

Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptÃvel, que não estraga, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus. Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira — mais preciosa que o ouro perecÃvel, que é provado no fogo — e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizÃvel e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.
Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações. Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor.
Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos mediante sua pobreza.
Naquele tempo, quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele, e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!” Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discÃpulos: “Como é difÃcil para os ricos entrar no Reino de Deus!” Os discÃpulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difÃcil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossÃvel, mas não para Deus. Para Deus tudo é possÃvel”.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Palavra de Deus que acabamos de ouvir nos ensina o caminho da vida eterna e da salvação! As três leituras da Sagrada Escritura que ouvimos nos dão uma resposta à grande interrogação de nossa vida aqui neste mundo: O quê devemos fazer para alcançar a salvação e a vida eterna?
A expectativa por um reino futuro e eterno junto de Deus, que pudesse ser alcançado por aqueles que se esforçassem a viver na justiça neste mundo e por aqueles que procurassem ser fiéis a Deus em seus mandamentos, era algo que os Profetas antigos já vinham apregoando a muito tempo em Israel. Os Judeus, desde o tempo do exÃlio na Babilônia, vinham desenvolvendo uma crença num reino messiânico e eterno, no qual já estariam vivendo os Patriarcas e todos os justo, lá junto de Deus. Por isso, diziam em suas orações: “Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações. Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor” (Sl 110, 1; 6; 9-10).
No Evangelho que acabamos de ouvir, nós vimos que aquele jovem rico, que era um judeu piedoso, demonstrou que estava imbuÃdo desta mesma crença messiânica muito divulgada entre os judeus que conheciam a Sagrada Escritura. Deste modo, num certo dia, “quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele, e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna” (Mc 10, 17)? E em resposta, Jesus o lembrou aquelas palavras dos antigos profetas que diziam que este reino messiânico seria dado em heranças aos justo e aos praticantes da Lei, dizendo-lhe: “Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!” Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude” (Mc 10, 19-20). Portanto, Jesus lhe disse claramente que as portas do Reino dos céus estariam abertas a todos aqueles que estivessem sem pecado grave, guardando-se na justiça e praticando os Dez Mandamentos da Lei de Deus.
Porém, logo a seguir, ao tocar no assunto sobre as riquezas e os bens deste mundo, Jesus quis dizer ao jovem rico e a todas as pessoas ricas, que a riqueza e os bens materiais, por si só, não seriam propriamente um empecilhos para a salvação. Porém, a abundância de bens materiais se torna facilmente uma grande tentação. Pois, o homem rico com grande facilidade se apega à s suas riquezas, fazendo delas o sentido do seu viver e a sua felicidade. Assim entregando-se aos bens materiais, o rico logo perde todo interesse pelos tesouros do Reino dos céus e pela sua própria salvação. Sabendo disto, “Jesus então olhou ao redor e disse aos discÃpulos: ‘Como é difÃcil para os ricos entrar no Reino de Deus'” (Mc 10, 23)! Portanto, para evitar tudo isto, Jesus disse à quele jovem rico: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me” (Mc 10, 21)! Pois, na verdade, o próprio Jesus se apresentava como um homem desapegado e pobre dos bens materiais, mas rico dos tesouros espirituais da vida eterna! Pois, ele tinha vindo a este mundo para dar-nos desta sua riqueza, como disse o Apóstolo: “Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos mediante sua pobreza” (2Cor 8, 9).
São Pedro por sua vez, confirmou esta doutrina da esperança na vida eterna, anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus aos cristãos de todo o mundo, dizendo com todo entusiasmo e confiança: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptÃvel, que não estraga, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus” (Pd 1, 3-4).
Com isto, São Pedro garantia aos seus ouvintes que esta era a mensagem mais importante do seu Evangelho. Ela seria, portanto, motivo de grande alegria, mesmo passando por adversidades e provações. Ela seria, na verdade, uma promessa certa e segura à queles que perseverassem até o fim. A salvação na bem-aventurança eterna era o melhor bem que Deus podia lhes oferecer, como uma herança a ser conquistada depois da morte. Pois, “graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. Isto é motivo de alegria para vós. Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizÃvel e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (Pd 1, 5-9).
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