
Irmãos, em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo. Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória.
Ó justos, alegrai-vos no Senhor! aos retos fica bem glorificá-lo. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens.
Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
Naquele tempo, milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados. Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei. Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje quer que nós acolhamos de bom coração os meios que Deus nos ofereceu para alcançarmos a salvação e tomemos posse daqueles bens mais elevados e preciosos da fé e da esperança cristã, que se encontram no Reino dos céus! E ao mesmo tempo, ela nos adverte com muita intensidade que nos afastemos de todo pecado grave, pois eles nos levam à ruína eterna. E, sobretudo, o Senhor Jesus nos previne diante dos perigos do pecado da hipocrisia, que é o maior empecilho à conversão e ao perdão divino!
O apóstolo Paulo, na sua Carta aos Efésios, apresentou-nos de uma forma bem sintética e precisa, a mais elevada doutrina de Cristo sobre a redenção e a justificação dos nossos pecado, que tem como fim último a nossa salvação! São Paulo, nesta sua carta, nos revelou que Deus tinha, desde sempre, um plano e um desígnio para nós; que consistia em justificar-nos de nossos pecados, a fim de conduzir-nos, no final de nossa vida terrena, ao seu Reino Celeste, para vivermos eternamente junto dele, nos céus! Em outras palavras, Paulo disse o seguinte: “Irmãos, em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo. Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória” (Ef 1, 11-14).
O mesmo apelo que Paulo fez aos cristãos de Éfeso, para que perseverassem firmes na fé e na esperança de salvação, Davi fez a mesma coisa, convocando todos os justos e retos de coração, a perseverarem firmes no serviço e no louvor ao Senhor, pois somente assim eles seriam felizes e seriam agraciados por uma herança eterna, dizendo-lhes: “Ó justos, alegrai-vos no Senhor! aos retos fica bem glorificá-lo. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens” (Sl 32, 1; 12-13).
Jesus Cristo, no Evangelho que acabamos de ouvir, advertia os seus discípulos a tomarem um cuidado todo especial com a hipocrisia dos fariseus. Por isso, Jesus dizia-lhes: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12, 1). Pois, na verdade, Jesus sabia que os fariseus tinham um péssimo costume de tratar os seus próprios pecados com dissimulação e hipocrisia, achando que com isto eles seriam justificados. Por isso, eles estavam sempre prontos a justificar-se a si mesmos de suas iniquidades, negando-se obstinadamente em reconhecer os seus pecados e de empreender um caminho de conversão. Assim, em seu duro coração, eles se excluíam da salvação eterna anunciada por Jesus, tornando-se merecedores de uma condenação eterna!
Então, para acautelar os seu discípulos diante do perigo da hipocrisia, Jesus disse-lhes: “Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados (Lc 12, 2-3). Ou seja, ele, o Senhor nosso Deus haverá de expor-nos publicamente em tudo o que tivermos feito, no dia do Juízo Final!
E, finalmente, para estimular os seus discípulos a serem corajosos e confiantes diante das tribulações e perseguições, Jesus os exortava a se manterem firmes na esperança da vida eterna, combatendo bravamente contra todo tipo de pecado, sobretudo, contra o pecado da hipocrisia. Deste modo, ao permanecerem firmes na comunhão de fé e de amor com o Cristo Senhor e com o seu Evangelho, eles seriam agraciados pelo dom divino da salvação! Mesmo que isto os levasse a sofrer hostilidades e perseguições, ou até mesmo se isto lhes custasse a própria vida.
Pois, segundo Jesus Cristo, o bem mais precioso a ser preservado deveria ser a sua própria salvação; como disse Jesus: “Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei” (Lc 12, 4-5). Portanto, diante dos perigos deste mundo e das ameaças dos malvados, todos nós deveríamos estar sempre prontos a dizer com fé e confiança ao Senhor: “Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos” (Sl 32, 22)!
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