

Assim diz o Senhor: “Derramarei o meu espírito sobre todo ser humano, e vossos filhos e filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões; também sobre meus servos e servas, naqueles dias, derramarei o meu espírito. Colocarei sinais no céu e na terra, sangue, fogo e rolos de fumaça; o sol se transformará em trevas e a lua, em sangue, antes de chegar o dia do Senhor, dia grandioso e terrível Então, todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo, pois, no monte Sião e em Jerusalém, haverá salvação, como disse o Senhor, entre os sobreviventes que o Senhor chamar”.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto. Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras, e que sabedoria em todas elas! Encheu-se a terra com as vossas criaturas. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Todos eles, ó Senhor, de vós esperam que a seu tempo vós lhes deis o alimento; vós lhes dais o que comer e eles recolhem, vós abris a vossa mão e eles se fartam. Se tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram; enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.
Irmãos, sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo. Pois já fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que a gente está vendo; como pode alguém esperar o que já vê? Mas, se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança. Também o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor com gemidos inefáveis. E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos.
Vinde, Espírito divino, e enchei com vossos dons os corações dos fiéis; e acendei neles o amor como um fogo abrasador!
No último dia da festa, o dia mais solene, Jesus, em pé, proclamou em voz alta: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Aquele que crê em mim, conforme diz a Escritura, rios de água viva jorrarão do seu interior”. Jesus falava do Espírito, que deviam receber os que tivessem fé nele; pois ainda não tinha sido dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.
Caríssimos discípulos e discípulas do Senhor! Aclamemos todos juntos a uma só voz, dizendo: Vinde, Espírito Santo! Celebrando liturgicamente o evento do Pentecostes, nós estamos, assim, levando à plenitude as celebrações pascais de nosso Senhor Jesus Cristo, acolhendo em nossos corações e em nossa Igreja o Divino Espírito Santo! Nós nos reunimos nesta noite em nossas igrejas, assim como os discípulos estavam reunidos, em oração, no Cenáculo. Assim como eles, nós também estamos cheios de expectativa pela vinda do Espírito Santo que fora prometido por Jesus, dizendo: “Vinde, Espírito divino, e enchei com vossos dons os corações dos fiéis; e acendei neles o amor como um fogo abrasador” (Acl. ao Ev.)!
O nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado havia prometido aos apóstolos, que depois de sua Ascensão aos céus, ele e o Pai haveriam de enviar o outro Paráclito, o Espírito Santo, sobre toda a comunidade dos fiéis discípulos. Desta forma, depois que Jesus subiu aos céus, os discípulos ficaram em vigilante oração, esperando ansiosamente o cumprimento desta promessa de Cristo. Pois, ele havia dito que “em breve” seria enviado o Espírito Santo sobre eles.
No Judaísmo, conforme as tradições mosaicas, havia a celebração da Páscoa, que era celebrada por sete semanas seguidas; e, no término das festividades pascais, cinquenta dias depois da Páscoa, era celebrada a festa do Pentecostes. Na verdade, tudo o que fora instituído no judaísmo era figura das celebrações definitivas, instituídas pelo nosso Senhor Jesus Cristo. Desta forma, assim como a Páscoa da Morte e Ressurreição de Jesus aconteceu nos dias da Páscoa judaica, Deus deveria servir-se do Pentecostes judaico para realizar a sua promessa de enviar sobre a sua Igreja e no coração de seus discípulos o Espírito Santo!
Naqueles dias, logo após à Ascensão de Jesus e às vésperas de Pentecostes, todos os discípulos estavam reunidos no cenáculo em Jerusalém, aguardando o Espirito prometido, conforme as palavras de Jesus: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Aquele que crê em mim, conforme diz a Escritura, rios de água viva jorrarão do seu interior. Jesus falava do Espírito, que deviam receber os que tivessem fé nele” (Jo 37-39).
Deste modo, caros irmãos, os discípulos esperavam que o Senhor Jesus derramasse sobre eles o Espírito Santo, como uma água viva e espiritual, que os iluminasse na fé e no amor a Deus, fortalecendo-os na esperança, com todas as graças e dons espirituais. Foi mais ou menos isto que o profeta Joel havia profetizado a respeito do Espírito Santo, que Deus haveria de derramar sobre os homens, dizendo: “Derramarei o meu espírito sobre todo ser humano, e vossos filhos e filhas profetizarão; também sobre meus servos e servas, naqueles dias, derramarei o meu espírito” (Jl 3, 1-2). Por isso, todos os discípulos esperavam que fosse derramado sobre eles aquela Água Viva do Espírito de Deus, que tinha o poder de purificar e de salvar, como dizia o profeta Joel: “Então, todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo, pois, no monte Sião e em Jerusalém, haverá salvação” (Jl 3, 5).
Então, naquela noite anterior ao Pentecostes, os discípulos do Senhor se encontravam todos juntos reunidos no Cenáculo, numa vigília de orações! Sentindo-se movidos interiormente pela graça do Espírito de Deus, todos estavam ansiosamente esperando que o Senhor cumprisse aquilo que lhes prometera. Por isso, com muita fé e piedade, eles invocavam ao Senhor para que concedesse o Espírito divino que lhes tinha sido prometido, dizendo: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Os que confiam em vós, ó Senhor, de vós esperam que a seu tempo vós lhes deis o alimento! Vós lhes dais o que comer e eles recolhem, vós abris a vossa mão e eles se fartam. Se tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso espírito e renascem, e da terra toda a face renovais” (Sl 103, 26-30)! E diziam ainda, em meio às suas orações: “Vinde, ó Espírito divino! E enchei os corações de vossos fiéis com vossos dons; e acendei neles o amor como um fogo abrasador” (Acl. ao Ev.)!
O apóstolo Paulo, pouco tempo mais tarde, nos descreveu alguns detalhes sobre aqueles acontecimentos que se deram no dia de Pentecostes, falando-nos a respeitos da obra do Espírito Santo na vida dos fiéis cristãos que foram agraciados pelos dons deste Espírito divino, dizendo: “Pois nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo. Também o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor com gemidos inefáveis. E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos” (Rm 8, 23-27).
Portanto, caríssimos irmãos, este Espírito Divino, que foi dado no dia de Pentecostes a toda a Igreja, e que foi dado a cada um de nós no dia em que recebemos o Sacramento do Crisma, tem o poder de nos fortalecer no caminho de salvação e de conceder-nos aqueles dons espirituais que nos ajudam a perseverar numa vida de caridade e de santidade! Deste modo, o Espírito Santo desperta em nossos corações um desejo ardente de nos unirmos a Deus e de alcançarmos aqueles bens da esperança, que se encontram na vida eterna do Reino dos céus!
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