

O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, faça justiça aos justos e execute o julgamento.
O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos. Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.
Caríssimo: Quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta. Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.
O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua palavra; a Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje nos salva.
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste 30º Domingo do Tempo Comum nos revela que o Senhor nosso Jesus Cristo é um juiz justo, que julga a todos com equidade, bondade e misericórdia. Ele está sempre pronto a justificar os contritos de coração e a estender a mão para salvar os humildes e os pobres de espírito. Mas, em sua divina ciência e justiça, ele julga e condena os iníquos e os hipócritas obstinados em suas maldades!
Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, se revelou como aquele justo juiz, capaz de julgar as pessoas com a máxima imparcialidade e com a plena ciência da verdade dos fatos. Pois, ele não julga as pessoas pela aparência, mas por aquilo que se passa nos seus corações; pois, ele é capaz de ponderar todos os atos e as intensões do homem. Por isso, ele trata a todos com bondade e misericórdia, mas também com perfeita justiça e equidade! Ele salva os humildes e contritos de coração; mas condena e abandona à própria sorte os que estiverem obstinados no mal!
Para demonstrar este seu modo de julgar as pessoas, Jesus contou uma parábola, dizendo: “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador (Lc 18, 10-13)! E assim, ao concluir a sua parábola, Jesus Cristo, o Justo Juiz, revelou-nos o modo como ele costuma julgar as pessoas, dizendo: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (Lc 18, 14).
O sábio profeta do livro do Eclesiástico, falando a respeito de nosso Senhor Jesus Cristo, ele testemunhou em seu favor, dando provas de que o Senhor e Salvador era um juiz justo e imparcial; mas ao mesmo tempo, ele era indulgente e misericordioso para com os pobres e contritos de coração. Por isso, dizia o Eclesiástico: “O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, faça justiça aos justos e execute o julgamento” (Eclo 35, 15-17; 20-22).
E o profeta Davi acrescentou ainda, que este Justo Juiz e Senhor nosso, sabia reconhecer os homens justos e piedosos, a tal ponto de que na hora do julgamento ele os haveria de tratar com indulgência e bondade; libertando-os de todos os males e salvando as suas vidas, dizendo: “Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido” ( Sl 33, 3; 18-19).
Portanto, caros irmãos, isto mostrava que o Senhor, o Justo Juiz, no dia do seu julgamento, haverá de reconciliar-se com todos os justos e os pobres, com aqueles que estiverem sinceramente contritos de coração; para dar-lhes a justificação plena e a salvação eterna, como disse Paulo: “O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua palavra; a Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje nos salva” (2Cor 5, 19).
Por fim, fomos agraciados com o belíssimo testemunho de vida do apóstolo Paulo. Ele nos disse que, ao chegar no final de sua vida, ele estava entregando-a nas mãos do seu Senhor. E estava se apresentando diante do tribunal do Justo Juiz, para ser julgado por ele. E, de antemão, ele estava muito confiante de que haveria de receber do seu Senhor e Salvador a justa recompensa de todos os seus trabalhos, dizendo: “Quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém” (2Tm 4, 6-8; 18).
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