

“Eu te suplico, Senhor, Deus grande e terrível, que preservas a aliança e a benevolência aos que te amam e cumprem teus mandamentos; temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas, que, em teu nome, falaram a nossos reis e príncipes, a nossos antepassados e a todo o povo do país. A ti, Senhor, convém a justiça; e a nós, hoje, resta-nos ter vergonha no rosto: seja ao homem de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo Israel, seja aos que moram perto e aos que moram longe, de todos os países, para onde os escorraçaste por causa das infidelidades cometidas contra ti. A nós, Senhor, resta-nos ter vergonha no rosto: a nossos reis e príncipes, e a nossos antepassados, pois que pecamos contra ti; mas a ti, Senhor, nosso Deus, cabe misericórdia e perdão, pois nos temos rebelado contra ti, e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, indicando-nos o caminho de sua lei, que nos propôs mediante seus servos, os profetas”.
Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo. Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados! Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer! Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos.
Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor! Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.
Caríssimos irmãos em Cristo! A Liturgia da Palavra nos coloca diante do autêntico espírito da Quaresma, ou seja, ela quer despertar em nós as boas disposições para o arrependimento de nossos pecados e para a penitência. Além disto ela nos exorta a voltarmos a viver a vida cristã com ânimo e coragem, fortalecidos pela graça divina e pela esperança da eterna glória. Como disse Pedro: “As tuas palavras, ó Senhor, são espírito e vida; pois, só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 63.68)!
Nas palavras do profeta Daniel foi-nos apresentado um belo testemunho de alguém que, falando em nome do povo judeu, reconheceu que a situação de angústia, humilhação e sofrimento que eles estavam passando eram, na verdade, por culpa de seus próprios pecados. O povo judeu estava, de fato, envergonhado e arrependido da vida de pecado haviam tido antes, tanto em relação aos próprios pecados, quanto aos de seus pais. O profeta Daniel, ao mesmo tempo em que falava diante de Deus, ele também se dirigia ao povo, fazendo-lhe um convite muito delicado para que todos os que, eventualmente, cometeram algum pecado grave, reconhecessem humildemente os seus atos, e se pusessem diante de Deus com um espírito contrito, demonstrando vergonha e arrependimento dos próprios pecados cometidos.
Por isso, Daniel, falando em nome do povo, clamava a Deus, dizendo: “Eu te suplico, Senhor, Deus grande e terrível, que preservas a aliança e a benevolência aos que te amam e cumprem teus mandamentos; temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas, que, em teu nome, falaram a nossos reis e príncipes, a nossos antepassados e a todo o povo do país. A ti, Senhor, convém a justiça; e a nós, hoje, resta-nos ter vergonha no rosto: seja ao homem de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo Israel, seja aos que moram perto e aos que moram longe, de todos os países, para onde os escorraçaste por causa das infidelidades cometidas contra ti” (Dn 9, 4-7).
Esta devia ser, na verdade, a atitude normal de todo fiel cristão que reconhecesse sinceramente que pecou. Este seria o autêntico espírito da Quaresma: despertar a compunção, o arrependimento, a vergonha e a humildade, ao se confrontar consigo mesmo, reconhecendo-se pecador! Visto que, somente desta forma poderíamos nos colocar diante deste nosso Deus, cheios de confiança, porque ele é um Deus de misericórdia e de compaixão, sempre pronto a nos perdoar, desde que estejamos sinceramente e humildemente arrependidos de nossas faltas. Por isso, todos nós neste tempo da quaresma somos convidados a elevar a Deus a seguinte oração: “Não lembreis, ó Senhor, as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo. Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador” (Sl 78, 8-9)!
Jesus, no Evangelho, garantia que o Deus de misericórdia estaria sempre pronto a perdoar aos que, por sua vez, fossem misericordiosos com os seus semelhantes que lhe ofenderam! Ele nos advertia a imitá-lo nestas questões: antes de ter uma atitude rigorista e intransigente de julgar e condenar o pecador que nos ofendeu. Contudo, ele queria que estivéssemos sempre prontos a perdoar e a relevar as ofensas sofridas, dizendo: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos” (Lc 6, 36-38).
E assim, caros irmãos, considerando a pequenez e a miséria de vida que nós estamos levando neste mundo, por causa de nossos pecados, supliquemos a Deus a sua compaixão e o seu perdão! Por certos, nós estamos conscientes que corremos um sério risco de acabar na morte eterna, se não nos livrarmos de nossas iniquidades em tempo. Portanto, supliquemos ao Senhor a sua misericórdia, dizendo: “Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer! Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos” (Sl 78, 11.; 13). Deste modo, cheios de confiança no Cristo Senhor, o nosso Salvador e Redentor de nossas vidas, digamos cheios de confiança:” Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor! Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,63.68)!
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