

Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante, Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram. Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. Exortai-vos, pois, uns aos outros, com estas palavras.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! pois Deus é grande e muito digno de louvor, é mais terrível e maior que os outros deuses, porque um nada são os deuses dos pagãos. Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus. O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim; e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho.
Naquele tempo, veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”. Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.” Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.
Caríssimos irmãos e irmãs, em Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje nos revela que aquele Jesus Cristo, o filho do carpinteiro, que viveu uma vida humana discreta e semelhante a todos os seus irmãos em Nazaré, da Galileia, era, na verdade, o Senhor nosso Deus que veio até nós para ser o nosso Redentor, o nosso Libertador e nosso Salvador!
Jesus Cristo, em todo caso, viveu aproximadamente trinta anos em Nazaré, da Galileia, sem jamais ter realizado qualquer prodígio extraordinário ou ter demonstrado qualquer sinal externo de sua condição divina. Ele viveu todo este tempo em Nazaré, entre os seus parentes e vizinhos, de forma discreta e humilde, sendo visto por todos como um ser humano igual aos outros, conforme o comentário do Evangelista, que disse: “Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: ‘Não é este o filho de José’” (Lc 4, 22)?
Entretanto, naquele momento em que Jesus retornava a Nazaré, depois de ter feito o seu primeiro giro missionário na Galileia, ele decidiu manifestar-lhes a sua condição divina de Messias e Profeta, não mediante sinais e milagres, mas mediante o anúncio profético do seu Evangelho. Por isso, ele reuniu todo o povo de Nazaré na sinagoga, no dia de sábado, para solenemente fazer-lhes tal revelação. “Deram-lhe, então, o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor’. Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lc 4, 17-21) .”
Sem fazer nenhum prodígio e milagre, Jesus revelou-se como o Profeta por excelência, o Messias prometido e que foi ungido pelo Espírito Santo, como disse o profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres …” (Lc 4, 18-19). Portanto, Jesus Cristo acabava de anunciar aos nazarenos, naquele momento, o seu Evangelho de libertação, de redenção e de salvação de toda a humanidade.
Embora a reação dos nazarenos tenha sido cheia de ambiguidades e de grande confusão, pois, num primeiro momento ficaram perplexos e maravilhados com suas palavras, mas, logo depois, se deixaram levar por paixões e sentimentos desordenados, repletos de hostilidades contra Jesus, a ponto de quererem levá-lo à morte! Porém, era de se esperar que estes judeus, ao invés de hostilizá-lo, ao contemplarem a face do Senhor na pessoa de nosso Salvador e Redentor Jesus Cristo, elevassem a ele cantos de louvor e de júbilo, dizendo: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! O céu se rejubile e exulte a terra, na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade” (Sl 95, 2-3; 11; 13). Mas não, enfurecidos “levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho” (Lc 4, 29-30).
São Paulo, na sua Carta aos Tessalonicenses, recordava aos cristão da comunidade de Tessalônica, que lhes fora anunciado o evangelho da salvação e da redenção entre eles, e que eles deveriam permanecer firmes nesta fé e nesta esperança, para alcançarem, no último dia de suas vidas, as graças da ressurreição e da salvação eterna, no Reino dos céus; dizendo-lhes: “Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante, Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4, 13-1’4; 16-17).
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