

Irmãos, estou ciente que o bem não habita em mim, isto é, na minha carne. Pois eu tenho capacidade de querer o bem, mas não de realizá-lo. Com efeito, não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, então já não sou eu que estou agindo, mas o pecado que habita em mim. Portanto, descubro em mim esta lei: Quando quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. Como homem interior ponho toda a minha satisfação na lei de Deus; mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão e me aprisiona na lei do pecado, essa lei que está em meus membros. Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Dai-me bom senso, retidão, sabedoria, pois tenho fé nos vossos santos mandamentos! Porque sois bom e realizais somente o bem, ensinai-me a fazer vossa vontade! Vosso amor seja um consolo para mim, conforme a vosso servo prometestes. Venha a mim o vosso amor e viverei, porque tenho em vossa lei o meu prazer! Eu jamais esquecerei vossos preceitos, por meio deles conservais a minha vida. Vinde salvar-me, ó Senhor, eu vos pertenço! *
Porque sempre procurei vossa vontade.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
Naquele tempo, Jesus dizia às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo? Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia. Eu te digo: daí tu não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra quer abrir os nossos olhos para alguns mistérios da nossa vida aqui neste mundo, e que exigem de nós um esforço de inteligência para compreender tais coisas. Jesus Cristo quis nos revelar os luminosos mistérios do Reino de Deus, que seriam percebidos com nossos olhos da fé e da esperança. São Paulo, por sua vez, nos revelou o mistério mais obscuros e tenebrosos da iniquidade que habita em nossos membros carnais.
Jesus, no Evangelho que acabamos de ouvir, exortava os seus discípulos a fazerem um esforço de inteligência muito grande, para decifrar e interpretar aquilo que ele chamava de “Sinais dos Tempos”, quando ele dizia: “Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo” (Lc 12, 56-57)? Jesus reagiu com uma certa impaciência e indignação diante dos judeus que o ouviam e dos seus discípulos, por demonstrarem uma certa preguiça mental em não querer refletir bem, e não perceber os desígnios divinos nos sinais que Deus costuma dar aos seus servos e amigos. Pois Deus dá, aos que estão abertos à graça divina e à luz de sua Sabedoria, a manifestação de sua vontade e dos seus desígnios, através de sinais que as pessoas sensatas e imbuídas de fé conseguem decifrar e enxergar!
Depois de chamar os seus ouvintes a abrirem os olhos de suas mentes, para reconhecerem os mistérios divinos que estavam sendo revelados a eles, Jesus voltou os seus olhos para o alto e dirigiu a Deus Pai a seguinte oração: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores” (Mt 11, 25)! Portanto, os “sinais do tempos” que os Senhor Jesus estava revelando, e que os discípulos deviam saber interpretar e perceber, eram, na verdade, os sinais deste Reino de Deus que Jesus estavam instaurando no mundo. Era justo e necessário que os apóstolos já estivessem em condições de perceber estes sinais espirituais deste Reino, que Jesus, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores estava revelando aos homens.
Já São Paulo, na Carta aos Romanos, demonstrou uma certa confusão e um certo escândalo por se perceber tão frágil e impotente diante das forças do mal e do pecado. Ele percebia, a certo modo indignado, que dentro dele combatiam forças e inclinações contraditórias que se opunham entre si. Cujas forças e inclinações psicológicas, estreitamente vinculados com as concupiscências da carne, o induziam ao pecado, sem que ele, propriamente quisesse. Então, levado por esta reflexão, São Paulo revelou-nos este mistério da iniquidade que morava dentro de nós, dizendo: “Eu descubro em mim esta lei: Quando quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. Como homem interior ponho toda a minha satisfação na lei de Deus; mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão e me aprisiona na lei do pecado, essa lei que está em meus membros” (Rm 7, 21-24).
Embora em seu espírito Paulo reconhecesse que estivesse plenamente justificado de seus pecados, e trazia dentro de si o Espírito Santo que o sustentava na santidade, afastando-o de todo pecado; contudo, ele reconhecia que trazia em sua carne as inclinações perversas do pecado. Tomando ciência disto, ele exclamou, dizendo: “Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 7, 25).
O Salmista, por sua vez, nos exortou a buscarmos um estilo de vida pautado nos mandamentos divinos, para que, desta forma, consigamos levar uma vida na retidão, na sabedoria e na fidelidade a Deus. Assim, combatendo arduamente as inclinações do mal em sua carne, procurava fortalecer-se na graça e na luz da sabedoria divina, dizendo: “Dai-me bom senso, retidão, sabedoria, pois tenho fé nos vossos santos mandamentos! Porque sois bom e realizais somente o bem, ensinai-me a fazer vossa vontade! Eu jamais esquecerei vossos preceitos, por meio deles conservais a minha vida. Vinde salvar-me, ó Senhor, eu vos pertenço! Porque sempre procurei vossa vontade” (Sl 118, 67-68; 93-94).
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