

Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados; que eles desfrutem a terra de Basã e Galaad, como nos velhos tempos. E, como foi nos dias em que nos fizeste sair do Egito, faze-nos ver novos prodígios. Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados. Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos.
Favorecestes, ó Senhor, a vossa terra, libertastes os cativos de Jacó. Perdoastes o pecado ao vosso povo, encobristes toda a falta cometida; retirastes a ameaça que fizestes, acalmastes o furor de vossa ira. Renovai-nos, nosso Deus e Salvador, esquecei a vossa mágoa contra nós! Ficareis eternamente irritado? Guardareis a vossa ira pelos séculos? Não vireis restituir a nossa vida, para que em vós se rejubile o vosso povo? Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, concedei-nos também vossa salvação!
Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.
Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos ensina que Jesus veio a este mundo para reconstruir a Casa de Israel e restabelecer a grande Família do Senhor a partir de seus discípulos. E, por incrível que pareça, Jesus disse que ele haveria de reconstruir a Casa de Israel num novo relacionamento de amor entre Deus e o seu Povo, entre Deus e cada indivíduo de seu povo, dizendo: “Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos” ( Jo 14, 23).
Jesus Cristo, na sua pregação evangélica, sempre foi muito simples, claro e sem meias palavras. Aproveitava-se das coisas concretas da vida para dar a sua mensagem, bem como se servia de certas circunstâncias do momento para expressar certas verdades doutrinais. Embora, este modo de proceder tinham as sua vantagens, contudo, por outro lado, tinha as suas desvantagens, pois poderiam melindrar certas sensibilidades humanas. Porém, o modo delicado e respeitoso de Jesus falar, dificilmente provocava algum mal-estar nas pessoas.
Em todo caso, no Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus se serviu da presença de sua mãe e de seus irmãos para ensinar aos seus discípulos e às multidões que ali se aglomeravam em torno dele, uma doutrina muito interessante sobre a sua Igreja. Estando ali diante de seus discípulos, de sua mãe e de seus irmãos, Jesus quis deixar claro que ele viera a este mundo para restaurar a Casa de Israel e instaurar um novo Povo de Deus, que seria a sua grande família, a sua Igreja! E neste novo Povo de Deus que Jesus veio instaurar no mundo, deviam se estabelecer novas relações familiares e fraternas entre as pessoas que fizessem parte dela, constituindo-o numa comunidade de irmãos que se congregassem em torno de Jesus Cristo, o Senhor Deus e Salvador, na sua Igreja! Assim, de um modo muito simples e espontâneo, “estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe'” (Mt 12, 49-50).
Este modo de falar de Jesus e o seu jeito de proceder com as pessoas faziam crer que ele era o Messias prometido por Deus ao rei Davi, e que ele devia ser aquele que fora anunciado pelos antigos profetas. Pois, todos os antigos profetas anunciaram que haveria de vir um Messias e Pastor, da descendência de Davi, que haveria de restaurar a Casa de Israel e restabelecer a grande família de Jacó. Era, portanto, sobre isto que o profeta Miquéias anunciava, dizendo: “Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados. Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados. Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos” (Mq 7, 14; 18-20).
Portanto, caros irmãos, Jesus Cristo ao se apresentar como aquele que estava reunindo em torno de si uma nova família – formada por pessoas vindas da grande família de Abraão e de Jacó -, ele estava, na verdade, anunciando a criação de uma nova comunidade familiar. Esta grande família, bem mais ampla, formada por discípulos obedientes a Deus Pai, que se tratariam mutuamente como irmãos; era algo totalmente novo e extraordinário, perfazendo aquela universal comunidade eclesial da Igreja Católica; como disse Jesus: “Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12, 50). E estas palavras confirmavam a profecia de Miquéias, que dizia: “Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos” (Mq 7, 20).
E, finalmente, o Espírito Santo confirmou tudo isto que foi dito, anunciando que a Igreja de Deus e a Casa de Israel seria restauradas somente depois que os filhos de Jacó recebessem o perdão de seus pecados e acolhessem a salvação que vinha de Deus, através de nosso Redentor e Salvador Jesus Cristo, dizendo: “Perdoastes o pecado ao vosso povo, encobristes toda a falta cometida; Renovai-nos, nosso Deus e Salvador, esquecei a vossa mágoa contra nós! Não vireis restituir a nossa vida, para que em vós se rejubile o vosso povo? Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, concedei-nos também vossa salvação” (Sl 84, 3; 5; 7-8)!
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