1O Senhor falou a Moisés no monte Sinai, dizendo: 8O quinquagésimo ano será para vós um ano de jubileu: não semeareis, nem colhereis o que a terra produzir espontaneamente, nem colhereis as uvas da vinha não podada; 12pois é um ano de jubileu, sagrado para vós, mas podereis comer o que produziram os campos não cultivados. 13Nesse ano de jubileu cada um poderá retornar à sua propriedade. 14Se venderes ao teu conterrâneo, ou dele comprares alguma coisa, que ninguém explore o seu irmão; 15de acordo com o número de anos decorridos após o jubileu, o teu conterrâneo fixará para ti o preço de compra, e de acordo com os anos de colheita, ele fixará o preço de venda. 16Quanto maior o número de anos que restarem após o jubileu, tanto maior será o preço da terra; quanto menor o número de anos, tanto menor será o seu preço, pois ele te vende de acordo com o número de colheitas. 17Não vos leseis uns aos outros entre irmãos, mas temei o vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus”.
Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem. 2Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, * e sua face resplandeça sobre nós! 3Que na terra se conheça o seu caminho * e a sua salvação por entre os povos. 5Exulte de alegria a terra inteira, * pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, * e guiais, em toda a terra, as nações. 7A terra produziu sua colheita: * o Senhor e nosso Deus nos abençoa. 8Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, * e o respeitem os confins de toda a terra!
Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles!
Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. 2Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”. 3De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. 4Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. 5Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. 6Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes 7que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. 8Instigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. 9O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. 10E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. 11Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para a sua mãe. 12Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus.
Caríssimos irmãos em nosso Senhor Jesus Cristo! A Liturgia da Palavra nos fala sobre a instituição mosaica da festa do Ano Jubilar, que deveria ser celebrado a cada cinquenta anos em Israel. Era uma festa relacionada à vida agrária para promover a fraternidade e a justiça social em Israel. E no Evangelho nós nos deparamos com uma das mais vergonhosas e cruéis injustiças cometidas em Israel, quando Herodes mandou decapitar João Batista.
Deus instituiu em Israel desde o princípio, além das festividades anuais, um Ano Jubilar a cada cinquenta anos. Conforme a Sagrada Escritura, “o Senhor falou a Moisés no monte Sinai, dizendo: O quinquagésimo ano será para vós um ano de jubileu. Contarás sete semanas de anos, ou seja, sete vezes sete anos, o que dará quarenta e nove anos. Então farás soar a trombeta no décimo dia do sétimo mês. No dia da Expiação fareis soar a trombeta por todo o país. Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação para todos os habitantes do país: será para vós um jubileu” (Lv. 25, 1; 8-11). Este jubileu deveria ser aplicado pelos judeus como uma ordem divina, respeitando-o como um ano sagrado, dedicado ao Senhor.
Deus, ao instituir este Ano Sabático, pretendia despertar no seu povo eleito uma série de virtudes sociais e comunitárias muito importantes, tais como: a generosidade, o perdão, a liberalidade, a justiça, o despego aos bens materiais e ,sobretudo, a confiança na providência divina. Virtudes estas, com certeza, muito difíceis de serem aplicadas, que dependiam da boa fé e boa vontade de todos. Por isso, Deus fez a seguinte advertência: “Não vos leseis uns aos outros entre irmãos, mas temei o vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 25, 17). É claro que esta lei do Ano Jubilar teve as suas dificuldades, no decorrer dos anos, mas os judeus procuraram, na medida do possível, aplicá-la corretamente!
O Evangelho que nós ouvimos, caros irmãos, nos apresentou um assunto completamente diverso da leitura anterior, falando-nos a respeito de uma grave injustiça cometida contra João Batista. Nos foi apresentado, ali, o maravilhoso testemunho de fé e de fidelidade a Deus do grande profeta João Batista. Ele foi tratado da mesma forma que todos os verdadeiros profetas foram tratados. Ele, foi o primeiro a aplicar em sua vida o Evangelho da bem-aventurança, que dizia: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque deles há de ser o Reino dos céus” (Mt 5, 10)! João era odiado pelos iníquos Herodes e Herodíades, exatamente por ser justo e ser profeta. Ambos o odiavam e queriam matá-lo por que ele teve a santa audácia de adverti-los de estarem em uma convivência conjugal adúltera. Eles, Herodes e Herodíades, embora sendo judeus relapsos e perversos, continuavam sujeitos as Lei do Decálogo, que lhes proibia a prática do adultério.
João Batista, portanto, deu a sua vida defendendo a dignidade e a santidade do matrimônio, segundo a Lei divina e conforme o Evangelho de Cristo! “De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta” (Mt 14, 3-5). Aparecendo-lhe a oportunidade, “Herodes mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para a sua mãe. Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus” (Mt 14, 10-12).
Os discípulos de João e os discípulos de Jesus, depois de darem a João Batista um digno sepultamento, elevaram a Deus um canto de louvor e gratidão por ter-lhes concedido a graça de um profeta tão justo e santo, dizendo: “Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos. Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações” (Sl 66, 1–5).
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