

Filho, se decidires servir o Senhor, permanece na justiça e no temor e prepara a tua alma para a provação. Mantém o teu coração firme e sê constante, inclina teu ouvido e acolhe as palavras de inteligência, e não te assustes no momento da contrariedade. Suporta as demoras de Deus, agarra-te a ele e não o deixes, para que sejas sábio em teus caminhos. Tudo o que te acontecer, aceita-o, e sê constante na dor; e nas contrariedades de tua pobre condição, sê paciente. Pois é no fogo que o ouro e a prata são provados e, no cadinho da humilhação, os homens agradáveis a Deus. Crê em Deus, e ele cuidará de ti; endireita os teus caminhos e espera nele. Conserva o seu temor, e nele envelhecerás. Vós que temeis o Senhor, contai com a sua misericórdia e não vos desvieis, para não cair. Vós, que temeis o Senhor, confiai nele, e a recompensa não vos faltará. Vós, que temeis o Senhor, esperai coisas boas: alegria duradoura e misericórdia. Vós, que temeis o Senhor, amai-o, e vossos corações ficarão iluminados. Considerai, filhos, as gerações passadas e vede: Quem confiou no Senhor e ficou desiludido? Quem permaneceu nos seus mandamentos e foi abandonado? Quem o invocou e foi por ele desprezado? Pois o Senhor é compassivo e misericordioso, perdoa os pecados no tempo da tribulação, e protege a todos os que o procuram com sinceridade.
Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração. O Senhor cuida da vida dos honestos, e sua herança permanece eternamente. Não serão envergonhados nos maus dias, mas nos tempos de penúria, saciados. Afasta-te do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. Porque o Senhor Deus ama a justiça, e jamais ele abandona os seus amigos. Os malfeitores hão de ser exterminados, e a descendência dos malvados destruída. A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, defende-os e protege-os contra os ímpios, e os guarda porque nele confiaram.
Minha glória é a cruz do Senhor Cristo Jesus, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para este mundo.
Naquele tempo, Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutíeis pelo caminho?” Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me envio”.
Caríssimos discípulos e discípulas de Cristo! A Liturgia da Palavra de hoje nos revela que Jesus Cristo foi à nossa frente para que ele fosse o nosso exemplo de vida. Assim, imitando-o nas suas provações, humilhações e sofrimentos sejamos dignos de sermos acolhidos por ele na glória do seu Reino. Pois, assim como Cristo abraçou a sua cruz, afim de ser exaltado por Deus na glória da ressurreição, também nós somos exortados a fazer o mesmo, como disse Paulo: “Minha glória é a cruz do Senhor Cristo Jesus, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para este mundo” ( Gl 6, 14).
No Evangelho de Marcos, na passagem que acabamos de ler, Jesus demonstrou que os eventos da sua crucificação, morte e ressurreição fariam parte dos fundamentos da sua doutrina evangélica, como disse Jesus:“O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará” (Mc 9, 31). Embora os tormentos e as humilhações da cruz tenham causado maior impressão e escândalo nos apóstolos, Jesus nunca deixara de mencionar a ressurreição e a exaltação gloriosa, depois de falar de sua morte humilhante. A cruz, que exprimia humilhação e sofrimento, deveria ser apenas o instrumento e o meio pelo qual Deus haveria de se servir para realizar o seu plano de salvação. Era necessário ter paciência e resiliência para suportar com coragem e fé os tempos de provação. Assim, uma vez libertado da cruz, pela ressurreição, tanto Jesus Cristo quanto os seus discípulos, seriam exaltados por Deus na glória celeste, sendo, então, recompensados com uma coroa de uma glória eterna!.
Com estas palavras, Jesus deixou bem claro aos seus discípulos que este estilo de vida que ele escolhera para si aqui neste mundo passageiro, deveria ser assumido também por seus discípulos. Pois, todos aqueles que quisessem ter parte com ele na sua glória do Reino dos Céus, precisavam segui-lo no caminho árduo e estreito da humildade, à semelhança das crianças. Então, para explicar estes mistérios do seu evangelho, “Jesus sentou-se, chamou os Doze e lhes disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!’ Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: ‘Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me envio'” (Mc 9, 35-37).
São Paulo, contudo, foi aquele que demonstrou com grande clareza a sua disposição de imitar Cristo em tudo, sobretudo em relação à sua humildade de abraçar cada dia as suas cruzes, renunciando a todos os confortos do mundo, para abraçar com todas as veras a cruz de Cristo, como ele dizia: “Minha glória é a cruz do Senhor Cristo Jesus, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para este mundo” (Gl 6, 14).
Da mesma forma, Jesus dizia que todo aquele que quisesse participar da futura e gloriosa ressurreição dos mortos, teria que abraçar, atualmente, aqui neste mundo, as humilhações, as provações e os sofrimentos da vida, com toda humildade, como quem abraça a sua cruz cada dia. O sábio Salomão já dizia as mesmas coisas em seu livro do Eclesiástico, exortando os filhos de Israel a serem autênticos sábios e servos de Deus, aceitando com coragem as provações da vida, dizendo-lhes: “Filho, se decidires servir o Senhor, permanece na justiça e no temor e prepara a tua alma para a provação. Mantém o teu coração firme e sê constante, inclina teu ouvido e acolhe as palavras de inteligência, e não te assustes no momento da contrariedade. Suporta as demoras de Deus, agarra-te a ele e não o deixes, para que sejas sábio em teus caminhos. Tudo o que te acontecer, aceita-o, e sê constante na dor; e nas contrariedades de tua pobre condição, sê paciente. Pois é no fogo que o ouro e a prata são provados e, no cadinho da humilhação, os homens agradáveis a Deus” (Eclo 2, 1-5).
O profeta Davi também deixou sábias orientações para os justos e aos sábios, afim que eles se mantivessem firmes naquele estilo de vida que agrada a Deus, dizendo-lhes: “Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Não serão envergonhados nos maus dias, mas nos tempos de penúria, saciados. Afasta-te do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição” (Sl 36, 3-4; 27; 39).
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