

Uma palavra amena multiplica os amigos e acalma os inimigos; uma língua afável multiplica as saudações. Sejam numerosos os que te saúdam, mas teus conselheiros, um entre mil. Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação; e não te apresses em confiar nele. Porque há amigo de ocasião, que não persevera no dia da aflição. Há amigo que passa para a inimizade, e que revela as desavenças para te envergonhar. Há amigo que é companheiro de mesa e que não persevera no dia da necessidade. Quando fores bem sucedido, ele será como teu igual e, sem cerimônia, dará ordens a teus criados. Mas, se fores humilhado, ele estará contra ti e se esconderá da tua presença. Afasta-te dos teus inimigos e toma cuidado com os amigos. Um amigo fiel é poderosa proteção: Ao amigo fiel não há nada que se compare, é um bem inestimável. Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. Quem teme o Senhor, conduz bem a sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo.
Ó Senhor, vós sois bendito para sempre; os vossos mandamentos ensinai-me! Minha alegria é fazer vossa vontade; eu não posso esquecer vossa palavra. Abri meus olhos, e então contemplarei as maravilhas que encerra a vossa lei! Fazei-me conhecer vossos caminhos, e então meditarei vossos prodígios! Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei, e de todo o coração a guardarei. Guiai meus passos no caminho que traçastes, pois só nele encontrarei felicidade.
Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Naquele tempo, Jesus foi para o território da Judeia, do outro lado do rio Jordão. As multidões se reuniram de novo, em torno de Jesus. E ele, como de costume, as ensinava. Alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?” Os fariseus responderam: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”. Jesus então disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos fala sobre o sacramento do Matrimônio. Este consórcio conjugal entre um homem e uma mulher, que realiza uma comunhão de vida entre o casal, foi instituída por Deus e estabelecido por ele como um sólido fundamento da família humana e cristã. E este vínculo matrimonial deveria se realizar em conformidade com a vontade divina, pois, como disse o Senhor: “O que Deus uniu, o homem não separe” (Mc 10, 9)!
Em poucas palavras Jesus conseguiu ensinar-nos toda a sua doutrina sobre o sacramento do Matrimônio. Depois de ter sido provocado pelos fariseus para que ele se posicionasse sobre esta matéria, Jesus deu uma aula magistral sobre o tema, apresentando toda a doutrina cristã e evangélica sobre o sacramento do Matrimônio. Depois de ter ouvido qual era a posição dos fariseus sobre a união conjugal e qual era a orientação que eles haviam recebido de Moisés, Jesus logo refutou-os, dizendo que o divórcio feito daquela maneira era injusto e pecaminoso. Por isso, ele lhes disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento” (Mc 10, 5). E logo a seguir Jesus demonstrou que a sua doutrina sobre o matrimônio não tinha nada de novo, pois as suas orientações sobre o matrimônio eram as mesmas que Deus havia estabelecido no início da criação. Então ele recordou-lhes a doutrina original de Deus, quando, lá no princípio, ele os fez homem e mulher, dizendo-lhes: “No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mc 10, 6-9)!
Para os apóstolos e para a sua Igreja, Jesus acrescentou, logo a seguir, uma breve explicação para que não ficasse qualquer dúvida a respeito das normas que ele estava estabelecendo em sua Igreja sobre o Matrimônio, dizendo: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério” (Mc 10, 11-12). Portanto, com estas palavras Jesus alertava os seus discípulos e todos os cristãos de todos os tempos – sobretudo aos membros de sua Igreja -, que eles cometeriam pecado grave de adultério se não respeitassem estas normas que ele estabelecera para o sacramento do Matrimônio. Pois, ele havia estabelecido um vínculo matrimonial indissolúvel e por toda vida, pois, “o que Deus uniu, o homem não separe” (Mc 10, 9)!
Para que este vínculo e este consórcio matrimonial entre o esposo e a esposa não se transformasse num fardo muito pesado a ser carregado, era necessário que estre os dois existisse um vínculo de amor e de mútua afeição. Pois, o amor e a amizade são meios formidáveis para suportar os defeitos da pessoa amada e eles amenizam as contrariedades e as aflições da vida. Já dizia o sábio profeta: “Uma palavra amena multiplica os amigos e acalma os inimigos; uma língua afável multiplica as saudações. Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação; e não te apresses em confiar nele. Um amigo fiel é poderosa proteção: Ao amigo fiel não há nada que se compare, é um bem inestimável. Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. Quem teme o Senhor, conduz bem a sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo” (Eclo 6, 6-7;14-17).
E assim, caros irmãos, o esposo e a esposa que assumirem o seu matrimônio do jeito que Jesus lhes estabeleceu, seriam, sem dúvida, felizes! Felizes aqui neste mundo, por estarem cumprindo a vontade de Deus, permanecendo na santidade e na verdade; e, além disto, poderão desfrutar com toda alegria e prazer daquela comunhão de espírito e de corpo em sua vida conjugal. E por fim, no final de suas vidas, seriam, certamente, recebidos no Reino dos céus, por terem cumprido os preceitos do Senhor, na justiça e santidade! Como disse o profeta: “Minha alegria é fazer vossa vontade; eu não posso esquecer vossa palavra. Abri meus olhos, e então contemplarei as maravilhas que encerra a vossa lei! Guiai meus passos no caminho que traçastes, pois só nele encontrarei felicidade” (Sl 118, 16; 18; 35).
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