

Naqueles dias, surgiu um novo rei no Egito, que não tinha conhecido José, e disse ao seu povo: “Olhai como o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. Vamos agir com prudência em relação a ele, para impedir que continue crescendo e, em caso de guerra, se una aos nossos inimigos, combata contra nós e acabe por sair do país”. Estabeleceram inspetores de obras, para que o oprimissem com trabalhos penosos; e foi assim que ele construiu para o Faraó as cidades-entrepostos Pitom e Ramsés. Mas, quanto mais o oprimiam, tanto mais se multiplicava e crescia. Obcecados pelo medo dos filhos de Israel, os egípcios impuseram-lhes uma dura escravidão. E tornaram-lhes a vida amarga pelo pesado trabalho da preparação do barro e dos tijolos, com toda a espécie de trabalhos dos campos e outros serviços que os levavam a fazer à força. O Faraó deu esta ordem a todo o seu povo: “Lançai ao rio Nilo todos os meninos hebreus recém-nascidos, mas poupai a vida das meninas”.
Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, que o diga Israel neste momento; se o Senhor não estivesse ao nosso lado, quando os homens investiram contra nós, com certeza nos teriam devorado no furor de sua ira contra nós. Então as águas nos teriam submergido, a correnteza nos teria arrastado, e então, por sobre nós teriam passado essas águas sempre mais impetuosas. Bendito seja o Senhor, que não deixou cairmos como presa de seus dentes! Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador; o laço arrebentou-se de repente, e assim nós conseguimos libertar-nos. O nosso auxílio está no nome do Senhor, do Senhor que fez o céu e fez a terra!
Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo. Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”. Quando Jesus acabou de dar essas instruções
aos doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos adverte dizendo que antes de entrarmos no Reino dos céus e sermos ali coroados com a glória e a bem-aventurança teremos que passar por provações, sofrimentos e tribulações aqui nesta vida. O povo hebreu, antes da libertação, sofreu uma dura escravidão no Egito. Jesus Cristo, antes da ressurreição, passou pela morte de cruz! E aos seus discípulos, Jesus disse: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mt 10, 38).
A Sagrada Escritura, ao relatar a história do Povo Eleito, nos diz que os filhos de Israel permaneceram no Egito, desde o tempo em que a família de Jacó migrou ao Egito até à sua libertação, no tempo de Moisés, que durou quatrocentos ano. Nos últimos anos de sua estadia no Egito, Deus permitiu que este seu povo fosse duramente provado, quando as autoridades egípcias “estabeleceram inspetores de obras, para que o oprimissem com trabalhos penosos” (Ex 1, 11). Como Deus os abençoava e protegia, “quanto mais o oprimiam, tanto mais se multiplicava e crescia. Obcecados pelo medo dos filhos de Israel, os egípcios impuseram-lhes uma dura escravidão. E tornaram-lhes a vida amarga pelo pesado trabalho da preparação do barro e dos tijolos, com toda a espécie de trabalhos dos campos e outros serviços que os levavam a fazer à força” (Ex 1, 12-14).
Esta dura provação, causada pela opressão da escravidão e dos trabalhos forçados, levaram os filhos de Israel a se unirem mais ainda entre si, e a se refugiarem naquele Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, para encontrar nele refúgio, consolo e libertação daquela situação de opressão. Israel, depois de se libertar da opressão no Egito e lembrando-se daqueles tempos difíceis, clamava a Deus em oração, dizendo-lhe: “Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, que o diga Israel neste momento; se o Senhor não estivesse ao nosso lado, quando os homens investiram contra nós, com certeza nos teriam devorado no furor de sua ira contra nós. Bendito seja o Senhor, que não deixou cairmos como presa de seus dentes! Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador; o laço arrebentou-se de repente, e assim nós conseguimos libertar-nos. O nosso auxílio está no nome do Senhor, do Senhor que fez o céu e fez a terra” (Sl 123, 1-3; 6-8)!
De modo semelhante, caros irmãos, aconteceu com a Igreja, o novo Povo de Deus. Pois, desde o início, tanto Jesus Cristo quanto os Apóstolos, todos eles se viram rodeados de muitos concidadãos e irmãos no judaísmo que os maltrataram e perseguiram cruelmente. Jesus inclusive foi perseguido, maltratado e morto na cruz, pelos próprios irmãos e pelas autoridades judaicas, que faziam parte do Povo de Israel. A perseguição, os maus-tratos e o martírio tornou-se fato corriqueiro e constante na vida dos primeiros cristãos. Inclusive Tertuliano, por volta do ano 200, dizia “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos” (Apologético, 50,13).
Pois, era exatamente no meio dos sofrimentos e das provações que os filhos de Deus deveriam ser fortalecidos e comprovados na sua fé. Esta afirmação de Tertuliano sobre os cristãos faz lembrar a frase de Moisés, que dissera a respeito do Povo dos filhos de Israel: “Quanto mais ele era oprimido, tanto mais se multiplicava e crescia” (EX, 10, 12). Por isso, Jesus nos advertiu, dizendo: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 10, 34-39).
E por fim, caros irmãos, Jesus deixou muito bem registrado no seu Evangelho que a nossa causa não se resumia num reino deste mundo e nem nesta vida terrena que levamos atualmente. A nossa causa devia ser Jesus Cristo, o nosso Salvador, e a conquista do Reino dos Céus, como disse Jesus: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 10, 34-39). E, por fim, Jesus completou dizendo: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles” (Mt 5, 10)!
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