

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?’” E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim, nós podemos comer. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis.’” A serpente disse à mulher: “Não, vós não morrereis. Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para obter conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira. Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava pelo jardim à brisa da tarde, Adão e sua mulher esconderam-se do Senhor Deus no meio das árvores do jardim.
Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade! Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: “Eu irei confessar meu pecado!” E perdoastes, Senhor, minha falta. Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais. Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós.
Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus!
Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos revela como o pecado entrou no mundo, e como os homens perderam a sua inocência original para se tornarem pecadores. Porém, quando Jesus veio a este mundo, ele mesmo deu início à restauração dos homens, começando pela restauração física, dando-lhes a cura de suas enfermidades. A seguir, deu-lhes a possibilidade de receber o perdão de seus pecados e a salvação eterna.
Quando Deus criou o homem e a mulher, colocando-os no Paraíso, ele os fez isento de pecado, vivendo em perfeita inocência e santidade! Porém, Deus lhes dera o livre-arbítrio em suas consciências, instruindo-os a fazer uso de sua liberdade para que permanecessem no bem, e evitassem o mal. Portanto, ao transgredirem aquela única norma que lhes fora dado, eles cometeram o pecado, e foram imediatamente castigados com aquela pena de morte que lhes fora prometida, quando Deus lhes disse: “Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis” (Gn 3, 3).
Infelizmente o homem e a mulher – apesar das boas inclinações da natureza humana para praticar o bem – se deixaram levar pelas tentações ilusórias do Maligno, preferindo fazer o mal, optando livremente pela infidelidade e pela desobediência a Deus, cometendo, assim, o pecado! O Maligno, por boca da serpente, disse à mulher: “Não, vós não morrereis. Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para obter conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu” (Gn 3, 4-6).
Desde então, o mal entrou no mundo por sugestão do Demônio. Assim, os nosso primeiros pais, enganados pelo iníquo tentador, cometeram o pecado mortal, fazendo com que toda a humanidade se tornasse portadora desta inclinação para o pecado. Pois, o Espírito Maligno havia inoculado na mente de Adão e Eva um fascínio e uma admiração pelo mal, como disse o autor sagrado: “A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para obter conhecimento” (Gn 3, 6). Desde aquele momento em que Adão e Eva pecaram, abriram-se os seus olhos, os seus ouvidos, a sua mente e o seus coração para o pecado, tornando-os cegos, surdos e mudos para o bem e para Deus.
Jesus Cristo, o Messias e Salvador, ao vir a este mundo, tinha por objetivo principal redimir e salvar os homens de seus pecados. Por isso, em sua pregação Jesus exortava a todos à conversão e que se afastassem de seus pecados. Porém, antes de realizar a restauração espiritual dos corações corrompidos pelo pecado, Jesus quis restaurar as pessoas de suas enfermidades e de seus defeitos corporais. Por isso, ele realizava muitos milagres e curas, para despertar nas pessoas a fé nos seus poderes divinos. Por isso, naquele tempo, “trouxeram a Jesus um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão” (Mc 7, 32).
Jesus não somente o abençoou, mas realizou um impressionante milagre, com um significado extraordinário, ao curar este homem surdo-mudo. Com este gesto, Jesus deu início à sua obra de restauração, libertando os homens dos efeitos nocivos do pecado. Assim sendo, ao realizar este milagre, “Jesus colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando, então, para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar” (Mc 7, 33-37).
Depois de ter realizado o milagre, Jesus começou a exortar a todos a se arrependerem de seus pecados e que os confessassem a Deus de todo coração, como fazia Davi, que disse em um de seus salmos: “Eu irei confessar meu pecado!” E perdoastes, Senhor, minha falta. Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais” (Sl 31, 5-6).
Por fim, caros irmãos, podemos todos juntos exultar de alegria, agradecendo ao Senhor e nosso Redentor, dizendo-lhe: “Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade” (Sl 31, 1-2)!
WhatsApp us