

“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade”. Por exemplo: um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça. De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que o desgastam debaixo do sol? Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração. Também isso é vaidade.
Vós fostes ó Senhor, um refúgio para nós. Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.
Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu Criador, em ordem ao conhecimento. Aí não se faz distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre, mas Cristo é tudo em todos.
Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Naquele tempo, Alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste Domingo nos adverte a ter um cuidado muito especial em relação aos bens deste mundo, para que não nos deixemos arrastar pela cobiça e pela ganância. Pois elas facilmente provocam em nós um apego desordenado pelos bens materiais, fazendo com que percamos completamente o interesse pelos bens espirituais e pela salvação eterna. Por isso, a Liturgia da Palavra nos estimula a buscar os bens espirituais e celestiais, que são eternos e duradouros, visto que, esta vida atual é passageira, mortal e cheia de vaidades!
O sábio e prudente Salomão, em suas reflexões sobre a vida do homem neste mundo, chegou a inúmeras conclusões muito prudentes e perspicazes. Ele advertia as pessoas sobre a instabilidade e as fragilidades dos bens deste mundo. Pois, tudo era passageiro e impregnado de vaidades! Por isso, ele dizia: ‘”Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade’. De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que o desgastam debaixo do sol? Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração. Também isso é vaidade” (Ecle 1, 2; 2, 22-23)! Vendo as coisas deste modo, com certeza saberemos relativizar os bens deste mundo e buscar com afinco os bem duráveis, que são os bens espirituais e eternos!
O profeta Davi, seguindo a certo modo o sábio Eclesiastes, fez uma belíssima oração a Deus, demonstrando uma preocupação enorme diante da morte e da inconsistência desta vida terrena. Ele reconhecia que tudo estava nas mãos de Deus, tanto a vida quanto a morte! Isto o fez entender que todo mortal teria que, fatalmente, se desapegar de sua própria vida e de todos os seus bens na hora da morte. Por isso, o profeta, em meio à sua oração, fez um apelo para que os homens enfrentassem a morte com sabedoria, e que Deus os amparassem naquele momento trágico da vida, dizendo: “Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos” (Sl 89, 3-4; 12-13)!
Jesus Cristo, o Mestre da Sabedoria que vem de Deus, não poderia deixar-nos sem as suas sábias e prudentes advertências sobre os perigos dos bem materiais, que facilmente poderiam nos desviar do caminho de salvação; bem como, sobre os efeitos nefastos de uma morte mal preparada. Jesus, portanto, advertia a todos, dizendo com muita ênfase: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens” (Lc 12, 15). E depois de ter dito isto, como de costume, ele contou uma parábola para demonstrar a insensatez e a loucura daqueles que passam a vida inteira empenhados em trabalhar e acumular bens neste mundo, sem se importar com a morte, nem com a sua salvação, e muito menos com a vida após a morte. Pois, a morte pode sobrevir no momento em que menos se espera! Isto fez com que Jesus dissesse, concluindo a sua parábola: “Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (Lc. 12, 20-21). E Jesus concluiu o seu discurso, dizendo: “Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3).
Jesus Cristo, caros irmãos, quis demonstrar aos seus ouvinte o quanto eram perigosos os bens materiais para a salvação das pessoas, se elas se apegassem às suas riquezas mundanas com cobiça e ambição, fazendo disto o sentido do seu viver. Por isso, São Paulo, pregando o Evangelho de Cristo, dizia aos cristãos colossenses: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3, 1-4).
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