
Irmãos, admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o evangelho de Cristo. Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. Será que eu estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo. Irmãos, asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo.
Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! O Senhor se lembra sempre da Aliança. Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão. Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor.
Eu vos dou novo preceito: que vos ameis uns aos outros, como eu vos tenho amado.
Naquele tempo, Um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais’. E Jesus perguntou: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos declara que a salvação para a vida eterna – que nos foi proclamada pelo Evangelho de Cristo através dos apóstolos – está ao alcance de todos os homens, de todos os tempos e de todas as nações. Todos os homens poderão herdar a vida eterna, sob a condição de acreditarem e abraçarem firmemente o Cristo Senhor e o seu Evangelho, praticando com solicitude os mandamentos divinos, que consiste em amar a Deus e ao próximo como a si mesmo!
No Evangelho que acabamos de ouvir, vimos que Jesus, enquanto caminhava rumo a Jerusalém, foi abordado por um mestre da Lei que demonstrava grande preocupação pela sua própria salvação. Embora o Evangelista Lucas tenha dado a entender que as intenções do mestre da Lei não eram boas, contudo, o seu questionamento era válido e merecia uma boa resposta. Afinal de contas, o que devemos fazer para obter a salvação eterna! Na verdade, o mestre da Lei demonstrava uma grande curiosidade a respeito de um tema que Jesus andava tratando frequentemente em seus discursos; ou seja, o tema da salvação e da vida eterna! “Por isso, certo dia, um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: ‘Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna”’ (Lc 10, 25)?
Em resposta, Jesus, então lhe disse: “’O que está escrito na Lei? Como lês?’ Ele então respondeu: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!’ Jesus lhe disse: ‘Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás'” (Lc 10, 26-28). Portanto, segundo a vontade de Cristo, o nosso Salvador, Deus abriria, certamente, as portas da vida eterna a todos aqueles que cumprissem estes dois mandamentos da Lei de Deus – que resumiam os Dez Mandamentos do Decálogo -, que consistia no amor a Deus e ao próximo como a si mesmo!
E depois disto, o mestre da Lei quis obter de Jesus melhores explicações sobre o amor ao próximo, ao lhe fazer a seguinte pergunta: “E quem é o meu próximo” (Lc 10, 29)? Jesus, então, lhe respondeu contando uma parábola, na qual ele dizia que o próximo não seria apenas aquelas pessoas que estariam ao nosso lado e que estivessem convivendo conosco, mas, sobretudo, aquelas pessoas estranhas, que não conhecemos, mas necessitavam de algum auxílio ou de algum gesto de solidariedade e de misericórdia (Cfr. Lc 10, 30-37). E por fim, Jesus voltando-se aos seus discípulos, lhes indicou a si mesmo como modelo de conduta de vida, apresentando-se como exemplo de quem pautou a sua vida na lei do amor, praticando com perfeição o amor ao próximo, perseverando no caminho de salvação. E para confirmar isto, Jesus lhes disse: “Eu vos dou novo preceito: que vos ameis uns aos outros, como eu vos tenho amado” (Jo 13, 34).
Esta conexão tão estreita entre a salvação e os mandamentos da Lei de Deus, que deviam ser aplicados no amor a Deus e ao próximo, já estavam bem presentes nas profecias do rei Davi, quando ele dizia: “O Senhor se lembra sempre da Aliança. Suas obras são verdade e são justiça; seus preceitos são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos. Todos eles são realizados na verdade e retidão. Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre! Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor” (Sl 110, 5; 7-10)!
Por fim, caros irmãos, o apóstolo Paulo, na sua Carta aos Gálatas, confirmou esta doutrina de Cristo sobre a salvação. Porém, Paulo disse que, além da prática do amor a Deus e ao próximo, era necessário acreditar em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e permanecer fiel ao Evangelho de Cristo que foi anunciado pelos apóstolos, para obter a salvação eterna. Pois, todo aquele que se atrevesse a anunciar um evangelho diferente daquele que foi pregado pelos apóstolos seria sumariamente excomungado da Igreja e excluído da salvação, como disse Paulo: “Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. Irmãos, asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo” (Gl 1, 8-9; 11-12).
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