Naqueles dias, 10o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11“Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu”. 12Mas Acaz respondeu: “Não pedirei nem tentarei o Senhor”. 13Disse o profeta: “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”.
Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, * o mundo inteiro com os seres que o povoam; 2porque ele a tornou firme sobre os mares, * e sobre as águas a mantém inabalável. 3“Quem subirá até o monte do Senhor, * quem ficará em sua santa habitação?” 4“Quem tem mãos puras e inocente coração, * quem não dirige sua mente para o crime. 5Sobre este desce a bênção do Senhor * e a recompensa de seu Deus e Salvador”. 6“É assim a geração dos que o procuram, * e do Deus de Israel buscam a face”.
Ó chave de Davi, que abre as portas do reino eterno: oh, vinde e livrai do cárcere o preso, sentado nas trevas!
No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” 29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”. 38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos põe diante da obra suprema do mistério da Encarnação e da concepção do Verbo de Deus no ceio da Virgem Maria! Ela nos apresenta a realização das antigas promessas que Deus havia feito por meio dos profetas. A Liturgia da Palavra de hoje quer destacar o fato de que a Virgem Maria obteve a graça sobrenatural de conceber Jesus Cristo em seu seio, permanecendo virgem, sem o auxílio de nenhum homem. Este fato extraordinário e sobrenatural seria o sinal e a marca divina de que este menino formado no seio da Virgem Maria seria o filho de Maria, mas também o Filho do Altíssimo.
O profeta Isaías apresentou inúmeras referência proféticas sobre Jesus Cristo, como o Messias e o Salvador. Na passagem do seu livro que acabamos de ler, vimos que ele nos deu uma formidável revelação profética da concepção e do nascimento extraordinário e sobrenatural de Jesus Cristo. Nunca, jamais houve um fenômeno tão excepcional e divino quanto a concepção e o nascimento de uma criança de uma mãe virgem. Por vias naturais isto seria impossível! Porém, por vontade divina e por uma intervenção sobrenatural do Espírito Santo, seria possível. Por isso, a Virgem que concebeu permanecendo virgem era um sinal divino e um dos mais extraordinários milagres.
Por isso, o profeta Isaías ao se dirigir a Acaz, rei de Judá, lhe propôs que pedisse a Deus um sinal de seu poder divino, dizendo-lhe: “Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu” (Is 7, 11). Embora Acaz fosse um homem ímpio e indigno, no entanto, em consideração à sua condição régia como descendente de Davi, Deus lhe fizera esta deferência. Porém, a resposta que Acaz deu ao profeta foi de uma tal forma insolente e hipócrita que deixou Isaías indignado, quando lhe respondeu: “Não pedirei nem tentarei o Senhor” (Is 7, 12). Isaías, no entanto, sem se deixar levar pela afronta do rei iníquo, anunciou-lhe uma das mais sublimes revelações divinas que Deus haveria de realizar em um de seus descendentes, da casa de Davi, dizendo-lhe: “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7, 13-14).
Mesmo que Acaz tenha feito pouco caso desta profecia, na verdade ela se tornaria uma das profecias mais importantes e o testemunho mais eloquentes a respeito da concepção virginal de nosso Senhor Jesus Cristo. Este foi o sinal maravilhoso que Deus nos deu para revelar o mistério da Encarnação do Verbo de Deus que se fez homem, no seio virginal de Maria, assim como disse o profeta: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7, 14).
Setecentos anos depois, Deus decidiu realizar aquele estupendo prodígio de uma virgem conceber e dar à luz um filho. Tudo isto aconteceu quando o Anjo Gabriel, iluminado pelo Espírito Santo, foi encarregado por ele a dar este anúncio da Boa-Nova da Encarnação do Verbo no seio da Virgem Maria, e explicar a Maria, com toda delicadeza e simplicidade, este maravilhoso mistério. Pois, Maria havia demonstrado, num primeiro momento, que ficara assustada e apreensiva com a presença do Anjo. Por isso, para aclamá-la e instrui-la calmamente, para que ela pudesse facilmente entender os desígnios de Deus, o Anjo disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 30-33). Assim sendo, uma vez aceitando com fé e humildade as palavras do Anjo, o Espírito Santo realizou a imaculada conceição do Verbo Divino no ceio da sempre Virgem Maria (Cfr. Lc 1, 30-33)!
Desde aquele momento em que o Salvador veio nos visitar no seio da Virgem Maria, a salvação se tornou possível para todos nós, que vagávamos neste mundo de desolação. A partir daquele momento pudemos dizer a Jesus Cristo: “Ó chave de Davi, que abre as portas do reino eterno: oh, vinde e livrai do cárcere o preso, sentado nas trevas” (Acl. ao EV.)! E poderemos agora dizer com fé e confiança ao nosso Salvador, o filho da Virgem Maria: “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime. Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador” (Sl 23, 3-5).
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