

Irmãos, trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós. Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores puros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos. De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal.
Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções. Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!” Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria. Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes!
Eu vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, assim disse o Senhor.
Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”. Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
Caríssimos irmãos e irmãs! Na Liturgia da Palavra de hoje celebramos a festa de São Tiago, Apóstolo, irmão de João e filho de Zebedeu. Este foi identificado posteriormente como o “Tiago Maior”. Ele foi eleito pelo Senhor a fazer parte dos Doze Apóstolos, para dar o testemunho de seu Evangelho em todo o mundo, conforme as suas palavras: “Eu vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, assim disse o Senhor” (Jo 15, 16).
Na verdade, caros irmãos, as escrituras do Novo Testamento nos apresentam três personagens apostólicos com o mesmo nome de Tiago, causando uma certa confusão. Por isso, é importante distingui-los com as referências familiares de cada um. O primeiro “Tiago” era este que nós estamos hoje celebrando a sua festa litúrgica. Este era identificado como o “Tiago, filho de Zebedeu e irmão de João” (Cfr. Mc 1, 19-20). Como Zebedeu era irmão de São José, Tiago era primo (irmão) de Jesus Cristo. Mais tarde ele recebeu o apelido de “Tiago Maior, irmão do Senhor”.
O Segundo “Tiago”, que também foi chamado por Jesus para fazer parte do grupo dos Doze Apóstolos, era identificado como sendo o Tiago, filho de Alfeu – que era, por sua vez, irmão de São José, fazendo com que este Tiago também fosse primo (irmão) de Jesus; assim chamado de “Tiago Menor” (Cfr. Mc 3, 18). O Terceiro “Tiago”, muitas vezes confundido com o “Tiago Menor”, era aquele que presidiu por primeiro a Igreja de Jerusalém, identificado como o “Tiago, irmão de Jesus, o Justo” (At 12, 17; 15, 13; 1Cor 15, 13; Gl 2, 9-12). Algumas tradições o identificaram com o apóstolo “Tiago Maior”, o irmão de João; outras tradições, porém, o identificaram com um terceiro Tiago, que não fazia parte dos Doze Apóstolos. Este, devido ao seu parentesco com Jesus, era chamado de irmão de Jesus, e também irmão de Simão e de Judas, que o sucederam no episcopado da Igreja de Jerusalém. Este Tiago se identificava apenas como: “Irmão do Senhor”!
Entretanto, caros irmãos, São Tiago Maior, aquele que era apóstolo e irmão do Senhor, foi aquele que, junto com seu irmão João, reivindicou diante Jesus, por intermédio de sua mãe, para que lhes concedesse as posições mais honrosas no seu Reino. “Assim, naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. Jesus perguntou: ‘O que tu queres?’ Ela respondeu: ‘Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda'” (Mt 20, 20-21).
Depois de dizer-lhes que estes lugares seriam ocupados por pessoas que Deus Pai havia já estabelecido, Jesus colocou-os à prova para ver se eles seriam, de fato, fiéis ao ministério apostólico que lhes fora confiado. Deste modo, Tiago e João seriam honrados com a posição gloriosa nos céus, reservada ao grupo dos Doze Apóstolos. Diante destas questões, Jesus, então, respondeu-lhes: “‘Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?’ Eles responderam: ‘Podemos’. Então Jesus lhes disse: ‘De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou'” (Mt 20, 22-23). Tendo recebido esta resposta do Senhor, ambos, humildemente, se deram por satisfeitos. E a lição de humildade e a disposição de total entrega à causa do Evangelho de Cristo foram tão bem assumidas por ambos, fazendo com eles se destacassem entre os Doze Apóstolos por esta virtude da humildade, e pela sua entrega corajosa à causa do Senhor!
Tiago, ao lado de seu irmão João, de fato, deu um formidável testemunho de Apóstolo do Senhor. As palavras de Paulo, a respeito das inúmeras provações e tribulações que os apóstolos passaram, se aplicava perfeitamente a São Tiago. Paulo dizia “que nós, os apóstolos, somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores puros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos” (2Cor 4, 8-10).
Na verdade, São Tiago, Maior, foi o primeiro apóstolo a dar sua vida, derramando o seu sangue por amor a Cristo. Pois, no livro dos Atos dos Apóstolos está registrado que “naquele tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. Assim foi que matou a espada Tiago, o irmão do Senhor” (At 12, 1-2).
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