

Irmãos, trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós. Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos. De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. Assim, a morte age em nós, enquanto a vida age em vós. Mas, sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus.
Guardei a minha fé, mesmo dizendo: “É demais o sofrimento em minha vida!” Confiei, quando dizia na aflição: “Todo homem é mentiroso! Todo homem!” É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, vosso servo que nasceu de vossa serva; mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido
Como astros no mundo brilheis, pregando a Palavra da vida!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. Foi dito também: ‘Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio’. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos exorta a manter-nos fiéis à palavra do Senhor e aos seus mandamentos. Assim, guardando a fé em Jesus Cristo e evitando todo pecado grave, seremos dignamente recompensados com a salvação da vida eterna. Pois, todo aquele que, com grande sacrifício, evitar o pecado grave e guardar a sua fé em Jesus Cristo aqui neste mundo, será julgado digno de entrar no Reino dos Céus!
No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus Cristo estava orientando os seus discípulos e todos aqueles que estavam ouvindo a sua pregação a praticarem com todo empenho os mandamentos da Lei de Deus. Ele os exortava a evitar com coragem e determinação todo pecado grave, de modo especial os pecados cometidos contra o sexto e o nono mandamentos da Leis de Deus. Assim, ao tocar no tema do adultério – assunto extremamente constrangedor – Jesus disse que a Lei de Deus os proibia, por ser um pecado grave que feria tanto a dignidade da pessoa quanto a justiça. Por isso, Jesus disse: “Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério'” (Mt 5, 27). Porém, ele logo completou dizendo que não se cometia o adultério apenas pelo ato sexual, mas também pelo desejo desordenado dos olhos, dizendo o seguinte: “Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mt 5, 28).
Logo a seguir, o Bom Mestre deu a entender que a boa disposição dos homens e das mulheres em evitar e renunciar a tais tentações e pecados, referentes à concupiscência da carne, precisariam estar munidos de boas convicções religiosas, sustentados na fé e na graça divina, bem como, na esperança de salvação! Por isso, Jesus advertia a todos, dizendo: “Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno” (Mt 29-30).
São Paulo, na sua Segunda Carta aos Coríntios, quis consolar e estimular os cristãos daquela comunidade a manterem-se firmes na fé em Jesus Cristo, guardando os preceitos do seu Evangelho. Mesmo que isto lhes exigisse um grande espírito de sacrifício diante das tribulações e das perseguições. Ele mesmo se apresentou como exemplo e modelo a ser seguido, dizendo: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos” (2Cor 4, 8-10).
E, finalmente, Paulo exortou os cristãos daquela comunidade a suportarem as contrariedades da vida com paciência e fé, aguardando os bens da esperança cristã, confiando na futura ressurreição da vida eterna, dizendo: “Nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco” (2Cor 4, 13-14).
Em suma, o profeta Davi, confirmando as palavras de São Paulo, chorava e lamentava diante de Deus, porque ele teve que passar por tantas aflições e sofrimentos, para manter-se íntegro na fé e na conduta de vida, dizendo: “Guardei a minha fé, mesmo dizendo: ‘É demais o sofrimento em minha vida!’ Confiei, quando dizia na aflição: “Todo homem é mentiroso! É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, vosso servo que nasceu de vossa serva. Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor” (Sl 115, 14-17).
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