

Caríssimo, ensina e recomenda estas coisas. Quem ensina doutrinas estranhas e discorda das palavras salutares de Nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina conforme à piedade, é um obcecado pelo orgulho, um ignorante que morbidamente se compraz em questões e discussões de palavras. Daí é que nascem invejas, contendas, insultos, suspeitas, porfias de homens com mente corrompida e privados da verdade que fazem da piedade assunto de lucro. Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, mas quando acompanhada do espírito de desprendimento. Porque nada trouxemos ao mundo como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos. Os que desejam enriquecer, caem em tentação e armadilhas, em muitos desejos loucos e perniciosos que afundam os homens na perdição e na ruína, porque a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro. Por se terem deixado levar por ela, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos. Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas.
“Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5,3). Por que temer os dias maus e infelizes, quando a malícia dos perversos me circunda? Por que temer os que confiam nas riquezas e se gloriam na abundância de seus bens? Ninguém se livra de sua morte por dinheiro nem a Deus pode pagar o seu resgate. A isenção da própria morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal. Não te inquietes, quando um homem fica rico e aumenta a opulência de sua casa; pois ao morrer não levará nada consigo, nem seu prestígio poderá acompanhá-lo. Felicitava-se a si mesmo enquanto vivo: “Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida!” Mas vai-se ele para junto de seus pais, que nunca mais e nunca mais verão a luz!
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
Naquele tempo, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
Caríssimos irmãos e irmãs, em Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje nos ensina os mistérios da doutrina evangélica Jesus Cristo; falando a respeito dos valores e das virtudes da pobreza e do despojamento dos bem materiais. Nesta doutrina Jesus e os apóstolos nos ensinaram que devemos abraçar a Jesus Cristo, como o Senhor e Salvador, levando um estilo de vida despojado dos bens materiais, num espírito de pobreza. Pois, somente deste modo os discípulos de Jesus estariam verdadeiramente livres e disponíveis para buscar com todo ardor o Reino de Deus, como aquele bem mais precioso de suas vidas!
Antes de tudo, caros irmãos, a Liturgia da Palavra nos ensina que o espírito de pobreza nos leva a evitar dois perigosos extremos: De um lado se evita aquela miséria extrema que provoca a carência total dos bens necessários para a sobrevivência neste mundo; por outro lado, se evita aquela riqueza, que consiste na abundância excessiva dos bens materiais, que em geral provocam um apego exagerado por eles. Portanto, somente mediante a moderação da pobreza poderemos alcançar uma vida digna e honesta neste mundo, permanecendo abertos para a esperança da vida eterna!
A exemplo de Cristo e de seus discípulos, que foram chamados para acompanhá-lo em suas viagens missionárias, todos levavam uma vida frugal, despojada e pobre. E, as mulheres que os acompanhavam lhes davam o sustento daquilo que lhes era necessário. Por isso, disse o Evangelista Lucas: “Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres: Maria, chamada Madalena, Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam” (Lc 8, 1-3). Portanto, Jesus Cristo saiu pelo mundo anunciando o Evangelho do Reino, sem fazer do seu trabalho de piedade e de evangelização um modo de obter lucros, dando um testemunho de vida pobre e simples, despojado dos bens materiais.
Por isso, este estilo de vida desapegado dos bens materiais e na pobreza tornou-se um formidável testemunho de vida evangélica, em conformidade com a própria doutrina que Jesus pregava. Pois, enquanto Jesus divulgava o Reino do céus ele estimulava as pessoas a buscarem as riquezas espirituais deste reino futuro, que se encontrava nos céus, sob a condição de levarem uma vida na humildade e na pobreza, dizendo-lhes: “Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5,3). E, em outro momento, durante uma oração que ele fez ao Pai Eterno, diante dos discípulos, Jesus dizia: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores” (Mt 11, 25)!
O apóstolo Paulo, por sua vez, advertia o seu discípulo Timóteo a levar uma vida exemplar nesta questão. Nem Timóteo – na condição de ministro da Palavra – e nem qualquer discípulo cristão deveria se deixar levar pela cobiça de bens materiais; pois a busca desenfreada dos bens deste mundo os desviariam do caminho de salvação, desmotivando-os na busca do Reino dos Céus. “Pois, como disse Paulo a Timóteo, os que desejam enriquecer, caem em tentação e armadilhas, em muitos desejos loucos e perniciosos que afundam os homens na perdição e na ruína, porque a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro. Por se terem deixado levar por ela, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos” (1 Tm 6, 9-10).
Tendo dito isto, Paulo acrescentou, exortando Timóteo a tomar muito cuidado nesta matéria, mantendo um espírito sóbrio e desapegados, dizendo: “Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, mas quando acompanhada do espírito de desprendimento. Porque nada trouxemos ao mundo como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos” (1 Tm 6, 6-8). Portanto, “tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna” (1 Tm 6, 11-12).
E, finalmente, o profeta Davi fez uma exortação cheia de sabedoria de vida, confirmando as palavras de Cristo e de Paulo, dizendo: “Por que temer os que confiam nas riquezas e se gloriam na abundância de seus bens? Ninguém se livra de sua morte por dinheiro nem a Deus pode pagar o seu resgate. A isenção da própria morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal” (Sl 48, 7-10).
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