, 6).
Então, uma vez ali reunidos, deixando-se iluminar pelo Evangelho de Cristo e pelas luzes do Espírito santo, deram início aos debates. Então, “depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou aos apóstolos e anciãos: ‘Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu do vosso meio para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e acreditassem. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé. Então, por que vós agora colocais Deus à prova, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos tivemos força para suportar? Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos, exatamente como eles’” (At 15, 7-11).
Deste modo, caros irmãos, naquele concílio de Jerusalém foi deliberado pelos apóstolos e anciãos que a fé da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo não fora destinada apenas aos judeus, mas também fora oferecida aos pagãos. A partir deste Concílio ficou estabelecido que tanto a fé, quanto o Evangelho de Cristo e a sua obra de redenção e de salvação tinham sido destinados por Deus a todos os homens de todo o mundo e de todos os tempos. E assim, Simão Pedro, como chefe da Igreja, decretou: “É pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos” (At 15, 6). E o Apóstolo Tiago, confirmando as palavras de Pedro, acrescentou: “Deus se dignou tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu nome. Por isso, sou do parecer que devemos parar de importunar os pagãos que se convertem a Deus” (At 15, 14; 19). Portanto, a fé da Igreja seria, a partir deste concílio apostólico, necessariamente, universal e católica!
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