

Quando, pois, voltamos para junto de teu servo, nosso pai, contamos tudo o que o meu senhor tinha dito. Mais tarde disse-nos nosso pai: ‘Voltai e comprai para nós algum trigo’. E nós lhe respondemos: ‘Não podemos ir, a não ser que o nosso irmão mais novo vá conosco. De outra maneira, sem ele, não nos podemos apresentar àquele homem’. E o teu servo, nosso pai, respondeu: ‘Bem sabeis que minha mulher me deu apenas dois filhos. Um deles saiu de casa e eu disse: Um animal feroz o devorou! E até agora não apareceu. Se me levardes também este, e lhe acontecer alguma desgraça no caminho, fareis descer de desgosto meus cabelos brancos à morada dos mortos'”. Então José não pôde mais conter-se diante de todos os que o rodeavam, e gritou: “Mandai sair toda a gente!” E, assim, não ficou mais ninguém com ele, quando se deu a conhecer aos irmãos. José rompeu num choro tão forte, que os egípcios ouviram e toda a casa do Faraó. E José disse a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda vive?” Mas os irmãos não podiam responder-lhe nada, pois foram tomados de um enorme terror. Ele, porém, cheio de clemência, lhes disse: “Aproximai-vos de mim”. Tendo-se eles aproximado, disse: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Entretanto, não vos aflijais, nem vos atormenteis, por me terdes vendido a este país. Porque foi para a vossa salvação que Deus me mandou adiante de vós, para o Egito”.
Mandou vir, então, a fome sobre a terra e os privou de todo pão que os sustentava; um homem enviara à sua frente, José que foi vendido como escravo. Apertaram os seus pés entre grilhões e amarraram seu pescoço com correntes, até que se cumprisse o que previra, e a palavra do Senhor lhe deu razão. Ordenou, então, o rei que o libertassem, o soberano das nações mandou soltá-lo; fez dele o senhor de sua casa, e de todos os seus bens o despenseiro.
Convertei-vos e crede no Evangelho, pois, o Reino de Deus está chegando!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos ensina que o Senhor nosso Deus, quando elege os seus amigos e discípulos ele os envia em missão, para executarem a sua vontade! Porém, ao constituí-los no seu ministério, ele os faz passar por grandes provações e tribulações, para comprovar o seu caráter e fortalecê-los na sua graça. Isto, certamente, foi o que aconteceu com o patriarca José, filho de Jacó, e tudo aquilo que sucedeu aos 72 discípulos, que Jesus escolheu para si e os enviou em missão.
Então, irmãos caríssimos, para entender esta situação controversa, devemos lembrar aquela sábia expressão, que diz: ‘Não há males que não se possa tirar algum bem’! Deus, ao longo da História de Salvação, nos apresentou inúmeras situações em que ele se serviu de algum mal feito por alguém, ou de algum sofrimento injustificável, para obter disto um bem maior! Um dos exemplos mais perfeitos deste sábio provérbio foi a história de José do Egito. Depois de sofrer graves injustiças e maus-tratos dos próprios irmãos, que o ameaçaram de morte e acabaram vendendo-o como escravo a mercadores egípcios. Uma vez estando lá no Egito, depois de passar por algumas peripécias, acabou sendo injustamente lançado na prisão. Porém, por graça divina, José foi repentinamente alçado à mais elevada glória, tornando-se governador e Vice Faraó do Egito (Cfr. Gn 44,18-21.23-29.45,1-5).
Porém, tudo isto lhe aconteceu para que José se tornasse um instrumento de Deus para salvar a vida dos seus irmãos e de toda a sua família. Isto, na verdade, foi-nos revelado pelo Espírito Santo, que disse: “Mandou vir, então, a fome sobre a terra e os privou de todo pão que os sustentava; um homem enviara à sua frente, José que foi vendido como escravo. Apertaram os seus pés entre grilhões e amarraram seu pescoço com correntes, até que se cumprisse o que previra, e a palavra do Senhor lhe deu razão. Ordenou, então, o rei que o libertassem, o soberano das nações mandou soltá-lo; fez dele o senhor de sua casa, e de todos os seus bens o despenseiro” (Sl 104, 16-21).
Então, depois de passar por inúmeras tribulações e injustiças, José foi devidamente recompensado por Deus, tornando-se, assim, governador e vice-rei do Egito. E, ao surgir em Canaã uma grande estiagem e fome, os filhos de Israel foram comprar trigo no Egito. E ali, no Egito, eles se depararam com o seu irmão José, sem saber que ele havia se tornado governador do Egito. E neste encontro com os seus irmãos, em meio a uma grande comoção, José foi indulgente e misericordioso com eles, entendendo que tudo o que lhe havia sucedido era da disposição da vontade de Deus! Então, José se deu a conhecer aos seus irmãos, dizendo-lhes: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Entretanto, não vos aflijais, nem vos atormenteis, por me terdes vendido a este país. Porque foi para a vossa salvação que Deus me mandou adiante de vós, para o Egito” (Gn 45, 4-5). Assim, ali no Egito, protegidos pela mão de Deus, os filhos de Israel se tornaram numa grande nação.
Este modo de Deus tratar os seus servos e discípulos nós verificamos na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo! Jesus nos demonstrou isto, quando ele enviou em missão os seu discípulos, exigindo deles um desapego radical e uma abnegação sincera de seus bens materiais. Ele os fez passar por grandes privações, dificuldades e tribulações enquanto deviam realizar a sua jornada missionária de anunciar o seu Evangelho. Porém, o Senhor não os deixou desamparados, protegendo-os no caminho. E assim, ao final da jornada, Jesus lhes deu a devida recompensa. Todos voltaram felizes e satisfeitos por terem trabalhado arduamente na obra do Senhor!
Assim, naquela ocasião, ao enviar os 72 missionários Jesus os instruiu a respeito da mensagem da pregação, dando-lhes poderes extraordinários e sobrenaturais de realizarem cura, milagres e expulsar demônios. Porém, tudo isto deveria ser dado de graça, sem receber nenhum pagamento em troca! Eles deveriam, neste caso, levar uma vida despojada e pobre durante a jornada missionária; com a condição de receberem das pessoas apenas o seu sustento nas suas necessidades básicas. Por isso, Jesus lhes disse: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida” (Mt 10, 7-11).
Este desprendimento dos bens materiais que Jesus exigia dos seus missionários, era, na verdade, um modo excelente de dar um belo testemunho pessoal de que o próprio missionário estaria já aplicando em sua vida aquilo que ele pregava aos outros. Ele estaria demonstrando a todos que ele próprio, despojando-se dos bem materiais, estaria priorizando o valores do Reino de Deus em sua vida pessoal! Pois, a mensagem principal que ele devia anunciar era a seguinte: “Convertei-vos e crede no Evangelho, pois, o Reino de Deus está chegando” (Mc 1, 15)! Assim, todos aqueles que recebessem com fé e humildade esta mensagem evangélica, penitenciando-se de seus pecados, receberiam como recompensa os bens mais preciosos que Deus poderia lhes dar; ou seja, o Reino dos céus, com toda a sua glória e com toda a sua bem-aventurança, por toda eternidade, junto de Deus!
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