

Irmãos, a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, convicção acerca de realidades que não se veem. Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. Foi pela fé que compreendemos que o universo foi organizado por uma palavra de Deus. Assim, as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê. Foi pela fé que Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor que o de Caim; e por causa dela, ele foi declarado justo, pois Deus aprovou a sua oferta. Graças a ela, mesmo depois de morto, Abel ainda fala! Foi pela fé que Henoc foi arrebatado, para não ver a morte; e não mais foi encontrado, porque Deus o arrebatou. Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus. Ora, sem a fé é impossível ser-lhe agradável. pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que recompensa os que o procuram. Foi pela fé que Noé, avisado divinamente daquilo que ainda não se via, levou a sério o oráculo e construiu uma arca para salvar a sua família. Pela fé, ele se separou do mundo, tornando-se herdeiro da justiça que se obtém pela fé.
Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor! Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza. Uma idade conta à outra vossas obras e publica os vossos feitos poderosos; proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas! Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!
Eu vos chamo meus amigos, pois vos dei a conhecer o que o Pai me revelou.
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”. Os três discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que antes deve vir Elias?” Jesus respondeu: “De fato, antes vem Elias, para colocar tudo em ordem. Mas, como dizem as Escrituras, que o Filho do Homem deve sofrer muito e ser rejeitado? Eu, porém, vos digo: Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, exatamente como as Escrituras falaram a respeito dele”.
Caríssimos irmãos de fé, no Cristo Senhor e Salvador! A Liturgia da Palavra de hoje nos mostra que Jesus Cristo, ao transfigurar-se diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João, quis despertar neles a fé na sua majestade divina, revelando-se como o Filho de Deus! E ao mesmo tempo, Jesus aproveitou-se daquela circunstância, para despertar naqueles três apóstolos a fé no mistério da Santíssima Trindade, revelando-lhes o Pai Eterno, o Filho de Deus e o Espírito Santo! E, além disto, a Liturgia da Palavra de hoje quis despertar em nós a fé na esperança de salvação que nos foi oferecida pelo nosso Salvador Jesus Cristo!
Esta, portanto, era a fé que os apóstolos receberam de Cristo, e que eles transmitiram a nós! O apóstolo Paulo nos explicou isto de uma forma bem clara e simples, dizendo: “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, convicção acerca de realidades que não se veem” (Hb 11, 1). Pois, o nosso Deus, atualmente aqui neste mundo, o vemos apenas com os olhos da fé; contudo, esperamos firmemente de que um dia poderemos vê-lo face a face, e poderemos, então, desfrutar daquela glória e daquela bem-aventurança de Deus, no seu Reino celeste!
Naquele tempo, chegando ao final de sua obra missionária, Jesus sabia que estavam se aproximando os dias do seu sacrifício na cruz e da sua morte. Por isso, ele precisava dar aos seus apóstolos um testemunho irrefutável de sua divindade e fornecer-lhes uma experiência momentânea da glória e da bem-aventurança celeste. E, ao mesmo tempo, a revelação de sua divindade seria muito útil para consolar os corações dos apóstolos diante do iminente escândalo do seu sacrifício na cruz. Para confirmá-los na fé no Deus Salvador e na esperança da glória eterna, Jesus devia revelar-se em sua glória divina, realizando o milagre da transfiguração. Por isso, a transfiguração do Senhor seria o ápice de suas revelações reservadas aos seus amigos e apóstolos, como ele mesmo disse certa vez: “Eu vos chamo meus amigos, pois vos dei a conhecer o que o Pai me revelou” (Jo 15, 15).
Quando Jesus convidou os três apóstolos Pedro, João e Tiago, para o acompanharem até o alto da montanha, ele quis mostrar-se mediante alguns sinais visíveis, a sua divindade invisível. Quis levá-los a ouvir as palavras inefáveis da boca do Pai, quando ele viesse a declarar Jesus Cristo como o seu Filho Amado. Então, lá no alto da montanha, “Jesus transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: ‘Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!’ E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles” (Mc 9, 3-4; 7-8).
Era, portanto, necessário que Jesus Cristo fizesse este gesto sobrenatural da transfiguração de sua majestade divina em seu corpo humano, para despertar nos apóstolos uma fé sólida, embasada na visão e no testemunho pessoal! Precisavam, também, desta manifestação da glória divina de Cristo, antes de serem duramente provados no escândalo da sua paixão e morte na cruz. Para que soubessem e acreditassem firmemente que Jesus Cristo era perfeitamente Deus e perfeitamente homem! E assim, estes três Apóstolos, que testemunharam o Cristo transfigurado e glorioso, se sentiriam fortalecidos em sua fé e confirmados em sua esperança; tornando-se, assim, aptos a confirmar os outros discípulos na mesma fé, levando-os a acreditar na divindade do Senhor e Salvador Jesus Cristo!
Depois de terem visto o Senhor revestido de glória, os apóstolos tornaram-se aptos a proclamar o Senhor, dizendo: “Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza. E proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas! Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam” (Sl 144, 3-5; 10)!
Portanto, caros irmãos, para transformar os seus apóstolos em mestres e doutores da fé e da esperança do Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, era necessário, de alguma forma, que eles recebessem de Cristo uma revelação toda especial que lhes mostrasse a sua condição divina e lhes manifestasse a bem-aventurança de vida na glória de Deus. Somente assim eles poderiam ser aquelas testemunhas gabaritadas da divindade de nosso Salvador Jesus Cristo. Somente assim eles se tornariam os propagadores destemidos desta fé e desta esperança, anunciando a todos os homens que deveriam ser salvos; como disse o Apóstolo: “Sem a fé é impossível ser-lhe agradável; pois, aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11, 6).
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