

Naqueles dias, a Igreja vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo. Pedro percorria todos os lugares; e visitou também os fiéis que moravam em Lida. Encontrou aí um homem chamado Eneias, que estava paralítico e há oito anos jazia numa cama. Pedro disse-lhe: “Eneias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma a tua cama!” Imediatamente Eneias se levantou. Todos os habitantes de Lida e da região do Saron viram isso e se converteram ao Senhor.
Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido. É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, que nasceu de vossa serva; mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor.
Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna!
Naquele tempo, muitos dos discípulos de Jesus que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isso vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. Então, Jesus disse aos doze: “Vós também quereis ir embora?” Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”.
Caríssimos discípulos e discípulas do Cristo Ressuscitado! A Liturgia da Palavra de hoje quer nos ensinar que não basta se converter e tornar-se discípulo do Senhor por algum tempo apenas, ou por algum motivo estritamente circunstancial e mundano. É necessário que a nossa conversão e a nossa fé estejam solidamente embasadas na graça de Deus e que perseveremos até o fim, superando as provações e perseguições dos inimigos.
Diante disto, caros irmãos, o Evangelho que ouvimos nos deu um testemunho muito interessante sobre esta questão. Pois, logo depois que Jesus proferiu aquele discurso, na Sinagoga de Cafarnaum, sobre a Eucaristia – na qual ele dissera que daria a sua carne como alimento e o seu sangue como bebida – diversos discípulos de Jesus que faziam parte do grupo dos 72 discípulos ficaram comentando entre si o discurso de Jesus. Do mesmo modo como certos judeus se escandalizaram com a doutrina de Cristo sobre a Eucaristia, também alguns discípulos começaram a vacilar e a murmurar contra estas palavras de Jesus. Muitos destes discípulos não compreenderam o verdadeiro sentido das palavras de Jesus e, de forma precipitada, tiraram suas conclusões negativas, sem perguntar a Jesus qual deveria ser a interpretação justa e correta de suas palavras.
Jesus, entretanto, não se lamentou desta falta de compreensão e nem os repreendeu por terem-no criticado e murmurando contra ele, ao ficarem escandalizados com suas palavras. Muito ao contrário, Jesus entendeu que esta seria uma boa oportunidade para testar os seus discípulos. Assim, cada qual haveria de demonstrar quem, de fato, acreditava em Jesus, e quem não acreditava nele. Por isso, “muitos dos discípulos de Jesus que o escutaram, disseram: ‘Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?’ Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: ‘Isso vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. Mas entre vós há alguns que não creem’. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo” (Jo 6, 60-64).
E, de fato, todos aqueles discípulos que até então resistiam em crer em Jesus, como o Senhor e o Salvador, mas o seguiam por outros motivos, ficaram desapontados e deixaram de segui-lo. Por isso, Jesus acrescentou: ‘É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai’. A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele” (Jo 6, 65-66). Em seguida, Jesus voltando-se aos Doze Apóstolos, exigiu deles também um posicionamento de sua fé, dizendo-lhes: “’Vós também quereis ir embora?’ Simão Pedro então lhe respondeu: ‘A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus’” (Jo 6, 67-69).
Pouco tempo depois, Pedro saiu pregando o Evangelho do Reino pelas cidades da Galileia, da Judeia e da Samaria, do mesmo modo como Jesus fizera a pouco tempo atrás. E nesta sua primeira viagem missionária entre os judeus ele conseguiu contactar muitos daqueles que ouviram o Evangelho da boca de Jesus e que já seguiam Jesus em seus corações. Por isso, ele conseguiu converter a muitos deste judeus, que abraçaram com coragem e convicção a fé em Jesus Cristo, pois, “naqueles dias, a Igreja vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo” (At 9, 31).
E todos estes judeus que se convertiam, tornavam-se discípulos do Senhor! E assim, repletos do Espírito Santo, testemunhavam a sua fé e glorificavam a Deus, dizendo: “Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 63.68). E todos estes discípulos bendiziam e louvavam ao Senhor Jesus, dizendo: “Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, que nasceu de vossa serva; mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor” (Sl 115, 13; 16-17).
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