

“Ai de mim, minha mãe, que me geraste um homem de controvérsia, um homem em discórdia com toda a gente! Não emprestei com usura nem ninguém me emprestou, e contudo todos me amaldiçoam. Quando encontrei tuas palavras, alimentei-me, elas se tornaram para mim uma delícia e a alegria do coração, o modo como invocar teu nome sobre mim, Senhor Deus dos exércitos. Não costumo frequentar a roda dos folgazões e gabo-me disso; fiquei a sós, sob o influxo de tua presença e cheio de indignação. Por que se tornou eterna minha dor, por que não sara minha chaga maligna? Para mim te tornaste como miragem de um regato, como visão d’águas ilusórias”. Ainda assim, isto diz-me o Senhor: “Se te converteres, converterei teu coração, para te sustentares em minha presença; se souberes separar o precioso do vil, falarás por minha boca; os outros voltarão para ti, e tu não voltarás para eles. Em favor deste povo, farei de ti uma muralha de bronze fortificada; combaterão contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para te salvar e te defender, diz o Senhor. Eu te libertarei das mãos dos perversos e te salvarei dos prepotentes”.
Libertai-me do inimigo, ó meu Deus, e protegei-me contra os meus perseguidores! Libertai-me dos obreiros da maldade, defendei-me desses homens sanguinários! Eis que ficam espreitando a minha vida, poderosos armam tramas contra mim. Mas eu, Senhor, não cometi pecado ou crime. Minha força, é a vós que me dirijo, † porque sois o meu refúgio e proteção, Deus clemente e compassivo, meu amor! Deus virá com seu amor ao meu encontro, e hei de ver meus inimigos humilhados. Eu, então, hei de cantar vosso poder, e de manhã celebrarei vossa bondade, porque fostes para mim o meu abrigo, o meu refúgio no dia da aflição. Minha força, cantarei vossos louvores, porque sois o meu refúgio e proteção, Deus clemente e compassivo, meu amor!
Eu vos chamo meus amigos, pois, vos dei a conhecer o que o Pai me revelou.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola”.
Caríssimos irmãos e irmãs! As leituras da Liturgia da Palavra de hoje nos apresentam com toda franqueza e sinceridade os efeitos positivos e negativos de se fazer uma opção clara e radical por Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor e pelo Reino dos Céus. Pois, as promessas que Deus fez aos que buscassem os bens espirituais do Reino dos Céus seriam motivos de grande alegria, na esperança de alcançar tais tesouros. Visto que, o Senhor prometeu aos seus servos fiéis e aos seus discípulos um tesouro inestimável lá nos céus. Contudo, esta escolha não deixaria de ter as suas adversidades e sofrimentos, pelo fato de terem que passar por inúmeras tribulações e provações, enquanto estivessem vivendo neste mundo.
Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, anunciava abertamente uma sugestão incrivelmente maravilhosa, ao propor às pessoas de se desfazerem dos seus próprios bens materiais, para adquirirem, em troca, um tesouro inestimável no Reino dos Céus. Dizia isto publicamente, provocando as pessoas a darem este passo tão arriscado e exigente, que requeria, sem dúvida, muita fé e confiança na providência divina, bem como, uma firme esperança de alcançar este Reino dos Céus, que Jesus estava apregoando. E isto Jesus dizia de modo especial aos seus amigos e seguidores, pois ele costumava dizer-lhes as seguintes palavras: “Eu vos chamo meus amigos, pois, vos dei a conhecer o que o Pai me revelou” (Jo 15, 15).
Em todo caso, Jesus dizia isto para provocar nos seus aderentes à uma confiança inabalável nele; pois ele, enquanto Senhor e Salvador, dava-lhes todas as garantias de que isto seria um negócio fabuloso, seguro e inteligente que eles estariam fazendo com Deus. Conforme as palavras de Cristo, que disse: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola” (Mt 13, 44-46).
Entretanto, todos aqueles que fizessem tal negócio com Jesus Cristo, para conquistar o Reino dos Céus, deveriam estar cientes de que, enquanto estivessem neste mundo, deveriam caminhar na esperança, sabendo que estariam sujeitos a muitas contrariedades e serem tratados por Deus sem nenhum privilégio. E, neste caso, o prêmio somente seria dado depois da morte, no Reino dos Céus! E tal prêmio seria dados aos que permanecessem unidos a Cristo, vivendo da providência divina, do mesmo jeito que Jesus viveu!
O Profeta Jeremias deu-nos um belo testemunho de um autêntico servo e discípulo do Senhor! Ele mesmo percebeu que logo depois que aceitou servir ao Senhor, assumindo o ministério profético, ele havia atraído sobre si inúmeras tribulações e uma vida repleta de conflitos e contrariedades. Sem reclamar e sem murmurar contra Deus, Jeremias, contudo, fez questão de enumerar as grandes provações e sofrimentos que ele passou, pelo simples fato de ter sido um profeta honesto e fiel ao Senhor. Por isso, ele dizia: “Ai de mim, minha mãe, que me geraste um homem de controvérsia, um homem em discórdia com toda a gente! Quando encontrei tuas palavras, alimentei-me, elas se tornaram para mim uma delícia e a alegria do coração, o modo como invocar teu nome sobre mim, Senhor Deus dos exércitos. Não costumo frequentar a roda dos folgazões e gabo-me disso; fiquei a sós, sob o influxo de tua presença e cheio de indignação. Por que se tornou eterna minha dor, por que não sara minha chaga maligna” (Jr 15, 10; 16-18).
A seguir, o profeta Jeremias conclui com algumas palavras de conforto que o Senhor lhe havia confidenciado, dizendo-lhe: “Se souberes separar o precioso do vil, falarás por minha boca; os outros voltarão para ti, e tu não voltarás para eles. Em favor deste povo, farei de ti uma muralha de bronze fortificada; combaterão contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para te salvar e te defender, diz o Senhor. Eu te libertarei das mãos dos perversos e te salvarei dos prepotentes” (Jr 15, 19-21).
Por fim, o profeta elevou a Deus um grande clamor, invocando a sua proteção contra os seus inimigos, suplicando a Deus por sua salvação, dizendo: “Libertai-me do inimigo, ó meu Deus, e protegei-me contra os meus perseguidores! Libertai-me dos obreiros da maldade Mas eu, Senhor, não cometi pecado ou crime. Minha força, é a vós que me dirijo, porque sois o meu refúgio e proteção, Deus clemente e compassivo, meu amor” (Sl 58, 2-3; 10-11).
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