

Irmãos, não estou mentindo, mas, em Cristo, digo a verdade, apoiado no testemunho do Espírito Santo e da minha consciência. Tenho no coração uma grande tristeza e uma dor contínua, a ponto de desejar ser eu mesmo segregado por Cristo em favor de meus irmãos, os de minha raça. Eles são israelitas. A eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas e também os patriarcas. Deles é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos — Deus bendito para sempre! — Amém!
Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou; a paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Diante de Jesus, havia um hidrópico. Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?” Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” E eles não foram capazes de responder a isso.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos coloca diante de um grande paradoxo que se verificou naquela geração de judeus, nos tempos de Jesus e dos apóstolos. Pois, todos os judeus de todos os tempos tinham sido agraciados com os melhores dons divinos e tinham sido privilegiados por uma herança espiritual fabulosa. Porém, apesar disto, apenas uma pequena minoria de judeus acreditou em Jesus Cristo, como o seu Senhor e Messias Salvador. Os outros, apesar de todos os dons divinos, não acreditaram, demonstrando uma impiedade e uma incredulidade espantosa, sendo excluídos da salvação e daquela herança espiritual que haviam herdado de seus pais.
O grande profeta judeu, o rei Davi, homem de fé inabalável e humilde, profetizava a respeito do Messias, dizendo que ele haveria de vir para amparar e salvar o povo de Israel. Davi, portanto, procurou preparar o povo judeu para receber o Messias com fé, dizendo: “Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos” (Sl 147, 12; 19-20). Porém, infelizmente, quando Jesus Cristo, o Messias e Salvador, esteve no meio deles, ele foi rejeitado por muitos, que o trataram com frieza e incredulidade.
São Paulo, que era de origem judaica e que tinha um grande zelo pelo judaísmo, elencou os grandes dons que o povo judeu havia recebido de Deus, dizendo: “Eles são israelitas. A eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas e também os patriarcas. Deles é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos — Deus bendito para sempre” (Rm 9, 4-5)! Entretanto, apesar de tudo isto, a grande maioria do povo judeu se negou a reconhecer Jesus como o Messias e Salvador, e não aceitou o seu convite de conversão para se salvar e fazer parte do Reino do seu Reino de Paz. Isto deixou Paulo muito angustiado e escandalizado.
Na verdade, aquela geração de judeus que demonstrara uma incredulidade espantosa, havia deixado o próprio Jesus Cristo e os apóstolos impressionados com tamanha cegueira e obstinação! Um dos exemplos mais impressionantes desta incredulidade foi quando, “num dia de sábado, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: ‘A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?’ Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o hidrópico pela mão, curou-o e despediu-o. Depois lhes disse: ‘Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?’ E eles não foram capazes de responder a isso” (Lc 14, 3-6). Jesus, por certo, não fazia os milagres com o intuito de provocá-los, mas para convertê-los e dar-lhes a graça da salvação. Assim, realizando os milagres Jesus procurava despertar neles a fé na sua condição divina, revelando-lhes, deste modo, que ele era o mesmo Deus dos judeus, de Moisés e de Abraão; o Salvador e Messias que veio para os visitar e os salvar!
Entretanto, por incrível que pareça, a incredulidade e a hipocrisia dos mestres da Lei e dos fariseus contaminara a muitos judeus, pervertendo-os e tornando-os incrédulos e duros de coração! Isto fez com que muitos daquela geração não se convertessem a Jesus Cristo; fazendo com que grande parte dos judeus fosse, infelizmente, excluída desta salvação apresentada por Cristo! Diante disto, indignado e angustiado com esta situação – ardendo de amor e de zelo pelo povo judeu -, Paulo disse que preferia perder a sua própria salvação, se isto revertesse em conversão e salvação de Israel, dizendo: “Irmãos, não estou mentindo, mas, em Cristo, digo a verdade, apoiado no testemunho do Espírito Santo e da minha consciência. Tenho no coração uma grande tristeza e uma dor contínua, a ponto de desejar ser eu mesmo segregado por Cristo em favor de meus irmãos, os de minha raça” (Rm 9, 1-3).
Porém, Paulo deveria resignar-se com esta situação, pois, não dependia dele a salvação de quem quer que fosse, mesmo que este sujeito fizesse parte do povo de Israel. Pois, o chamado à salvação foi dado a todos os membros do povo de Israel e a cada uma em particular. Neste caso, efetivamente entrar no caminho de salvação e abraçar a salvação oferecida por Jesus Cristo, o Salvador, dependia da disposição, do livre arbítrio e da fé de cada pessoa em particular! Pois, cada pessoa se tornaria responsável, em sua consciência, de aderir ou não à Jesus Cristo. E, do mesmo modo, cada qual seria responsável pela sua própria salvação e por sua ruína eterna! Portanto, todo aquele que renegasse voluntariamente esta fé, perderia a salvação. E os que perseverassem como ovelhas do rebanho de Cristo, seriam salvos! Jesus bem sabia quais eram as ovelhas de seu rebanho e quais eram as pessoas que haveriam de segui-lo, reconhecendo-o como o seu Senhor e Salvador no caminho de salvação; como ele mesmo disse: “Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10, 27).
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