

Moisés dirigiu a palavra ao povo de Israel e lhe disse: “Hoje, o Senhor teu Deus te manda cumprir esses preceitos e decretos. Guarda-os e observa-os com todo o teu coração e com toda a tua alma. Tu escolheste hoje o Senhor para ser o teu Deus, para seguires os seus caminhos, e guardares seus preceitos, mandamentos e decretos, e para obedeceres à sua voz. E o Senhor te escolheu, hoje, para que sejas para ele um povo particular, como te prometeu, a fim de observares todos os seus mandamentos. Assim ele te fará ilustre entre todas as nações que criou, e te tornará superior em honra e glória, a fim de que sejas o povo santo do Senhor teu Deus, como ele disse”.
Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! Feliz o homem que observa seus preceitos, e de todo o coração procura a Deus! Os vossos mandamentos vós nos destes, para serem fielmente observados. Oxalá seja bem firme a minha vida em cumprir vossa vontade e vossa lei! Quero louvar-vos com sincero coração, pois aprendi as vossas justas decisões. Quero guardar vossa vontade e vossa lei; Senhor, não me deixeis desamparado!
Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai! Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra anuncia a todos nós a mensagem dos Mandamentos da Lei de Deus, dizendo que os preceitos da nova Lei do Evangelho de Cristo são os mesmos do Decálogo que foi dado a Moisés no monte Sinai. Jesus não aboliu nada e nem acrescentou nada; apenas elevou-a à sua mais alta perfeição! Jesus Cristo interpretou a Lei de Deus conforme o espírito do Divino Legislador. Por isso, podemos aclamá-lo, dizendo: “Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!” (2Cor 6, 2).
O Salmista abriu este longo hino de louvor à Lei do Senhor Deus, dizendo: “Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo” (Sl 118,1)! Sim, há uma felicidade espiritual que podemos desfrutar, largamente, já agora neste mundo! É verdade, esta felicidade é uma espécie de retribuição, ou uma forma de recompensa espiritual que a nossa consciência nos fornece, quando realizamos algo importante, difícil e louvável. A nossa alma fica satisfeita e exulta de alegria na graça divina, depois de ter cumprido o seu dever. Por isso, a nossa consciência fica feliz, alegre e cheia de paz, quando percebe que realizou uma boa obra ou obedeceu à Lei do Senhor Deus!
Esta felicidade tanto serve como uma retribuição das boas obras realizadas, por ter obedecido à Lei de Deus; bem como, é um estímulo para perseverar nelas. Por isso, o Salmista dizia: “Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! Feliz o homem que observa seus preceitos, e de todo o coração procura a Deus” (Sl 118, 1-2)!
Entretanto, o Senhor nosso Deus sabe como nós somos; ele sabe que nós temos muita dificuldade em acolher os seus mandamentos; ele sabe, também, o quanto resistimos para abandonar os nossos caprichos, as nossas opiniões e nossas vontades, para abraçar a sua vontade, os seus preceitos e os seus mandamentos. Por isso, ele ordena em tom de comando, com toda delicadeza e bondade. Ele dá as sua normas e leis em forma de decretos, preceitos e mandamentos, com afabilidade e brandura, para que sejam acatados por nós e sejam obedecidos de boa mente e de bom coração. Como disse o Salmista: “Os vossos mandamentos vós nos destes, para serem fielmente observados. Oxalá seja bem firme a minha vida em cumprir vossa vontade e vossa lei! Quero louvar-vos com sincero coração, pois aprendi as vossas justas decisões. Quero guardar vossa vontade e vossa lei; Senhor, não me deixeis desamparado” (Sl 118, 3-4)!
Moisés, por sua vez, transmitiu os mandamentos divinos da seguinte forma: “Hoje, o Senhor teu Deus te manda cumprir esses preceitos e decretos. Guarda-os e observa-os com todo o teu coração e com toda a tua alma. Tu escolheste hoje o Senhor para ser o teu Deus, para seguires os seus caminhos, e guardares seus preceitos, mandamentos e decretos, e para obedeceres à sua voz. E o Senhor te escolheu, hoje, para que sejas para ele um povo particular, como te prometeu, a fim de observares todos os seus mandamentos. Assim ele te fará ilustre entre todas as nações que criou, e te tornará superior em honra e glória, a fim de que sejas o povo santo do Senhor teu Deus, como ele disse” (Dt 26, 18-19).
Vejamos, então, o que Jesus nos disse a respeito do preceito de amar aos inimigos, coisa extremamente difícil: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 43-48).
Portanto, ao anunciar o seu Evangelho, Jesus retomou os mesmos mandamentos que foram dados ao Povo de Deus, através de Moisés, corrigindo as distorções introduzidas pelas más interpretações dos mestres da lei e dos fariseus. E, deste modo, os aperfeiçoou, elevando-os à sua forma mais perfeita e sublime. Por isso ele submeteu os seus mandamentos à lei do amor, que se expressava no amor a Deus e no amor ao próximo! E, falando sobre o amor ao próximo, Jesus dizia que deveríamos amar tanto os que nos amam, quanto aqueles que nos odeiam; devíamos amor tanto os amigos quanto os inimigos! Deveríamos suportá-los e rezar por eles, imitando em tudo o nosso Senhor Jesus Cristo. Pois nisto consistia o mais alto grau de perfeição, como disse Jesus: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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