Perguntou-lhe ainda: “Tu és, de fato, meu filho Esaú?” Ele respondeu: “Sou”. 25Isaac continuou: “Meu filho, serve-me da tua caça para eu comer e te abençoar”. Jacó serviu-o e ele comeu; trouxe-lhe depois vinho e ele bebeu. 26Disse-lhe então seu pai Isaac: “Aproxima-te, meu filho, e beija-me”. 27Jacó aproximou-se e o beijou. Quando Isaac sentiu o cheiro das suas roupas, abençoou-o, dizendo: “Este é o cheiro do meu filho: é como o aroma de um campo fértil que o Senhor abençoou! 28Que Deus te conceda o orvalho do céu, e a fertilidade da terra, a abundância de trigo e de vinho. 29Que os povos te sirvam e se prostrem as nações em tua presença. Sê o senhor de teus irmãos, e diante de ti se inclinem os filhos de tua mãe. Maldito seja quem te amaldiçoar, e quem te abençoar, seja bendito!”
Louvai o Senhor, bendizei-o; * louvai o Senhor, servos seus, 2que celebrais o louvor em seu templo * e habitais junto aos átrios de Deus! 3Louvai o Senhor, porque é bom; * cantai ao seu nome suave! 4Escolheu para si a Jacó, * preferiu Israel por herança. 5Eu bem sei que o Senhor é tão grande, * que é maior do que todos os deuses. 6Ele faz tudo quanto lhe agrada, † nas alturas dos céus e na terra, * no oceano e nos fundos abismos.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” 15Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão. 16Ninguém coloca remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgão fica maior ainda. 17Também não se coloca vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas vinho novo se coloca em odres novos, e assim os dois se conservam”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra que acabamos de ouvir, nos coloca diante de certos mistérios divinos que nos deixam escandalizados e confusos. Pois, nem sempre os planos e os desígnios divinos se coadunam com o nosso modo humano de entender as coisas. Mesmo diante de certas situações que possam parecer injustas ou até esquisitas, que aparentemente possam parecer contraditórias, no entanto, Deus pode, em seu divino poder, tirar coisas boas a partir de coisas más.
Assim sendo, caros irmãos, os homens poderiam, eventualmente, ter os seus planos bem traçados serem completamente desfeitos pelos planos divinos. Pois, os desígnios divinos nem sempre coincidem com os desígnios humanos! Diante disto, nós vimos, no Livro do Gênesis, que Isaac pretendia conferir as bênçãos e os direitos de primogenitura a Esaú, que ele considerava ser o mais velho. Porém, como Esaú e Jacó eram gêmeos, muito antes do seu nascimento, Deus já havia rejeitado Esaú e escolhera Jacó (também chamado de Israel). Deus se serviu, assim, das trapaças e embustes de Jacó e de Rebeca, para enganar Isaac, que estava cego. Assim, induziram-no a conferir a Jacó as bênçãos e os direitos de primogenitura, para que ele viesse a herdar as promessas divinas, que haviam sido dadas a Abraão e a Isaac. Por isso, os desígnios de Deus deveriam prevalecer diante dos desígnios humanos!
Deus, contudo, servindo das manobras de Rebeca, fez com que Isaac abençoasse Jacó, dizendo: “Que Deus te conceda o orvalho do céu, e a fertilidade da terra, a abundância de trigo e de vinho. Que os povos te sirvam e se prostrem as nações em tua presença. Sê o senhor de teus irmãos, e diante de ti se inclinem os filhos de tua mãe. Maldito seja quem te amaldiçoar, e quem te abençoar, seja bendito” (Gn 27, 28-29)! Assim sendo, conforme as palavras do salmista, que em meio aos louvores do Senhor, dizia: “Louvai o Senhor, porque é bom; cantai ao seu nome suave! Escolheu para si a Jacó, preferiu Israel por herança. Pois ele faz tudo quanto lhe agrada, nas alturas dos céus e na terra, no oceano e nos fundos abismos” (Sl 134, 3-4; 6).
No Evangelho que ouvimos, caros irmãos, nós vimos algo semelhante ao que se deu entre Esaú e Jacó. Assim sendo, por disposição de Jesus Cristo, o povo antigo seria substituído pelo novo povo de Deus, formado pelos discípulos do Senhor! Diante da polêmica a respeito do jejum, Jesus se serviu deste motivo para ensinar algumas questões fundamentais de sua doutrina evangélica. Primeiramente, ele explicou o sentido real do jejum, como uma prática de penitência corporal, que predispõe melhor as pessoas ao encontro com Deus, na oração. Por isso, enquanto Jesus, o Filho de Deus, estivesse ali presente diante dos discípulos, eles não precisavam do jejum como um dispositivo corporal para melhor rezar e crer em Deus. Por isso, ele disse: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão” (Mt 9, 15).
Aproveitando-se, ainda, desta polêmica sobre o jejum, Jesus deu a entender que ele estava dando um novo sentido para todas as antigas práticas litúrgicas e de piedade da religião judaica. Portanto, a sua doutrina não se adaptava às tradições judaicas, e nem o judaísmo suportaria as novas orientações de Jesus Cristo. Portanto, Jesus não veio reformar o judaísmo, mas veio trazer uma nova crença e uma nova religião, com novos ritos e com uma nova doutrina. Por isso, disse Jesus: “Ninguém coloca remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgão fica maior ainda. Também não se coloca vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas vinho novo se coloca em odres novos, e assim os dois se conservam” (Mt 9, 16-17).
Deste modo, caros irmãos, todos aqueles que fizerem parte da religião de Cristo, o nosso Senhor, devem oferecer a Deus um sacrifício de louvor – sem se importar muito com o jejum -, dizendo: “Louvai o Senhor, bendizei-o; louvai o Senhor, servos seus, que celebrais o louvor em seu templo e habitais junto aos átrios de Deus! Louvai o Senhor, porque é bom; cantai ao seu nome suave” (Sl 134, 1-3)!
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