

Irmãos, como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: “No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri”. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação. Não damos a ninguém nenhum motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado. Mas em tudo nos recomendamos como ministros de Deus, com muita paciência, em tribulações, em necessidades, em angústias, em açoites, em prisões, em tumultos, em fadigas, em insônias, em jejuns, em castidade, em compreensão, em longanimidade, em bondade, no Espírito Santo, em amor sincero, em palavras verdadeiras, no poder de Deus, em armas de justiça, ofensivas e defensivas, em honra e desonra, em má ou boa fama; considerados sedutores, sendo, porém, verazes; como desconhecidos, sendo, porém, bem conhecidos; como moribundos, embora vivamos; como castigados, mas não mortos; como aflitos, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo muitos; como quem nada possui, mas tendo tudo.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
Vossa palavra é uma luz para os meus passos, e uma lâmpada luzente em meu caminho.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado”.
Caríssimos irmãos, na graça e na paz de nosso Senhor Jesus Cristo! A Liturgia da Palavra nos coloca diante de um dos aspectos originais e peculiares do Evangelho de Cristo, ao defender atitudes de mansidão e de “não-violência” diante do malvado e de pessoas agressivas e violentas. Jesus recomendava aos seus discípulos não serem vingativos, nem fazerem a justiça com as próprias mãos e não revidarem o mal com o mal! Pois, esta seria a hora de os discípulos do Senhor mostrarem o seu amor aos inimigos e tratarem o seus agressores com mansidão; entregando, assim, a sua causa nas mãos do Justo Senhor, quem tudo vê e a todos trata com justiça segundo as suas obras!
Ao falar sobre o quinto mandamento da Lei de Deus, apresentando-o em toda a sua amplitude, Jesus pretendia, com isso, reprimir todo tipo de violência e agressividade, sobretudo, aquela justa vingança, de revidar com a mesma moeda, retribuindo o mal com o mal! Além de reprimir qualquer atitude violenta e agressiva, Jesus quis, deste modo, promover as práticas pacíficas da cortesia, da urbanidade e da mansidão entre os próprios discípulos, dizendo-lhes: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado” (Mt 5, 38-2).
Acreditamos, caros irmãos, que a prática destes conselhos, relacionados ao quinto mandamento da Lei de Deus, têm sido um dos mais desafiadores e difíceis a serem praticados por aqueles que seguiam os preceitos e conselhos de Cristo. Mesmo que esta proposta de conduta evangélica pudesse, num primeiro momento, escandalizá-los e mexer com os seus brios, Jesus foi à frente, corajoso e altivo, dando-lhes o seu exemplo, praticando rigorosamente o que ele sempre ensinou e propôs aos seus discípulos. Por isso, este preceito evangélico de não revidar o mal com o mal tornou-se uma das máximas evangélicas de Jesus Cristo, que os seus discípulos procuraram aplicar em suas vidas com o máximo rigor. Com certeza os discípulos ficaram perplexos, num primeiro momento, ao ouvirem esta proposta de Jesus, pois a humanidade jamais tinha ouvido um semelhante conselho, quando o Senhor lhes disse: “Eu, porém, vos digo: não enfrenteis quem é malvado. Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5, 39)!
Os Apóstolos, por sua vez, deram um testemunho brilhante, quando foram confrontados e perseguidos pelos malvados. O apóstolo Paulo, embora falasse em nome próprio, deixou muito bem claro que os outros apóstolos passaram pelas mesmas tribulações e perseguições, mantendo uma conduta perfeitamente evangélica, dizendo: “Em tudo nos recomendamos como ministros de Deus, com muita paciência, em tribulações, em necessidades, em angústias, em açoites, em prisões, em tumultos, em fadigas, em insônias, em jejuns, em castidade, em compreensão, em longanimidade, em bondade, no Espírito Santo, em amor sincero, em palavras verdadeiras, no poder de Deus, em armas de justiça, ofensivas e defensivas, em honra e desonra, em má ou boa fama; considerados sedutores, sendo, porém, verazes” (2Cor 6, 4-8).
Diante desta vida atribulada, os Apóstolos aprenderam a relativizar os sofrimentos e não se deixar abater por tais coisas, mas, auxiliados pela graça divina, erguiam sua voz a Deus, depositando nele a sua causa, dizendo: “O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai ao Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai” (Sl 97, 2-4)! Deste modo, o Evangelho da mansidão e da paciência os levava, com maior impulso, a confiar em Deus, visto que, “a vossa palavra, Senhor, é uma luz para os meus passos, e uma lâmpada luzente em meu caminho” (Sl 118, 105).
WhatsApp us