

Naqueles dias, o profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha. Fez vir a fome sobre eles e, no seu zelo, reduziu-os a pouca gente. Pela palavra do Senhor fechou o céu e de lá fez cair fogo por três vezes. Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? Tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro de cavalos também de fogo, tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para reconduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade!
Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós que sobre os querubins vos assentais. Despertai vosso poder, ó nosso Deus e vinde logo nos trazer a salvação! Voltai-vos para nós, Deus do universo!† Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes! Pousai a mão por sobre o vosso Protegido, o filho do homem que escolhestes para vós! E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!
Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas! Toda carne há de ver a salvação que vem de Deus!
Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles”. Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje diz que João Batista foi eleito por Deus para ser um novo Elias, como precursor de Jesus, conforme lhe fora profetizado. Ele seria aquele que recebera a incumbência divina de preparar o povo de Israel para acolher Jesus. Pois João Batista andava por todos os lugares proclamando as seguintes palavras: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas! Toda carne há de ver a salvação que vem de Deus” (Lc 3, 4.6)!
Desde tempos mais remotos, o judaísmo antigo venerava o profeta Elias como um dos maiores profetas. Os mestres da Lei e os sábios intérpretes da Palavra de Deus, entendiam que Elias fora aquele profeta perfeito, zeloso e pleno de poderes divinos para se opor às perversidades dos maus e exortava o povo, por meio de sinais e de palavras, chamando-o à conversão, afim de que retornasse ao caminho da Lei do Senhor!
Por isso, diziam que um profeta semelhante a Elias seria enviado por Deus para preparar o povo para a vinda do Messias. No livro do Eclesiástico fora enunciada a profecia sobre Elias, dizendo: “Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? Tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro de cavalos também de fogo, tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para reconduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade” (Eclo 48, 4; 9-11)!
Este Elias que veio antes de Jesus Cristo, não era a reencarnação daquele antigo profeta Elias, mas era o profeta João Batista, investido dos mesmos poderes e do Espírito de Elias. Este fato revelava uma prática muito comum da parte de Deus, no sentido de guardar certos eventos mais importantes sob uma névoa de mistério. Assim sendo, por exemplo, o Messias nunca fora revelado na Sagrada Escritura que receberia o nome de Jesus, mas era chamado pelos profetas com o nome de Emanuel. Da mesma forma, o Precursor nunca fora revelado sob o nome de João, mas de Elias. Portanto, para desvendar este mistério, “os discípulos perguntaram a Jesus: ‘Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?’ Jesus respondeu: ‘Elias vem e colocará tudo em ordem. Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles’. Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista” (Mt 17, 10-13).
Por isso, o rei Davi louvava o Pastor de Israel, que se encontrava no céu, para que viesse pessoalmente apascentar o seu povo com aquela solicitude e carinho que ele sempre teve pelo povo de Israel, dizendo: “Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós que sobre os querubins vos assentais. Despertai vosso poder, ó nosso Deus e vinde logo nos trazer a salvação! Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a” (Sl 79, 1-3; 15)!
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