

Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor? Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e a tenda de argila oprime a mente que pensa. Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos; quem, portanto, investigará o que há nos céus? Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito? Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos”.
Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós. Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem. Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.
Caríssimo: Eu, Paulo, velho como estou e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, faço-te um pedido em favor do meu filho que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração. Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao evangelho. Mas, eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea. Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, já não como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irmão no Senhor. Assim, se estás em comunhão de fé comigo, recebe-o como se fosse a mim mesmo.
Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!
Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste 23º Domingo do Tempo Comum nos ensina a verdadeira sabedoria de vida que procede de Deus. E o Senhor nosso Jesus Cristo, o mestre da sabedoria divina, nos ensina que devemos relativizar e renunciar aos bens deste mundo e as pessoas que amamos, para amar verdadeiramente a Deus e buscar, com todas as forças e disposição, as coisas dos céus! Pois, todas as coisas deste mundo costumam ser muito atraentes, pois naturalmente elas nos convém! Porém, tudo o que há neste mundo são coisas passageiras, visto que elas estão sujeitas à corrupção e à morte! Portanto, somente os que se desapegam dos bens deste mundo estariam aptos a abraçar o Salvador Jesus Cristo e os bens do seu Reino Celestial e Eterno!
Caros irmãos, é verdade que enquanto vivemos neste mundo, naturalmente nos apegamos às coisas materiais e às pessoas que nos rodeiam. Pois, os bens materiais que possuímos nos dão os meios de vida neste mundo, que são necessários para a nossa sobrevivência; e as pessoas que estão ao nosso lado, sobretudo os nossos familiares, são aqueles que nos amparam, cuidam de nós e nos querem bem! Por isso, com o passar dos dias, vamos nos apegando a tudo isto, fazendo deles o sentido de nosso viver. Porém, logo percebemos as sua inconsistências e fragilidades! Tudo, com o passar do tempo, se corrompe por ser passageiro, como disse o sábio profeta: “Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: ‘Voltai ao pó, filhos de Adão!’ Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos” (Sl 89, 3-6). Pois, como disse o sábio rei Salomão: “Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e a tenda de argila oprime a mente que pensa” (Sb 9, 14-15).
Por isso, a Palavra de Deus nos exorta a buscarmos em Deus a verdadeira sabedoria de vida, e depositar nele o sentido de nosso viver. Assim, depositando nele a nossa confiança, haveremos de ter força e disposição para nos comportar do jeito que agrada ao Senhor, como disse o profeta: “Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos” (Sl 118, 135)! Deste modo, poderíamos ainda acrescentar as palavras cheias de confiança e de fé proclamadas por Salomão, que dizia: “Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito? Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos” (Sb 9, 13; 17-18). E, além disto, reforçando estas palavras tão repletas de sabedoria divina e de imortalidade, o profeta Davi dizia: “Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós. Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria” (Sl 89, 2; 12)!
São Paulo, em sua Carta a Filêmon, deu-nos um belo testemunho de despojamento e de renúncia a todo tipo de bem-estar neste mundo, por causa do Evangelho e por causa de Jesus Cristo, dizendo: “Eu, Paulo, velho como estou e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, faço-te um pedido em favor do meu filho que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração. Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao evangelho. Mas, eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea.” (Fl 9-10; 12-14).
Entretanto, irmãos caríssimos, Jesus Cristo reservou-nos a sua mais perfeita sabedoria divina, exortando a todos nós a sermos autênticos discípulos dele, dizendo: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26-27; 33)!
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