

Irmãos, perseverai no amor fraterno. Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros. Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. De modo que podemos dizer, com ousadia: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade.
O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? Se contra mim um exército se armar, não temerá meu coração; se contra mim uma batalha estourar, mesmo assim confiarei. Pois um abrigo me dará sob o seu teto nos dias da desgraça; no interior de sua tenda há de esconder-me e proteger-me sobre a rocha. Senhor, é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! Não afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! Não me esqueçais nem me deixeis abandonado.
Felizes os que observam a palavra do Senhor, pois os que tem um coração reto e perseverante produzem muitos frutos!
Naquele tempo, o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”. Ouvindo isto, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.
Caros irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra quis nos dar hoje um ardente e impressionante testemunho em favor do grande profeta João Batista. Mesmo que ele tenha sido um profeta muito respeitado em Israel, João Batista acabou atraindo sobre si muitos inimigos e opositores que o perseguiram duramente. Ele anunciava a vinda do Messias e convocava as pessoas a se preparem para o acolherem bem, fazendo penitência e se arrependerem de seus pecados. Por defender a Lei de Deus e a santidade do matrimônio, ele denunciou o adultério de Herodes e Herodiades, que tornou-se o motivo de sua prisão e da sua morte.
O Evangelista Marcos apresentou João Batista no meio de uma grande polêmica em torno da pessoa de Jesus. Visto que muitos achavam que Jesus fosse o próprio “João Batista que ressuscitou dos mortos. Por isso, eles diziam, que os poderes de João Batista agiam nesse homem” (Mc 6, 14). Esta forma distorcida de achar que Jesus Cristo fosse João Batista ressuscitado dos mortos era propagada em toda a região da Galileia e da Judeia, ao ponto de Herodes estar, de fato, convencido disto, pois ele mesmo dizia: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” (Mc 6, 16).
De fato, alguns elementos faziam crer que haviam certas semelhanças entre João Batista e Jesus Cristo, que os pudessem ser confundidos como se fossem uma mesma pessoa. Certamente havia uma semelhança física entre ambos, por serem primos e por terem uma mesma idade. Além disto os dois tinham um teor de vida muito semelhante, pois ambos levavam uma vida pobre e despojada, exercendo o seu ministério profético itinerante, pregando um mesmo evangelho e arrebanhando multidões com suas pregações e com os milagres que realizavam. “Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava” (Mc 6, 20). Tudo isto mostrava o quanto João Batista era próximo de Jesus e lhe era semelhante em tudo. Além disto, a prisão e a morte de João Batista coincidiu com a manifestação pública de Jesus Cristo, fazendo com que as pessoas pudessem achar que Jesus fosse João Batista ressuscitado.
Depois de relatar estas coisas, o Evangelista Marcos se pôs a descrever os motivos da prisão e da morte de João Batista, dizendo: “Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. João dizia a Herodes: ‘Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão’. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia” (Mc 6, 17-19). E pouco tempo depois, Herodíades exigiu que Herodes mandasse matar João Batista, do seguinte modo: “Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe” (Mc 6, 27-28).
João Batista, portanto, foi martirizado por ter exercido o seu ministério profético com toda perfeição e honestidade. Ao defender a santidade do matrimônio, conforme a Lei de Deus, ele denunciava o adultério de Herodes e Herodíades, atraindo sobre si o ódio de ambos. Por isso, podemos dizer que João Batista foi o grande profeta e mártir defensor da santidade do matrimônio e que denunciou, com toda coragem, os pecados contra a Lei de Deus, sobretudo o pecado do adultério.
Jesus Cristo, em seu Evangelho, manteve aquela mesma moral divinamente revelada na Lei de Moisés e defendida com todo ardor por João Batista. Ele, em seu Evangelho, instituiu o matrimônio como Lei divina, na forma de um contrato indissolúvel, divinamente estabelecido. E os Apóstolos, posteriormente, permaneceram fiéis a esta mesma doutrina do Evangelho de Cristo, dizendo: “O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros” (Hb 13, 4).
Por isso, caríssimos irmãos permaneçamos firmes na lei do Senhor, guardando a pureza e a santidade do matrimônio, se quisermos alcançar a salvação, como dizia o profeta: “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei. Ó Senhor, é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! Não afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! Não me esqueçais nem me deixeis abandonado.” (Sl 26, 1; 8)? E por fim, como dizia o Senhor Jesus: “Serão felizes todos aqueles que observarem a palavra do Senhor, pois todos aqueles que têm um coração reto e perseverante produzem muitos frutos” (Cfr. Lc 8, 15)!
WhatsApp us