

Aquela mesma voz do céu, que eu, João, já tinha ouvido, tornou a falar comigo: “Vai. Pega o livrinho aberto da mão do anjo que está de pé sobre o mar e a terra”. Eu fui até ao anjo e pedi que me entregasse o livrinho. Ele me falou: “Pega e come. Será amargo no estômago, mas na tua boca, será doce como mel”. Peguei da mão do anjo o livrinho e comi-o. Na boca era doce como mel, mas quando o engoli, meu estômago tornou-se amargo. Então ele me disse: “Deves profetizar ainda contra outros povos e nações, línguas e reis”.
Seguindo vossa lei me rejubilo muito mais do que em todas as riquezas. Minha alegria é a vossa Aliança, meus conselheiros são os vossos mandamentos. A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata. Como é doce ao paladar vossa palavra, muito mais doce do que o mel na minha boca! Vossa palavra é minha herança para sempre, porque ela é que me alegra o coração! Abro a boca e aspiro largamente, pois estou ávido de vossos mandamentos.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
Naquele tempo, Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os vendedores. E disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões”. Jesus ensinava todos os dias no Templo. Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam modo de matá-lo. Mas não sabiam o que fazer, porque o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos diz que a Palavra de Deus anunciada entre os homens se mostra sempre como um sinal de contradição. Os homens, por diferentes motivos e disposições, costumam receber a Palavra de Deus de diferentes modos. Uns, assim que ouvem a Palavra de Deus, logo a recebem com alegria como uma verdadeira Boa-Nova do Evangelho do Senhor! E outros, por puro preconceito ou má vontade, a rechaçam imediatamente, repelindo-a e combatendo-a com hostilidade.
Pois, a Palavra de Deus, caros irmãos, costuma apresentar-se com um caráter acentuadamente profético, provocando nos ouvintes dupla reação. Para uns, a Palavra de Deus é acolhida como a Boa-nova do Evangelho do Senhor, assim como os discípulos costumam acolher as palavras de Jesus, como ele disse: “Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10, 27). Porém, a outros, o anúncio profético da Palavra de Deus que os repreende e denuncia os seus pecados, chamando os pecadores à conversão, provoca neles muito mal-estar e hostilidades. Pois, estes homens não suportam que sejam repreendidos e não aceitam que os seus pecados sejam denunciados. Por isso, se revoltam contra o profeta, hostilizando-o e maltratando-o. Mas mesmo assim, o profeta está obrigado a profetizar a Palavra de Deus, como disse o Anjo ao apóstolo João: “Deves profetizar ainda contra outros povos e nações, línguas e reis” (Ap 10, 11).
Assim sendo, caros irmãos, quando Jesus começou a pregar o seu evangelho no Templo de Jerusalém, ele encontrou ali dentro muitas contrariedades. Primeiramente ele se deparou com uma situação absurda, que o deixou muito irritado, por terem transformado o Templo de Jerusalém numa praça de negócios. Pois, quando “Jesus entrou no Templo ele começou a expulsar os vendedores. E disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões” (Lc 19, 45-46). Depois disto, ao começar a sua pregação, ele encontrou no templo dois grupos de pessoas que reagiram de forma diferente diante de suas palavras, “pois os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam um modo de matá-lo. Mas não sabiam o que fazer, porque o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar” (Lc 19, 47-48).
São João, no Livro do Apocalipse, disse que em sua visão celestial, estando no Santuário Celeste, ouviu uma voz que lhe dizia: “Vai. Pega o livrinho aberto da mão do anjo que está de pé sobre o mar e a terra”. Eu fui até ao anjo e pedi que me entregasse o livrinho. Ele me falou: “Pega e come. Será amargo no estômago, mas na tua boca, será doce como mel”. Peguei da mão do anjo o livrinho e comi-o. Na boca era doce como mel, mas quando o engoli, meu estômago tornou-se amargo. Então ele me disse: “Deves profetizar ainda contra outros povos e nações, línguas e reis” (Ap 10, 9-11). Isto quer dizer que a sua pregação profética, seguindo o ensinamento daquele livrinho, teria a marca da contradição; sendo recebida com docilidade e bom grado por uns, e seria rejeitada e combatido amargamente por outros.
Por fim, irmãos caríssimos, gostaria de enaltecer o testemunho do profeta que anunciou a boa-nova dos preceitos do Senhor através do Salmo 118. Este salmo revelou-se como um grande hino profético de louvor às maravilhas e aos enormes benefícios que a Lei do Senhor pode produzir na vida de quem vier a praticá-la. E, ao mesmo tempo, ele exortava a todos os fiéis a não se oporem aos preceitos do Senhor, pois eles são os bens mais preciosos desta vida, para se levar uma vida digna e feliz. Por isso, ele dizia: “Seguindo vossa lei me rejubilo muito mais do que em todas as riquezas. Minha alegria é a vossa Aliança, meus conselheiros são os vossos mandamentos. A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata. Como é doce ao paladar vossa palavra, muito mais doce do que o mel na minha boca! Vossa palavra é minha herança para sempre, porque ela é que me alegra o coração” (Sl 118, 14; 24; 72;; 103; 111)!
Diante de tudo isto, entretanto, Jesus sabia que no meio deste mundo tão hostil e cheio de contrariedades ele tinha, ali no meio dos homens, as suas ovelhas que o ouviam com agrado e o seguiam com docilidade. Por isso, ele dizia com muita firmeza e confiança: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10, 27).
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