

Irmãos, quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! Assim já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! Publicai entre as nações: “Reina o Senhor! Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça”.
Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra!
Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu”. Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador”.
Caríssimos irmãos e irmãs! Celebramos hoje a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira Principal da América Latina.
Segundo arraigada tradição, a imagem da Virgem de Guadalupe apareceu impressa na manta do índio São Juan Diego em 1531, na cidade do México. Depois deste milagre, o manto de Juan Diego, no qual estava impressa a imagem de Nossa Senhor de Guadalupe, permaneceu alguns dias na capela episcopal do Bispo D. Frei Juan de Zumárraga e depois de um certo tempo, na Igreja da Sé. Em 26 de dezembro do mesmo ano, foi solenemente levada para uma ermida aos pés do cerro de Tepeyac. Seu culto se propagou rapidamente, e que muito contribui u para a difusão da fé católica entre os indígenas mexicanos. Pois, a Virgem de Guadalupe deveria ser venerada pelos católicos com um culto espiritual semelhante àquelas palavras do Anjo Gabriel, que saudou a Virgem Maria no momento da anunciação, dizendo: “Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra” (Lc 1, 28)!
A Virgem de Guadalupe, que se mostrou solícita a prestar auxílio e proteção em todas as tribulações, despertou no povo católico das Índias Ocidentais – primeiramente no México e posteriormente em todas as Américas – grande confiança filial na Mãe de Deus. Constituiu, além disso, um estímulo à prática da caridade cristã. Ao demonstrar a predileção de Nossa Senhora de Guadalupe pelos humildes e necessitados, ela dedicou uma solicitude toda especial pelos indígenas daquela região, que estavam sendo duramente oprimidos pelos espanhóis, reduzindo-os á escravidão e à miséria. Ela aparecendo ao índio Juan Diego, o mais humilde dos homens, que morava no último recanto do mundo, ele podia saudar a Virgem com as mesmas palavras que Santa Isabel dissera outrora à Santíssima Virgem: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar! ( Lc 1, 47)? (Cfr. Liturgia das Horas, p. 1054-1055).
Dentre outras finalidades, esta aparição de Nossa Senhora de Guadalupe ao bem-aventurado indígena Juan Diego, aconteceu para dar à Igreja Católica um testemunho pessoal da sua virgindade perpétua. Ou seja, Maria Santíssima, a a mil e quinhentos anos depois, deu o seu testemunho pessoal de que ela era a “Sempre Virgem Maria, a Mãe de Jesus”. Esta verdade de fé estava, na época da aparição da Virgem Maria a São Juan Diego, estava sendo duramente contestada pelos cristãos protestantes na Europa. Lá no México, bem distante da Europa, Maria deu um testemunho extraordinário de sua virgindade, a um humilde índio que recentemente se convertera ao cristianismo.
A “Sempre Virgem Maria” apareceu e visitou aquele índio Juan Diego para evangelizar todos os povos indígenas que viviam nas sombras do paganismo e sofriam uma dura opressão dos cristãos espanhóis. Ela veio pessoalmente visitar os povos indígenas para anunciar-lhes o Evangelho de seu filho Jesus, repetindo aquelas palavras de Paulo, que dizia: “Irmãos, quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! Assim já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus” (Gl 4, 4-7).
Desta forma, homens e mulheres de todos os povos e nações podiam elevar o seguinte hino a Deus, cantando: “Cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! Publicai entre as nações: ‘Reina o Senhor'” (Sl 95, 1-3; 10)!
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