

Irmãos, vós, que outrora éreis estrangeiros e inimigos pelas manifestas más obras, eis que agora Cristo vos reconciliou pela morte que sofreu no seu corpo mortal, para vos apresentar como santos, imaculados, irrepreensíveis diante de si. Mas é necessário que permaneçais inabaláveis e firmes na fé, sem vos afastardes da esperança que vos dá o evangelho, que ouvistes, que foi anunciado a toda criatura debaixo do céu e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.
Quem me protege e me ampara é meu Deus. Por vosso nome, salvai-me, Senhor; e dai-me a vossa justiça! Ó meu Deus, atendei minha prece e escutai as palavras que eu digo! Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta minha vida! Quero ofertar-vos o meu sacrifício de coração e com muita alegria; quero louvar, ó Senhor, vosso nome, quero cantar vosso nome que é bom!
Sou o Caminho, a Verdade e a Vida: ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. Então alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?” Jesus respondeu-lhes: “Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? Davi entrou na casa de Deus, pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães”. E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos diz que os Dez Mandamentos da Lei de Deus continuam sendo válidos e úteis à todos aqueles que foram justificados de seus pecados, pelo sangue de Cristo, para que perseverem na santidade e no caminho de salvação. Contudo, a Leis de Deus deve ser interpretada, praticada e ensinada como Jesus Cristo a interpretou, a praticou e a ensinou. Por isso, ele dizia: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida: ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14, 6)!
Jesus Cristo, como bom judeu, tinha em grande estima os mandamentos da Lei de Deus. Além disto, Jesus Cristo sendo Deus, fora ele mesmo quem outrora promulgara, lá no monte Sinai, os Dez Mandamentos; ensinando, assim, os nossos pais a se afastarem do pecado, observando a sua Lei. Por isso, assim como o Senhor nosso, Jesus Cristo, era um fiel observante da Lei, também ele ensinava os seus discípulos a observá-la. Entretanto, ele não era um cumpridor da Lei ao modo dos judeus do seu tempo, pois estes a interpretavam de forma insensata, rigorista e distorcida, do modo como faziam os fariseus e os mestres da Lei. Jesus, ao contrário, dizia que a Lei do Decálogo estava sujeita aos princípios do bom senso, da caridade e da justiça, para que as pessoas evitassem de cometer o pecado e vivessem de forma irrepreensível no caminho de salvação. Por isso, ele dizia aos seus discípulos: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida: ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14, 6). Portanto, a observância da Lei, conforme a vontade de Cristo, tinha como objetivo a salvação das pessoas, para que elas alcançassem a vida eterna!
No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus se serviu da polémica levantada pelos fariseus sobre o sábado para ensinar aos seus discípulos o modo correto de interpretar e aplicar a Lei de Deus. Pois, quando Jesus declarou que ele era o senhor do Sábado, estava igualmente dizendo que ele era também o senhor de todo o Decálogo. Jesus, portanto, se apresentava como o Mestre divino que tinha autoridade de interpretar a Lei de Deus, de praticá-la de forma exemplar e perfeita e de ensiná-la de um modo justo e correto. E assim, para explicar aos fariseus este modo justo e honesto de interpretar a Lei, Jesus chamou em causa a Davi, um profeta e rei muito considerado e estimado em Israel. Então, Jesus deu o seu testemunho, dizendo-lhes: “Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? Davi entrou na casa de Deus, pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães” (Lc 6, 3-4).
E, para concluir o seu argumento, Jesus mostrou-se superior a Davi, por ser o Filho do Homem que havia outrora, lá no deserto, promulgado a Lei mosaica, dizendo: “O Filho do Homem é senhor também do sábado” (Lc 6, 5). Deixando claro que ele se valia de sua autoridade divina para transferir o dia do sábado – que correspondia ao sétimo dia da semana – para o primeiro dia da semana – o domingo. Coisa que ele haveria de fazer posteriormente, depois de sua ressurreição. Por isso Jesus disse: “O Filho do Homem é senhor também do sábado” (Lc 6, 5).
São Paulo, de acordo com a crítica que ele fazia a respeito da Lei mosaica, não estabeleceu a Lei como instrumento adequado para combater o pecado, mas ele colocou Jesus Cristo em seu lugar, como aquele que interpretava corretamente a Lei de Deus; justificava os pecadores com sua graça; e os sustentava no caminho de salvação. Ou seja, Jesus Cristo seria a Nova Lei de Deus; interpretando de modo perfeito e pleno a antiga Lei Mosaica! Com a vantagem de ter o poder de justificar os pecadores arrependidos; apresentando-se como modelo de conduta de vida na santidade. Somente aqueles que imitassem Jesus Cristo conseguiriam observar os mandamentos da Lei de Deus. E assim, fortalecidos pela sua graça, conseguiriam manter uma vida irrepreensível, perseverando no caminho de salvação, rumo ao Reino dos Céus. Por isso, são Paulo, disse aos cristãos colossenses: “Irmãos, eis que agora Cristo vos reconciliou pela morte que sofreu no seu corpo mortal, para vos apresentar como santos, imaculados, irrepreensíveis diante de si. Mas é necessário que permaneçais inabaláveis e firmes na fé, sem vos afastardes da esperança que vos dá o evangelho, que ouvistes, que foi anunciado a toda criatura debaixo do céu e do qual eu, Paulo, me tornei ministro” (Cl 1, 22-23).
E, finalmente, caros irmãos, o profeta Davi, em meio às suas orações, declarava ao Senhor que ele confiava na graça divina para poder cumprir os seus mandamentos e, assim, ser recebido por ele nas moradas eternas, dizendo: “Quem me protege e me ampara é meu Deus. Por vosso nome, salvai-me, Senhor; e dai-me a vossa justiça! Ó meu Deus, atendei minha prece e escutai as palavras que eu digo” (Sl 52, 2-4)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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