

Caríssimos, quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? O Anticristo é aquele que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, também não possui o Pai. Quem confessa o Filho, possui também o Pai. Permaneça dentro de vós aquilo que ouvistes desde o princípio. Se o que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, permanecereis com o Filho e com o Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Escrevo isto a respeito dos que procuram desencaminhar-vos. Quanto a vós mesmos, a unção que recebestes da parte de Jesus permanece convosco, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. A sua unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa. Por isso, conforme a unção de Jesus vos ensinou, permanecei nele. Então, agora, filhinhos, permanecei nele. Assim poderemos ter plena confiança, quando ele se manifestar, e não seremos vergonhosamente afastados dele, quando da sua vinda.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira alegrai-vos e exultai!
Depois de ter falado, no passado, aos nossos pais pelos profetas muitas vezes, em nossos dias Deus falou-nos por seu Filho.
Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”. Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’ – conforme disse o profeta Isaías”. Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. Isso aconteceu em Betânia além do Jordão, onde João estava batizando.
Caríssimos irmãos, estamos ainda no Tempo do Natal, celebrando o Natal do Senhor e refletindo sobre o Mistério da Encarnação de Jesus. Na Liturgia de hoje, Jesus ainda era um ilustre desconhecido, vivendo seus últimos dias de vida oculta em Nazaré da Galileia. João Batista, no entanto, o anunciava, preparando o povo para acolhê-lo condignamente, dizendo que em breve o Messias haveria de se manifestar publicamente! Pois, a Palavra de Deus que era outrora transmitida pelos profetas ela se encarnou em Jesus Cristo, como disse o Apóstolo: “Depois de ter falado, no passado, aos nossos pais pelos profetas muitas vezes, em nossos dias Deus haveria de falar por meio de seu Filho” (Hb 1, 1-2).
João Batista, no Evangelho, nos deu um belo testemunho de Jesus, dizendo que o Messias prometido pelos profetas já tinha nascido e que estava no meio do povo, dizendo: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias” (Jo 1, 26-27).
Trinta anos depois do seu nascimento, Jesus Cristo percebeu que chegara a hora de se manifestar ao mundo. Por isso, João Batista, o Precursor e Profeta de Cristo, intensificou o seu testemunho a respeito de Jesus, dizendo a todo o povo: “‘Aplainai o caminho do Senhor’ – conforme disse o profeta Isaías. Pois, ‘eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim’” (Jo 1, 23; 26-27). João dizia a todo povo que se arrependesse de seus pecados para obter a salvação que vem de Deus, garantindo-lhes que este Cristo, que já estava no meio deles, era o Salvador, e que estava investido de poderes divinos de perdoar os pecados daqueles que fizessem penitência.
Entre outras palavras, João Batista utilizava-se das profecias de Davi para despertar no povo a confiança e a fé no Messias, o Salvador, dizendo: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus” (Sl 97, 1-3).
São João, na sua primeira carta aos cristãos do mundo inteiro, se esmerava em defender a doutrina verdadeira sobre a pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, já que a salvação de todos dependia da fé verdadeira em Cristo. Pois somente aqueles cristãos que perseverassem na fé verdadeira em Cristo, crendo que ele era o Filho de Deus, poderiam receber a salvação e a vida eterna, conforme as suas palavras: “Permaneça dentro de vós aquilo que ouvistes desde o princípio. Se o que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, permanecereis com o Filho e com o Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Então, agora, filhinhos, permanecei nele. Assim poderemos ter plena confiança, quando ele se manifestar, e não seremos vergonhosamente afastados dele, quando da sua vinda” (1Jo 2, 24-25; 28).
Mais tarde, nos tempos sombrios do século IV, com o término das perseguições do Império Romano contra os cristãos, a Igreja Católica passou por graves turbulências e provações. Grassava, sobretudo nas regiões orientais do Império, uma calamitosa heresia que contestava a divindade de Jesus, chamada “Arianismo”. Estes, ainda levavam o nome de cristãos, mas, infelizmente, tinham abandonado a fé em Cristo, tornando-se, como dizia João: “Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? O Anticristo é aquele que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, também não possui o Pai” (1Jo 2, 22-23).
Por isso, nesta época, surgiram os Padres da Igreja, bispos e doutores, dentre os quais, Santo Atanásio, São Basílio de Cesareia e São Gregório Nazianzeno, que defenderam corajosamente os fundamentos da nossa fé católica. Defenderam com seus escritos e pregações, os mistérios mais sublimes da nossa fé, sobretudo, os Mistérios da Encarnação e da Salvação de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, através destes santos padres “o Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai” (Sl 97, 2-4)!
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