

Derramem lágrimas meus olhos, noite e dia, sem parar, porque um grande desastre feriu a cidade, a jovem filha de meu povo, um golpe terrível e violento. Se eu sair ao campo, vejo cadáveres abatidos à espada; se entrar na cidade, deparo com gente consumida de fome; até os profetas e sacerdotes andam à toa pelo país”. Acaso terás rejeitado Judá inteiramente, ou te desgostaste deveras de Sião? Por que, então, nos feriste tanto, que não há meio para nos curarmos? Esperávamos a paz, e não veio a felicidade; contávamos com o tempo de cura, e não nos restou senão consternação. Reconhecemos, Senhor, a nossa impiedade, os pecados de nossos pais, porque todos pecamos contra ti. Mas, por teu nome, não nos faças sofrer a vergonha suprema de levarmos a desonra ao trono de tua glória; lembra-te, não quebres a tua aliança conosco. Acaso existem entre os ídolos dos povos os que podem fazer chover? Acaso podem os céus mandar-nos as águas? Não és tu o Senhor, nosso Deus, que estamos esperando? Tu realizas todas essas coisas”.
Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo. Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados! Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer! Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos.
A semente é a palavra de Deus, e o Cristo é o semeador; todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.
Naquele tempo, Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos assegura que, enquanto estivermos vivendo aqui neste mundo, tanto os bons quanto os maus hão de compartilhar da mesma sorte de vida, quer seja no bem-estar de uma vida feliz e agradável, quer seja numa vida de sofrimentos, repleta de todo tipo de misérias e desgraças. Mas depois da morte ambos serão separados, recebendo destinos diversos; no qual os bons terão uma vida bem-aventurada no Reino dos Céus, e o maus serão atormentados nos infernos.
As duas leituras que acabamos de ouvir, que foram tiradas do Antigo Testamento, tanto a leitura do Livro de Jeremias, quanto o Salmo 78, nos falam sobre os sofrimentos e angústias que o povo de Judá estava passando, logo após ter sido derrotado na guerra. Naquele momento, os justos e os fiéis judeus foram punidos da mesma forma que os maus e os infiéis. Jeremias, que presenciou aquela situação deplorável, apresentou-nos aquele grande sofrimento do povo judeu, dizendo: “Derramem lágrimas meus olhos, noite e dia, sem parar, porque um grande desastre feriu a cidade, a jovem filha de meu povo, um golpe terrível e violento. Se eu sair ao campo, vejo cadáveres abatidos à espada; se entrar na cidade, deparo com gente consumida de fome; até os profetas e sacerdotes andam à toa pelo país” (Jr 14, 17-18).
Neste caso, mesmo reconhecendo que o castigo tenha sido justo, por causa de seus pecados, o profeta percebia que tanto os inocentes e o justos estavam sendo penalizados da mesma forma que os iníquos e perversos. Por isso, ele clamava a Deus por clemência, para que este castigo não perdurasse para sempre, dando-lhes a graça do alívio nos sofrimentos e a salvação, dizendo: “Mas, por teu nome, não nos faças sofrer a vergonha suprema de levarmos a desonra ao trono de tua glória; lembra-te, não quebres a tua aliança conosco. Não és tu o Senhor, nosso Deus, que estamos esperando” (Jr 14, 17-18)?
O Salmista, que acompanhou o povo judeu ao exílio, apresentou uma situação semelhante àquela relatada por Jeremias, na qual o profeta clamava pela clemência e misericórdia do Senhor e Salvador, em nome do Povo, dizendo: “Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados! Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer! Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos” (Sl. 78, 9; 11; 13).
No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus Cristo nos deu uma bela explicação sobre este drama da vida humana neste mundo, que se conclui somente na vida eterna, depois de passar pelo vale tenebroso da morte. Com uma impressionante parábola criada por ele, Jesus conseguiu resumir em poucas palavras, a vida do homem neste mundo que está a caminho da vida eterna. Conforme a “parábola do Joio e do trigo”, todos nós que vivemos neste mundo, quer sejamos bons, ou quer sejamos maus, todos nós compartilhamos um mesmo mundo, com suas alegrias e tristezas, bem-estar e sofrimentos. Como disse Jesus: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo” (Mt 13, 37-39).
Porém, com a morte seremos todos transportados para uma outra vida, que será estável e eterna, na qual serão definitivamente separados os bons dos maus, recebendo destinos diversos, como disse Jesus: “A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13, 39-43). Pois, como disse o antigo liturgista, “a boa semente é a palavra de Deus, e o Cristo é o semeador; todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou” (Acl. ao Ev.).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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