

Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Edificai-vos sobre o fundamento da vossa santíssima fé e rezai, no Santo Espírito, de modo que vos mantenhais no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. E a uns, que estão com dúvidas, deveis tratar com piedade. A outros, deveis salvá-los arrancando-os do fogo. De outros ainda deveis ter piedade, mas com temor, aborrecendo a própria veste manchada pela carne… Àquele que é capaz de guardar-vos da queda e de apresentar-vos perante a sua glória irrepreensíveis e jubilosos, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo, nosso Senhor: glória, majestade, poder e domínio, desde antes de todos os séculos, e agora, e por todos os séculos. Amém.
Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minh’alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água! Venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam. Quero, pois vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! A minh’alma será saciada, como em grande banquete de festa; cantará a alegria em meus lábios, ao cantar para vós meu louvor!
A palavra de Cristo ricamente habite em vós, dando graças, por ele, a Deus Pai!
Naquele tempo, Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?” Jesus respondeu: “Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me”. Eles discutiam entre si: “Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Por que não acreditastes em João?’ Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos”. E Jesus disse: “Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos leva a refletir sobre o nosso relacionamento com o Templo, a casa de Deus, como aquele lugar privilegiado de oração e de encontro com Deus. Esta edificação sagrada, construída pelas mãos humanas é vista pelos homens piedosos como um Santuário, como morada de Deus entre os homens! Jesus Cristo adotou o Templo de Jerusalém como o seu Santuário e Casa de Oração! Os fiéis cristãos, por sua vez, que foram transformados por Cristo no batismo, trazem dentro de si o Espírito Santo, como num templo, tornam-se, assim, casa de Deus e santuário do Senhor!
Caríssimos, é maravilhosa a oração que o Salmista fez a Deus, numa destas suas visitas ao Templo de Jerusalém. Esta oração manifestava a alegria do fiel judeu por estar no Templo do Senhor, como se ele estivesse diante do próprio Deus. Assim, ele elevava a Deus toda a sua fé e a sua mística alegria de se sentir na presença de Deus, cantando e louvando o seguinte salmo: “Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minh’alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água! Venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam. Quero, pois vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos” (Sl 62, 2-5)!
Jesus, como bom judeu, amava estar no Templo de Jerusalém. Toda vez que ia à Jerusalém, entrava no Templo e ali permanecia como em sua própria casa, fazendo suas orações e pregações, visto que ele mesmo dizia a respeito do Tempo: “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações” (Mc 11, 17). Por isso, disse o evangelista Marcos: “Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele” (Mc 11, 27).
Neste caso, por certo, os sumos sacerdotes, os mestres da lei e os anciãos, eram de fato as pessoas autorizadas a administrar o Templo para dirigir e oficiar as orações e os sacrifícios. Bem como, eles tinham o ministério de pregar a Palavra de Deus ao povo, dentro do Templo. Contudo, por terem inveja e ódio de Jesus, ele se sentiam desrespeitados por Jesus, porque ele andava pregando o seu Evangelho dentro do Templo, sem a autorização deles. Por isso, cheios de cólera abordaram Jesus dentro do Templo perguntando-lhe: “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso” (Mc 11, 8)?
Entretanto, ao invés de lhes responder aquilo que havia dito momentos antes, enquanto ele expulsava os vendilhões do Templo, Jesus apenas fez-lhes uma pergunta capciosa, que os sumos sacerdotes e os anciãos do povo não quiseram responder. Diante disto, Jesus se sentiu no direito de não dar-lhes qualquer satisfação a respeito de sua autoridade sobre o Templo. Em todo caso, ele já tinha dado a sua resposta momentos antes, quando havia dito: “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações” (Mc 11, 17). Dando a entender, contudo, que ele tinha o direito de orar e de pregar o seu Evangelho naquele recinto, visto que, o Templo de Jerusalém era legitimamente a sua casa!
Os apóstolos, mais tarde, desenvolveram uma belíssima doutrina sobre o corpo santo dos fiéis cristãos, identificando-o como templo do Senhor e morada do Espírito Santo. Somos, assim, por meio desta doutrina, levados a acreditar que os nossos corpos, depois do batismo, foram transformados num verdadeiro templo de Deus e casa de oração, onde habitava Cristo e o Espírito Santo! Por isso, o apóstolo Paulo dizia: “Que a palavra de Cristo ricamente habite em vós, dando graças, por ele, a Deus Pai” (Cl 3, 16.17)!
E por fim, o apóstolo São Judas, em sua carta, falou-nos a respeito desta mesma doutrina, dizendo que o Senhor nosso Jesus Cristo edificou em nossos corações um edifício espiritual, um santuário, no qual habitava a Palavra de Deus e o Espírito Santo. Para revelar esta sua doutrina, o apóstolo São Judas falou-nos o seguinte: “Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Edificai-vos sobre o fundamento da vossa santíssima fé e rezai, no Santo Espírito, de modo que vos mantenhais no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Jd 19-21).
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