

Irmãos: Eu não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força salvadora de Deus para todo aquele que crê, primeiro para o judeu, mas também para o grego. Nele, com efeito, a justiça de Deus se revela da fé para a fé, como está escrito: O justo viverá pela fé. Por outro lado, a ira de Deus se revela, do alto do céu, contra toda a impiedade e iniquidade dos homens que em sua iniquidade oprimem a verdade. Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto aos homens: Deus mesmo lho manifestou. Suas perfeições invisíveis, como o seu poder eterno e sua natureza divina, são claramente conhecidas através de suas obras, desde a criação do mundo. Assim, eles não têm desculpa por não ter dado glória e ação de graças a Deus como se deve, embora o tenham conhecido. Pelo contrário, enfatuaram-se em suas especulações, e seu coração insensato se obscureceu: alardeando sabedoria, tornaram-se ignorantes e trocaram a glória do Deus incorruptível por uma figura ou imagem de seres corruptíveis: homens, pássaros, quadrúpedes, répteis. Por isso, Deus os entregou com as paixões de seus corações a tal impureza, que eles mesmos desonram seus próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre. — Amém.
Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite publica esta notícia. Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz.
A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração
Naquele tempo: Enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. O Senhor disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos atesta que Jesus Cristo, a Palavra de Deus, é aquele que nos criou e nos conhece tanto nas coisas exteriores de nosso corpo, quanto nas coisas interiores da nossa alma. Como disse o profeta: “A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração” (Lc11, 37-41).
No Evangelho que nós ouvimos, Jesus levantou sérias críticas ao judaísmo propagado pelos fariseus. Ele os desmascarou em sua hipocrisia, que levara o judaísmo à uma situação deplorável, ao ponto de darem grande importância aos ritos exteriores de purificações e abluções, criados pelos homens – como era o caso de lavar as mãos e as vasilhas antes de fazer as refeições -, mas não se importavam com as impurezas interiores, causadas pelo pecado, que eram muito mais graves e contrárias aos mandamentos divinos – como era o caso de roubos e maldades. Para corrigir estas distorções do judaísmo farisaico Jesus propôs o Seu Evangelho, dizendo: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós” (Lc 11, 39-41).
Portanto, conforme a Palavra do Senhor, Deus não se importa com as impurezas visíveis do corpo, mas com as impurezas invisíveis da alma. E, neste caso, Deus, que fez o exterior e também o interior do homem, é capaz de enxergar tão bem as impurezas exteriores do homem, quanto os pecados de seu coração. Pois, Jesus Cristo, “a Palavra do Senhor, é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração” (Lc 11, 37-41). E, Jesus deixou bem claro que a sujeira interior dos pecados cometidos não são purificados por abluções rituais, mas pela penitência sincera e pela esmola (Cfr. Lc 11, 37-41).
São Paulo, por sua vez, na sua Carta aos Romanos, desmistificou o paganismo dos gregos, que costumavam encobrir as suas iniquidades e a sua perversa idolatria com vãos arrazoados, de uma sabedoria humana e vazia. Da mesma forma, ele mostrou as inconsistências e as falácias do legalismo e da soberba dos judeus, apresentando-lhes a sabedoria de Deus que vem pela fé e pelo Evangelho de Cristo. Para combater o paganismo dos gregos e o legalismo do judeus, com todas as suas distorções e enganos, São Paulo propôs a eles o seu Evangelho. Pois, segundo o apóstolo Paulo, “eu não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força salvadora de Deus para todo aquele que crê, primeiro para o judeu, mas também para o grego. Nele, com efeito, a justiça de Deus se revela da fé para a fé, como está escrito: O justo viverá pela fé. Por outro lado, a ira de Deus se revela, do alto do céu, contra toda a impiedade e iniquidade dos homens que em sua iniquidade oprimem a verdade” (Rm 1, 16-18).
Portanto, o Deus único e verdadeiro – ensinado pelo apóstolo Paulo e por Jesus Cristo em seu Evangelho -, que se deu a conhecer a todos os homens, desde o início do mundo, quer seja aos judeu ou aos gregos. “Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto aos homens: Deus mesmo lho manifestou. Suas perfeições invisíveis, como o seu poder eterno e sua natureza divina, são claramente conhecidas através de suas obras, desde a criação do mundo. Assim, eles não têm desculpa por não ter dado glória e ação de graças a Deus como se deve, embora o tenham conhecido” (Rm 1, 19-21).
E Davi, que era um judeu devoto, atestou-nos em seu salmo de louvor ao Senhor, que este conhecimento do Deus invisível era plenamente conhecido pelos judeus, através das coisas visíveis da criação, dizendo: “Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite publica esta notícia. Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz” (Sl 18, 2-5).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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