

Caríssimos, já que sabeis que ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça nasceu dele. Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. Todo o que comete pecado, comete também a iniquidade, porque o pecado é a iniquidade. Vós sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados e que nele não há pecado. Todo aquele que peca mostra que não o viu, nem o conheceu.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo* alcançaram-lhe a vitória. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai! Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa e da cítara suave! Aclamai, com os clarins e as trombetas, ao Senhor, o nosso Rei!
A Palavra se fez carne, e habitou entre nós; e todos os que a acolheram se tornaram filhos de Deus
No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje, neste Tempo do Natal, nos coloca diante de João Batista e do seu testemunho de fé em Jesus Cristo, o Senhor e Redentor de nossos pecados. Ele se apresentou, nesta celebração litúrgica, como o Profeta autorizado por Deus, dando um testemunho eloquente sobre a divindade de Jesus e sobre sua missão salvífica de nos libertar e de nos redimir dos nossos pecados.
Toda a pregação de João Batista girava em torno da pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, que já estava no meio do povo e que deveria, em breve, se manifestar como o manso Cordeiro de Deus para ser o nosso Redentor e Libertador! Quando João Batista o avistou pela primeira vez, radiante de alegria, exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29). Estas palavras sintetizavam um extenso discurso sobre a dupla natureza de Cristo, no qual João anunciava um poderoso testemunho de fé, reconhecendo que naquele homem, Jesus Cristo, se escondia misteriosamente a natureza divina do Filho de Deus, ao chamá-lo de “Cordeiro de Deus”. E, ao mesmo tempo, João anunciava a todos os judeus que o ouviam a respeito da missão redentora de Cristo, pois ele haveria de sacrificar a sua vida pela remissão dos pecados de toda a humanidade! Portanto, ele haveria de derramar o seu sangue, num verdadeiro sacrifício agradável a Deus, em remissão de nossos pecados!
As palavras de João Batista eram muito semelhantes àquelas palavras proféticas do Evangelista João, quando este anunciava os mistérios da Encarnação do Verbo de Deus, no Prólogo do seu Evangelho, dizendo: “A Palavra de Deus que se fez carne, e habitou entre nós; e deste modo, todos os que a acolherem com fé, e se arrependerem de seus pecados, se tornariam filhos de Deus” (Cfr. Jo 1, 14.12).
João Batista, ao lado dos Apóstolos, foi a testemunha mais autorizada de nosso Senhor Jesus Cristo; sobretudo quando ele revelava os Mistérios da Encarnação e da Redenção de Jesus, inspirado pelo próprio Espírito Santo. Pois foi ele quem deu testemunho sobre Jesus, declarando-o como o Salvador e o Redentor do mundo. Por isso, ele dizia abertamente a todos os judeus, que este Jesus era o Messias prometido, o Filho de Deus, dizendo-lhes: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! Pois, eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!” (Jo 1, 32-34).
João Batista, depois de ter visto esta prodigiosa manifestação divina no momento em que batizava Jesus Cristo, tinha a intensão de fazer reboar no mundo inteiro a sua voz para proclamar esta sublime notícia sobre a natureza divina de Cristo e sobre a sua missão redentora. Ele queria que todos ouvissem o seu testemunho, gritando a plenos pulmões, dizendo: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus” (Sl 97, 2-3).
E assim, caros irmãos, este batismo de Jesus Cristo, anunciado por João, tinha o poder de transformar os homens em filhos de Deus, e herdeiros da vida eterna. Como disse Apóstolo São João, em sua epístola: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1Jo 3, 1-2).
WhatsApp us