

Disse-me o Senhor: “Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado”. E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa”. E, agora, diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor, esta é a minha glória. Disse ele: “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra”.
Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me! Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo.
Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor! Salve, ó rei, obediente ao Pai, vós fostes levado para ser crucificado, como um manso cordeiro é conduzido à matança.
Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. Então o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Depois do pedaço de pão, satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”. Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: “Compra o que precisamos para a festa” ou que desse alguma coisa aos pobres. Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará logo. Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”. Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde”. Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo, o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.
Caríssimos discípulos e discípulas de Cristo! A Liturgia da Palavra desta terça-feira da Semana Santa, nos remete àquele momento solene, no Cenáculo, quando Jesus se reuniu ali com os seus discípulos, durante a ceia. Ali, naquele momento solene, ele se apresentou aos seus discípulos como o Cordeiro de Deus que deveria ser sacrificado em breve. Ao mesmo tempo ele disse que um dos discípulos o haveria de negar e o outro o haveria de trair, conspirando com os seus inimigos para o matar.
Antes de proceder à instituição da Eucaristia Jesus teve que resolver dois problemas com dois apóstolos, estabelecendo um julgamento sobre eles, os quais eram: Judas Iscariotes e Simão Pedro. Primeiramente, o caso de Judas Iscariotes era mais grave, pois ele mancharia a reputação de toda a comunidade apostólica, com a sua atitude ímpia e covarde de trair Jesus. Por isso, Jesus haveria de, naquele momento, entregar Judas Iscariotes nas mãos do maligno, condenando-o como um réprobo, por ter, obstinadamente, decidido traí-lo de forma vil e covarde. E como que ele não demonstrasse nenhum gesto de arrependimento, Jesus, então, lhe disse: “’Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará’. Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. Então o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: ‘Senhor, quem é?’ Jesus respondeu: ‘É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho’. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente” (Jo 13, 21-26).
Em seguida Jesus advertiu severamente ao outro apóstolo, Simão Pedro – o qual Jesus tinha escolhido para ser o chefe dos apóstolos e da sua Igreja – que o haveria de, naquela mesma noite, negá-lo por três vezes, de forma vergonhosa e, igualmente, covarde! Naquele momento, “Simão Pedro perguntou-lhe: ‘Senhor, para onde vais?’ Jesus respondeu-lhe: ‘Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde’. Pedro disse: ‘Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!’ Respondeu Jesus: ‘Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo, o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes’” (Jo 13, 36-38). Mas, a este apóstolo, Jesus deu-lhe o perdão antecipado, por ver que ele haveria de cometer tal pecado muito mais por fraqueza e pusilanimidade do que por malícia. E Jesus sabia que Pedro haveria de arrepender-se amargamente, logo a seguir!
Então, reunido com os seus discípulos, no Cenáculo, Jesus arrebanhou em torno de si o pequeno resto de Israel, como profetizou Isaías, dizendo: “E, agora, diz-me o Senhor que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor, esta é a minha glória. Disse ele: “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra” (Is 49, 5-6).
Os apóstolos, aturdidos e confusos com tudo o que estavam vendo e ouvindo, sem saber como agir, estavam assustados e perplexos diante daquela situação. Sentindo-se frágeis e abatidos, clamavam em seus corações ao Senhor e Salvador Jesus Cristo, dizendo: “Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!. Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo” (Sl 70, 1; 3).
E todos nós, caros irmãos, unidos aos apóstolos aclamemos a Jesus, dizendo: “Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor! Salve, ó rei, obediente ao Pai, vós fostes levado para ser crucificado, como um manso cordeiro é conduzido à matança” (Acl. ao Ev.).
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