

Assim fala o Senhor: “Ai de ti, rebelde e desonrada, cidade desumana. Ela não prestou ouvidos ao apelo, não aceitou a correção; não teve confiança no Senhor, nem se aproximou de seu Deus. Darei aos povos, nesse tempo, lábios purificados, para que todos invoquem o nome do Senhor e lhe prestem culto em união de esforços. Desde além-rios da Etiópia, os que me adoram, os dispersos do meu povo, me trarão suas oferendas. Naquele dia, não terás de envergonhar-te por causa de todas as tuas obras com que prevaricaste contra mim; pois eu afastarei do teu meio teus fanfarrões arrogantes, e não continuarás a fazer de meu santo monte motivo de tuas vanglórias. E deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres”. E no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel. Eles não cometerão iniquidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e repousarão, e ninguém os molestará.
Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia. Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.
Ó Raiz de Jessé, sinal das nações: oh, vinde livrar-nos, e não tardeis mais!
Naquele tempo, disse Jesus os chefes dos sacerdotes e anciãos do povo: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: `Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?’ Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo, que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje, neste tempo do advento, faz um contundente apelo para que nos animemos a entrar num itinerário de conversão e de aproximação de Deus, abandonando todo tipo de maldade. Por isso o Espírito Santo nos diz: “Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia. Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança” (Sl 33, 6-7; 17).
Assim sendo, com toda delicadeza e coragem, numa conversa muito franca entre Jesus Cristo e um grupo de chefes dos sacerdotes e anciãos do povo, Jesus advertia a estes homens de que eles também precisavam de conversão, para poder entrar no Reino dos céus. Embora, os pecados dos publicanos e das prostitutas fossem diferentes dos pecados dos chefes dos sacerdotes e anciãos do povo, por serem publicamente notórios, contudo, todos eles estavam com suas consciências manchadas por pecados graves – escondidos debaixo de uma máscara de hipocrisia – que os tornavam iníquos pecadores, impedidos de entrar no Reino de Deus.
Uma vez dito isto, Jesus deixou muito bem claro que estes homens honrados, por causa de sua obstinação e hipocrisia, tinham mais dificuldades de realizar um arrependimento sincero de seus pecados e de buscar uma autêntica conversão, pelo fato de que eles não reconhecerem os seus próprios pecados. Por isso, Jesus disse aos chefes dos sacerdotes e anciãos do povo: “Em verdade vos digo, que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (Mt 21, 31-32) .
Da mesma forma já advertia, em tempos antigos, o profeta Sofonias aos impenitente e presunçosos de Jerusalém: “Ai de ti, rebelde e desonrada, cidade desumana. Ela não prestou ouvidos ao apelo, não aceitou a correção; não teve confiança no Senhor, nem se aproximou de seu Deus. Naquele dia, não terás de envergonhar-te por causa de todas as tuas obras com que prevaricaste contra mim; pois eu afastarei do teu meio teus fanfarrões arrogantes, e não continuarás a fazer de meu santo monte motivo de tuas vanglórias.” (Sf 3, 1-2; 11).
Mas, ao mesmo tempo o profeta Sofonias oferecia-lhes uma palavra de alento e de conforto, dizendo que naquele tempo propício de conversão e de salvação – instaurado pelo Messias que haveria de vir – muitos se deixariam conduzir pela graça divina e, humildemente, se converteriam ao Senhor, dizendo-lhes: “Darei aos povos, nesse tempo, lábios purificados, para que todos invoquem o nome do Senhor e lhe prestem culto em união de esforços. E deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres”. E no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel. Eles não cometerão iniquidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e repousarão, e ninguém os molestará” (Sf 3, 9; 12-13).
Deste modo, caros irmãos, todos os pecadores justificados pelo poder redentor de Cristo deverão constantemente voltar os seu olhos para este divino Redentor, dizendo-lhe: “Ó Raiz de Jessé, sinal das nações: oh, vinde livrar-nos, e não tardeis mais” (Acl. ao Ev.)! E assim, estas almas benditas que viessem a se converter ao Senhor, poderiam, então, cantar, com toda piedade e alegria, o seguinte hino: “Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido” (Sl 33, 2-3; 18-19).
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